expedição safra

O que ainda pode dar errado até o reveillon no maior estado agrícola do Brasil?

Produtores, especialistas e analistas estão ‘de olho em São Pedro’ para garantir uma das maiores safras da história no Mato Grosso

Fernando Zequinão/Gazeta do Povo Produtor rural Ivaldo Oliveira com os filhos Felipe (caçula) e Aelton | Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Produtor rural Ivaldo Oliveira com os filhos Felipe (caçula) e Aelton

Rondonópolis, São Lourenço de Fátima, Cuiabá, Nova Mutum e Diamantino (MT) |

  • Giorgio Dal Molin, enviado especial

Tudo começou bem. Mas acabará bem? Essa é a grande dúvida dos produtores do maior estado produtor de grãos do Brasil, o Mato Grosso. Agricultores, técnicos, agrônomos e especialistas são unânimes: a semeadura da soja foi praticamente perfeita.

“De modo geral tivemos chuvas mais cedo em todo o estado e os produtores tentaram adiantar essa janela. Mas ainda existe o risco do El Niño, que pode trazer chuvas irregulares até janeiro”, afirma Cleiton Gauer, analista de mercado do Imea - Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária. Ele destaca que, até o momento, o crescimento das lavouras está em boas condições nas áreas já semeadas.

O produtor Ivaldo Oliveira, de Diamantino, no Médio Norte, já concluiu o plantio. “Aqui plantamos dia 12 de outubro e acabamos dia 5 de novembro”, destaca.

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Cleiton Gauer, do Imea, conversa com reportagem

Outra amostra do plantio precoce são as terras da Bom Jesus Sementes. Em mais de 130 mil hectares produzidos, de Rondonópolis no Sul do Estado, até o Norte, o grupo aproveitou o clima para colocar as sementes na terra, ainda que de forma escalonada.

“A gente esperava um veranico de 15 dias, mas durou apenas uma semana”, afirma Luis Henrique Vigolo, engenheiro agrônomo e coordenador técnico da empresa.

Ameaças ao solo

Em muitos lugares, as lavouras já batem no joelho. Um exemplo é São Lourenço de Fátima, a 50 km de Rondonópolis. Rodrigo Rigon, gerente de uma das fazendas do grupo Bom Jesus, destaca o bom início da safra, mas alerta que é preciso manter a atenção quanto a algumas ameaças daninhas na lavoura.

Para reduzir o risco, ele destaca a rotação de culturas utilizada na propriedade, que garante até mesmo a redução do uso de produtos biológicos. Por lá o solo gira anualmente, em áreas estratégicas, com o plantio de algodão, milho, braquiária e pasto para gado. Tudo para deixar o terreno adequado para a soja.

Rodrigo Rigon: atenção à rotação de culturas para deixar o terreno preparado para a soja

“Focamos muito na estruturação de solos. Assim utilizamos menos defensivos, o que é bom tanto para o meio ambiente quanto para o controle de gastos”, avalia Rigon, que, além de técnico agrícola, é formado em administração e estudante de Agronomia.

Reta final

Até o momento, 96,3% do plantio de soja já foi concluído no estado. “Falta apenas algo no Nordeste, que é natural plantar a soja mais tardia, pelas caraterísticas da região”, destaca especialista do Imea Cleiton Gauer. Comparado ao mesmo período do ano passado, o plantio está em 16,5 pontos percentuais adiantado, o que reforça a tese de que os produtores aproveitaram o clima.

Contudo, Rigon e Vigolo admitem que é preciso, sim, ficar de olho no clima até a colheita. Chuvas irregulares podem aumentar o índice de doenças, com a ferrugem da soja, a maior ameaça aos produtores. Contudo, até o momento, nenhum foco foi registrado no Mato Grosso neste ano.

Gauer conclui que, para que a safra atinja resultados tão bons quanto a safra anterior, é preciso que ‘São Pedro’ colabore. “A safra passada foi fora da curva. Tivemos veranicos no início, o que dificultou, mas depois o clima colaborou”, destaca. Agora, é esperar para ver.

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Luis Henrique Vigolo, engenheiro agrônomo da Bom Jesus Sementes

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