O final do plantio nos Estados Unidos faz aumentar a especulação no mercado internacional de commodities agrícolas. O resultado é alta volatilidade, com quedas bruscas e momentos de recuperação, porém menos agressivos, que ficam longe de compensar os recuos. Uma equação que, ao final de cada semana, acumula perdas sucessivas e rebaixa as cotações. Em 12 meses, soja e milho amargam desvalorizações superiores a 30% e 50%, respectivamente. A pressão negativa foi intensificada nas últimas duas semanas, após o relatório de previsão de cultivo dos norte-americanos, que aumentam as áreas das duas culturas.

No Brasil, o cenário especulativo mexe, é claro, com as cotações, e preocupa mais no milho que na soja. No caso da oleaginosa, as vendas da safra de verão estão praticamente concluídas. No Paraná, o grão foi negociado, em média, acima dos R$ 40/saca. Tem produtor que conseguiu realizar, acreditem, média de R$ 54. Já a posição do milho não é tão confortável assim. No mercado interno, o cereal terminou a semana passada com a saca abaixo do preço mínimo de R$ 16,50. O governo federal estuda, inclusive, medidas de apoio à comercialização, que podem ser apresentadas nos próximos dias.

O mercado de exportação, que poderia ser uma saída, também responde de forma diferente à soja e ao milho. En­­quan­­to a oleaginosa supera com folga os embarques do ano passado, as vendas externas do cereal encolhem e não devem repetir o desempenho do ano passado. Mas, aí, o fator Estados Unidos tem um coadjuvante, que foi a quebra da safra na Argentina. Na edição de hoje, o Caminhos do Campo destaca como a realidade desses dois países interferem na safra e nos negócios brasileiros, para melhor ou pior.

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