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Seleção genética e alimentação explicam os “frangões” | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Seleção genética e alimentação explicam os “frangões”| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

No peito grelhado do almoço ou no franguinho assado com batatas tem, por exemplo, vitaminas, minerais e sabor. Mas nada de hormônios.

“Isso é um mito que não tem o mínimo fundamento”, garante o professor de medicina veterinária Ariel Mendes, que é diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). “Primeiro porque é proibido por lei e segundo que não faria efeito, o frango tem o crescimento muito rápido, entre 42 e 45 dias, então não teria tempo de um hormônio fazer efeito”, explica.

Há ainda o fato de que qualquer hormônio de estímulo ao crescimento precisaria ser injetado. E mais: uma vez por dia. A questão é que uma criação de frangos não é algo assim tão simples de manejar. Em algumas é comum haver 50 mil animais em um único lote. Imagine como seria a aplicação dessas injeções nos frangos, um por um.

A professora de avicultura e ornitopatologia de Medicina Veterinária da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Kelli Mazutti Monteiro, calcula que se fossem gastos apenas 20 segundos por ave para conter e aplicar um medicamento do tipo, a conta ainda não fecharia. “Se eu pegar um galpão de 30 mil aves, iria gastar sete dias trabalhando, 24 horas sem intervalos, para aplicar em todas as aves. Sem contar que o preço de 1 mililitro (ml) de hormônio já seria mais caro que o valor de uma ave inteira”, detalha.

E se você ainda está pensando: “mas os frangos na época do meu avô levavam meses para ficar com um quilo e agora eles chegam perto de três em 40 dias?”. A resposta está na tecnologia. “Temos a questão da seleção genética, uma nutrição balanceada e o ambiente dos frangos, onde tudo é controlado”, conta a professora.

Ariel Mendes reforça que os resultados são tão expressivos justamente porque é muito mais rápido fazer pesquisa e aplicar avanços científicos para aperfeiçoar processos na produção de frango. “Hoje, a nutrição das aves é mais avançada que a própria nutrição humana, pois se você vai determinar, por exemplo, uma exigência nutricional de um aminoácido em frangos, em 45 dias você tem uma resposta possível de ser medida. O mesmo vale para ambiência e genética”, revela.

Mas, afinal, o que o frango come?

A ração de frango é composta basicamente de milho e farelo de soja, além de uma suplementação de vitaminas e minerais. “O milho é energia e a soja a proteína”, resume Mendes. “A ração é simples, e o que você pode adicionar é restrito e determinado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), como suplementos, aminoácidos, vitaminas, minerais”, explica.

Definitivamente frango não tem hormônio. “Somos o país que mais exporta o produto no mundo, para 160 países. Imagine que se a gente utilizasse hormônio alguém no mundo não reclamaria. É um produto de altíssima e rigorosa qualidade”, finaliza Mendes.

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