Quase 31% do território da cidade de Londrina, no Norte do Paraná, é coberto por lavouras de soja. Os 510 quilômetros quadrados dedicados à cultura se mantêm praticamente estáveis há pouco mais de quatro anos, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seba). “Em 2012,foi aprovada a Lei de Zoneamento Urbano que integrou à zona urbana áreas até então consideradas rurais. Mas acredito que é um processo natural dos grandes centros em que a cidade acaba invadindo o campo”, observa o engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, Osvaldo Campos Júnior.

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No bairro Santa Felicidade, em Curitiba, é possível ver ao fundo a paisagem urbana da capital do Paraná, Curitiba.

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Em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, pequenas plantações de soja disputam espaço com as casas.

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Apesar de estar presente no ambiente da Grande Curitiba, dos 18 milhões de toneladas de soja previstos para este ciclo no Paraná, apenas cerca de 2% devem sair do entorno da capital paranaense.

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As nativas araucárias, que dão nome à cidade de Curitiba, são obrigadas a dividir espaço com a planta silvestre, a soja.

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O tempo rabugento não nega: a plantação de soja fica mesmo em Curitiba, encravada em Santa Felicidade.

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A distância entre as casas e as plantas da oleaginosa impressionam quem passa por algumas ruas de Campo Largo.

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Os especialistas dizem que com o tempo a tendência é ver cada vez menos lavouras de soja na paisagem urbana.

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Com clima mais frio que a média do estado, algumas das plantas de soja na região de Curitiba recém começam a ficar louras.No Norte e no Oeste do estado, a colheita já está indo para a reta final.

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O ciclo 2016/17 deve ser o primeiro da história no qual o Paraná deve colher mais de 18 milhões de toneladas.

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Um dos motivos que levam os donos dessas áreas a plantar soja, em vez de vender ao mercado imobiliário, é a lucratividade obtida com a planta.

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Em Campo Magro, também na Região Metropolitana de Curitiba, soja se mistura ao ambiente urbano.
As áreas de cultivo de soja circundam toda a cidade de Londrina. No entanto, é na região sul – considerada a área nobre da cidade – que as lavouras resistem em meio ao comércio, prédios e condomínio horizontais. “São áreas que estão com a família desses proprietários há muito tempo. Como a cultura continua dando retorno satisfatório, eles continuam produzindo. Mas é natural que com a especulação imobiliária, essas áreas se tornem cada vez mais raras”, acredita o agrônomo. Atualmente, a saca de 60 kg de soja está cotada a R$ 65 reais na praça.
O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Pissinatti, concorda. “A tendência é que essas áreas de produção de soja dentro da cidade sejam extintas nos próximos anos. Além do avanço dos condomínios, a população tende a cobrar esses produtores também ”.
Osvaldo Campos Júnior explica que em regiões como a área localizada na Avenida Madre Leônia Milito, na Gleba Palhano, de alta densidade demográfica, o produtor deve atender às normas aplicáveis às demais áreas urbanas. “Existe uma série de restrições no uso de produtos que deve ser respeitada”.
De acordo com o setor de pesquisa da Embrapa Soja, não existem diferenças significativas na produção por conta da localização da área de plantio. Por meio da assessoria de imprensa, os pesquisadores afirmam que por receber luz constante de postes de iluminação, a planta pode apresentar folhagem mais amarelada nas bordas, mas que isso não altera o resultado final da produção.
Independentemente de estarem próximos ou mais distantes do centro, os produtores londrinenses só têm motivos para comemorar. Assim como em outras regiões do estado, o Norte Pioneiro comemora os bons resultados da safra 2016/2017. Se no ano passado o município colheu 114,1 mil toneladas de soja, neste ano, até o momento, o potencial produtivo saltou para 163 mil toneladas, um crescimento de 42,9%, segundo o Deral. “O produtor está muito satisfeito com o resultado. Há quem tenha colhido 50 sacas/hectare no ano passado e neste ano está colhendo 82 sc/ha”, afirma o presidente do Sindicato Rural.
Segundo ele, apesar do resultado, considerado bom, os produtores ainda têm a expectativa de mais retorno até o balanço final da safra. Isso porque há a esperança de que o dólar volte a ter uma alta nos próximos dias. “Por conta da chuva dessas últimas semanas, estamos atrasados com a colheita aqui. Isso quer dizer que cerca de 70% da produção da nossa região ainda não foi comercializada. A expectativa é que as variáveis econômicas nos ajudem ainda mais a comemorar o resultado desta safra”, afirma Pissinatti.



