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Taoístas realizam ritual em Hong Kong: centro econômico de empresas chinesas pode ser afetado pela guerra comercial entre China e Estados Unidos.  A WH Group , por exemplo, pode sofrer um baque com a tarifa de 25% sobre o preço da carne suína. | SN/PSQ/BOBBY YIP
Taoístas realizam ritual em Hong Kong: centro econômico de empresas chinesas pode ser afetado pela guerra comercial entre China e Estados Unidos. A WH Group , por exemplo, pode sofrer um baque com a tarifa de 25% sobre o preço da carne suína.| Foto: SN/PSQ/BOBBY YIP

Na medida em que os negociadores tentam impedir a China de taxar a importação de 128 produtos norte-americanos, os analistas de commodities chegaram a uma conclusão: uma das companhias mais prejudicas pelas tarifas é, na verdade, chinesa.

A WH Group domina as exportações de carne suína para a China e tem a sua sede administrativa em Hong Kong. Os negócios são feitos através de sua subsidiária, a Smithfield, que ficou em alerta após o governo chinês propor uma tarifa radical de 25% sobre os produtos derivados de suínos vindos dos Estados Unidos. Detalhe: os norte-americanos enviaram 309 mil toneladas para o país asiático no ano passado.

As tarifas propostas surgiram após um impasse entre os dois países, que começou desde que o presidente Donald Trump anunciou, no dia 22 de março, um plano de taxação de aproximadamente US$ 60 bilhões sobre os produtos chineses. Horas depois, a China propôs uma lista de tarifas de retaliação, sobre produtos como carne suína, vinho e alumínio. Elas passaram a valer nesta segunda-feira (2).

Impacto imediato

Em uma ilustração do quão globalizado se tornou o sistema de alimentos, e o quão sensitivo os mercados estão a potenciais interrupções, o Grupo WH foi o primeiro de muitas companhias a sentir a ameaça tarifária:

As ações da companhia caíram imediatamente 10% e ainda não se recuperaram, ainda que os analistas afirmem que as tarifas não devam impactar imediatamente as exportações de produtos suínos para a China.

“Eu continuo tentando dizer aos clientes: isso não é tão significativo”, afirma Dennis Smith, analista da corretora Archer Financial Services. “Na melhor das hipóteses, eu não acho que as tarifas irão impactar os lucros do WH Group”.

De muitas maneiras, a ansiedade que ronda a China quanto às tarifas é um prenúncio dos danos que uma Guerra Comercial poderia causar. Além disso, as ações da empresa e os preços dos suínos no mercado futuro caíram durante a última semana.

Terminal de contêineres de Hong Kong Anthony Kwan/Bloomberg

A queda aconteceu mesmo sem a China dar indicações de quando as tarifas passariam a ser válidas, e os Estados Unidos, por sua vez, já reduziram as exportações. A China tem uma produção crescente de carne suína, o que recentemente fez a proteína importada ficar menos competitiva.

Nos últimos cinco anos, as exportações de suínos dos Estados Unidos para a China - o terceiro maior consumidor desse produto por parte dos EUA - caíram 11%, enquanto as exportações para o Japão cresceram 11% e para o México (primeiro colocado) subiram 1%.

Na segunda-feira, destacou a Reuters, o presidente da Smithfiel, Kenneth Sullivan, disse a analistas que os mercados estão exagerando quanto à proposta das tarifas, e os produtores de suínos podem facilmente encontrar novos compradores.

“Vamos encontrar novos mercados, já enviamos para mais de 40 países”, afirma. “E podemos muito bem continuar enviando para a China, apesar do aumento do imposto”.

Vinho e soja

Ainda assim, as propostas trouxeram incertezas e instabilidades sobre o que pode vir pela frente, para empresas dos dois lados do Pacífico. O WH Group não é o único grupo chinês que pode ser penalizado pelas tarifas agrícolas: investidores chineses também compraram vinícolas da Califórnia, que poderão enfrentar tarifas de 15%.

Qualquer escalada do conflito atual pode ter implicações para empresas chinesas. Embora Smith não espere que a divisão de suínos do Grupo WH sofra com as tarifas, ele afirma que o próprio negócio de suínos da China pode ser afetado se o país realmente criar novos impostos para importações da soja norte-americana - o que atualmente é um dos maiores medos dos agricultores dos Estados Unidos.

A China importou US$ 14,12 bilhões em soja em 2016, principalmente para alimentar suínos e outros animais. Qualquer interrupção dessa cadeia de suprimentos pode desestabilizar o mercado.

“Isso foi uma das coisas que colocou os Estados Unidos em alerta”, afirma Smith. “O grande problema será se continuarmos a desafiar a China nessa Guerra Comercial”.

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