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Apesar de a empresa ter afirmado que não se trata de uma crise financeira, os trabalhadores estão apreensivos. | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Apesar de a empresa ter afirmado que não se trata de uma crise financeira, os trabalhadores estão apreensivos.| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

A partir da próxima segunda-feira (27), o frigorífico Globoaves, que tem sede em Cascavel, no Oeste do Paraná, vai suspender 1,8 mil contratos de trabalhadores por até 90 dias e parar temporariamente o abate de frango. A falta de ração, desencadeada pela dificuldade da aquisição de milho, que está escasso no mercado, obrigou o frigorífico a fazer um acordo com o Sintiacre (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de Cascavel e Região) e evitar demissões. Atualmente, a saca 60 kg de milho está custando R$ 45.

Procurada, a Globoaves confirmou o acordo, mas informou que não vai se manifestar sobre a questão. Já o Sintiacre diz que o acordo foi costurado nos últimos três meses. Segundo Marcos Antonio Velasco, relações públicas do sindicato, a empresa alegou que não está passando por dificuldades financeiras e que o problema foi gerado pela crise do milho e farelo, principais insumos da ração.

Segundo Velasco, a proposta inicial do frigorífico era suspender um turno de produção e demitir mais de mil trabalhadores. O sindicato não aceitou e começaram as negociações para encontrar uma alternativa que preservasse os empregos. No total, foram mais de dez reuniões até que o acordo fosse firmado e homologado no Ministério do Trabalho, após aprovação em assembleia dos trabalhadores.

Pelo acordo, a cada 30 dias, a empresa vai disponibilizar 60 horas de curso para os funcionários que terão seus contratos suspensos. A expectativa é de que em 40 dias um turno retome o abate. Os trabalhadores não perderão benefícios como auxílio-alimentação e plano de saúde. A única mudança é que durante esses três meses os funcionários receberão seus salários do governo federal, nos mesmos moldes do seguro-desemprego. O acordo prevê ainda que assim que terminar a suspensão dos contratos os trabalhadores terão estabilidade e não poderão ser demitidos nos próximos três meses.

Apesar de a empresa ter afirmado que não se trata de uma crise financeira, os trabalhadores estão apreensivos. “A gente não tem como saber o que se trata porque ela é uma empresa fechada”, afirma Velasco. A desconfiança se deve ao fato de que outros frigoríficos que atuam na região não adotaram a mesma medida.

A Globoaves possui aproximadamente 3.200 empregados e chegava abater 170 mil frangos diários. Com a falta de ração, as aves que eram abatidas com três quilos foram para a linha de abate com apenas um quilo e meio. Devido a falta de ração, muitas aves praticavam o canibalismo nos aviários integrados.

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