PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Pecuária
  3. Brasileiros comem quase tanta carne como americanos – mas só na aparência
hábitos de consumo

Brasileiros comem quase tanta carne como americanos – mas só na aparência

O problema é a desigualdade social e o poder aquisitivo, que distorcem a distribuição dos bifes no Brasil

Arquivo/Gazeta do Povo Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, e está na 4ª posição  em suínos | Arquivo/Gazeta do Povo

Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, e está na 4ª posição em suínos

  • Marcos Tosi, com informações do The Washington Post

Em média, cada brasileiro deve consumir em 2018 cerca de 90 kg de carne. A diferença é relativamente pequena para a média americana, que neste ano deve ultrapassar pela primeira vez a marca dos 100 kg por pessoa. As semelhanças, no entanto, param por aí.

“Em termos de carne bovina, a gente fala em um consumo médio de 35 kg por pessoa, por ano, no Brasil. Daria para cada brasileiro comer 100 gramas por dia. Mas sabemos que tem gente que passa mais de um mês sem comer carne vermelha, enquanto outros comem um quilo de picanha a R$ 50 o quilo apenas no churrasco do fim de semana”, pondera Paulo Rossi, professor do Laboratório de Pesquisas em Bovinocultura da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Rossi conduziu uma pesquisa com alunos da pós-graduação da UFPR em 2016 que mostrou que o brasileiro decide que carne irá comer conforme o dinheiro que tem no bolso. “Basta ir a um açougue de bairro na hora do almoço. Uma ou outra pessoa chega e diz: me dá meio quilo de alcatra para bife. A maioria chega e pede 5 reais de carne moída. Somos o segundo maior produtor de carne bovina no mundo, mas o povo não come por que não tem dinheiro”, afirma o pesquisador.

Em termos absolutos, é o frango que faz o consumo per capita de carne do brasileiro se aproximar da média americana. E justamente por pesar menos no bolso. O consumo de frango no Brasil, em 2017, foi de 42 kg por pessoa (média mundial de 13,98 kg), contra 14,7 kg da carne suína (média mundial de 12,3 kg) e 33,2 kg da carne bovina (média mundial de 6,5 kg).

Bom momento nos EUA

Nos Estados Unidos, apesar de toda a conversa em torno de proteína de ervilha e hambúrgueres produzidos em laboratório, é o consumo de carne que domina os cardápios. Neste ano, o consumo médio de carne bovina, suína e de frango chegará a 100,7 kg per capita, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, quebrando o recorde anterior, de 2004.

Ao mesmo tempo, a produção americana de proteína animal atingirá inéditas 45 milhões de toneladas, na medida em que os criadores de gado expandirem seus rebanhos aproveitando a baixa do preço da ração à base de grãos.

Os indicadores do USDA mostram que a demanda por ovos, igualmente, atingirá recorde absoluto em 2018. E derivados lácteos como queijo e manteiga também estão crescendo em popularidade. “Se olhar para os itens que os consumidores mais querem agregar às suas dietas, as proteínas lideram a lista”, diz David Portalatin, consultor de alimentos para o grupo NPD em Houston.

Muitos americanos estão deliberadamente substituindo os carboidratos por mais proteína, ainda que qualquer benefício à saúde seja questionável devido aos enormes volumes ingeridos de carne, ovos e derivados de leite. Enquanto o governo recomenda que adultos consumam entre 140 e 180 gramas de carne por dia, o USDA prevê que cada americano médio consumirá 280 gramas diárias em 2018 (contra uma média de 246 gramas no Brasil).

A realidade contrasta com o período entre 2007 e 2014, quando o consumo per capita de carne despencou 9% após a elevação do preço das commodities, em função das secas e do aumento da demanda de milho para produzir etanol. O fato do preço do bife estar bem abaixo do que o durante o pico de 2014 não garante que não haverá nova alta. As exportações de carne dos Estados Unidos vêm disparando conforme a economia mundial se recupera, superando o ritmo da demanda doméstica.

As cotações da carne na Bolsa de Chicago cresceram 4,7% em 2017, o primeiro ganho em três anos, enquanto a carne suína subiu ainda mais, 8,5%. Mas o preço pago ao produtor poderá cair em 2018, segundo o USDA.

O interesse por produtos para substituir a carne vem aumentando nos últimos anos, em meio à preocupação com o impacto de uma dieta carnívora na saúde humana, no bem-estar animal e no meio ambiente. A companhia Epic Burger, de Chicago, por exemplo, começou a vender no ano passado um pastel de carne vegetal. Proteínas obtidas a partir de plantas, insetos ou cultivadas em laboratório são uma tendência a ser acompanhada, ainda que esta categoria ainda não interfira significativamente nas vendas de produtos cárneos – segundo relatório de novembro do CoBank.

“Daqui a dez anos, haverá um consume maior de proteínas extraídas de vegetais, mas o bife continuará a reinar”, prevê o fundador da Epic Burger, David Friedman. “As pessoas sempre querem um pouco mais de carne em suas dietas, mas também exigem cada vez mais qualidade e transparência nas informações sobre a comida que vão ingerir”.

Siga o Agronegócio Gazeta do Povo

8 RECOMENDAÇÕES PARA VOCÊ

VOLTAR AO TOPO

NOTÍCIAS POR CULTURA