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Guerra comercial altera mapa mundial da soja

Enquanto Brasil mira a China para ampliar suas exportações, União Europeia encontra nos Estados Unidos um fornecedor disposto a “desovar” soja no mercado internacional

MANDEL NGAN/AFP Além do preço mais barato, pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, tem feito com que os europeus comprem mais soja norte-americana. | MANDEL NGAN/AFP

Além do preço mais barato, pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, tem feito com que os europeus comprem mais soja norte-americana.

  • Da Redação, com informações do Estadão Conteúdo

A guerra comercial travada por Estados Unidos e China tem alterado as rotas do comércio global de soja. Com mais uma colheita recorde a caminho e sem contar com o mercado chinês, os norte-americanos têm “desovado” sua produção no mercado internacional. Com isso - e com o aditivo de estar sendo pressionada pelas ameaças de Donald Trump -, a Europa aumentou suas compras e fez com que os EUA superassem o Brasil como principais fornecedores de soja para o mercado europeu.

Dados publicados pela Comissão Europeia apontam que a exportação deles atendeu 52% do mercado do bloco entre julho e setembro de 2018. No mesmo período de 2017, essa taxa era de apenas 25%. No total, os produtores dos EUA embarcaram 1,4 milhão de toneladas no período dos três meses avaliado por Bruxelas.

Com a alta, os americanos deixaram o Brasil com 39% do mercado europeu de soja. Juntos, os dois países praticamente garantem o abastecimento dos países da UE. O terceiro colocado é o Canadá, com apenas 2,3% do mercado, taxa similar à do Paraguai.

Entre julho e setembro de 2017, o Brasil exportava 1,2 milhão de toneladas, representando 48% de todas as compras europeias. O Paraguai ainda vendia 500 mil toneladas e abarcava 20% do mercado da UE. Em 2018, porém, as exportações brasileiras caíram para 1,1 milhão de toneladas, ao mesmo tempo em que o Brasil aproveitou a brecha deixada pelos norte-americanos para aumentar sua presença no mercado chinês, mostrando um movimento de migração da Europa para a Ásia. De janeiro a agosto, as vendas de soja para a China chegaram a 50,85 milhões de toneladas, mais de 6 milhões de toneladas acima do registrado no mesmo período do ano passado.

Segundo os europeus, a opção pela soja americana tem uma relação com o preço, mais competitivo neste ano que o restante da soja sul-americana. A exportação americana estaria custando 338 euros por tonelada, contra 359 euros do produto vendido pelo Brasil. Num comunicado de imprensa, Bruxelas deixou claro, ainda, que o movimento atendia a um pacto entre os dois aliados do Atlântico Norte. Em julho, na esperança de fortalecer a relação entre Bruxelas e Washington e evitar uma retaliação da Casa Branca contra os produtos europeus, o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, e o presidente americano Donald Trump assinaram um compromisso de aumentar o comércio em várias áreas. A soja era um dos setores no alvo dos americanos.

Um mecanismo de acompanhamento foi criado e, agora, Bruxelas quer mostrar à Casa Branca que está cumprindo sua parte de incrementar a compra de bens americanos. “Estamos comprometidos em cumprir nosso compromisso feito pelo presidente Juncker para aumentar o comércio, em especial sobre a soja”, disse o comissário de Agricultura da UE, Phil Hogan. “Isso reflete nossa parceria de longa data no comércio e o potencial de atingir muito mais”, apontou.

A pressão americana aos europeus ainda ocorre no mesmo momento em que Mercosul e UE praticamente abandonaram uma vez mais o diálogo sobre a criação de um acordo de livre comércio. O objetivo do presidente Michel Temer era o de fechar seu governo com a assinatura do entendimento, negociado já durante 18 anos. Mas uma oferta abaixo do esperado pelos europeus impediu que o Mercosul pudesse, na semana passada, aceitar os termos do entendimento.

De acordo com o levantamento, a UE hoje importa 14 milhões de toneladas de soja por ano, principalmente como fonte de proteína para alimentar galinhas, porcos e gado, assim como para a produção de leite.

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