Blog André Pugliesi
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Na Libertadores, pra variar, cartolagem ganhou, torcedor comum perdeu

Arquivo Gazeta do Povo
Arquivo Gazeta do Povo

A transferência da final da Libertadores da Argentina para a Espanha representou, só para variar, o triunfo da cartolagem combinado ao fracasso do torcedor comum. Em virtude dos incidentes antes do duelo no Monumental de Nuñez, a decisão entre River e Boca será no Santiago Bernabéu, em Madrid.

Por causa de um grupo de torcedores violentos, e da incompetência generalizada do poder público, mais de 60 mil torcedores millonarios foram excluídos do jogo mais importante da história do clube. Considerando, naturalmente, apenas a capacidade do estádio.

Sem ter atirado nenhuma pedra, sem ter rompido nenhuma barreira, sem ter provocado incidente algum, sem qualquer comportamento inadequado. E quem quiser assistir ao jogo que compre passagem para um bate e volta até a casa do Real Madrid no próximo final de semana.

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Na vitória do River contra o Gimnasia, no domingo (2), por 3 a 1, pela Superliga Argentina, os torcedores se posicionaram, aos gritos, contra Los Borrachos del Tablón. A organizada do clube é acusada de participação direta na confusão que manchou o superclássico.

Marcelo Gallardo, técnico da equipe, também reclamou: “Roubaram o torcedor do River. Hoje fomos nós, mas amanhã podem ser outros. Tínhamos que jogar no Monumental, nas mesmas condições que o Boca. Roubaram do torcedor uma oportunidade única”.

E apesar do mastodôntico vexame mundial, engana-se quem pensa que a Conmebol saiu perdendo. Ao contrário, pôde levar a final da Libertadores, já programada para campo neutro em 2019, para ser disputada na Europa, certamente bem costurada com parceiros comerciais.

Normal, nenhuma novidade. O torcedor comum é quem costuma pagar pelo péssimo comportamento das facções, geralmente intimamente ligadas aos cartolas, e pela inépcia clamorosa das forças de segurança. Todos sabem como as coisas funcionam, e ninguém consegue contê-las.

E a julgar pela decisão tomada, fica claro que mais nenhum clássico pode ser disputado em Buenos Aires, sob o risco de algum incidente. Sim, a transferência é o maior atestado de incompetência da história do futebol mundial. Assinado, claro, com gosto pela Conmebol.

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