Blog André Pugliesi

Não gostou da nova identidade do Athletico? Fique quieto, não reclame

Albari Rosa/Gazeta do Povo
Albari Rosa/Gazeta do Povo

São sintomas dos novos tempos. Não está gostando? Não atrapalhe. Há alguma insatisfação? Já passou o tempo de protestar. Preferia de outro jeito? Problema é seu, já está definido. Tem opinião diversa? Guarde para você que é melhor para todo mundo.

Já estamos em outra era. A estação do refluxo de opinião, do debate com os bots, uma ultra ressaca após o período de “arena livre” para manifestação nas redes sociais. O lance agora é reprimir, sufocar, constranger. Melhor ficar quieto, ok? O fenômeno está em curso.

Assim, torcedores do Athletico insatisfeitos com o rebranding de identidade já estão sendo convidados a silenciar. Há síndicos rubro-negros espalhados pela web, pedindo que, por favor, é hora de baixar o volume. Já estamos em 2019, certo? Essa discussão é tão 2018 e melhor não “tumultuar”.

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Não passa de uma tolice. Misto de desconhecimento histórico e baixa autoestima. Ora, protestar, exprimir sua indignação, é direito básico e toda aquela conversa que, eu sei, para alguns não tem a menor importância. Desde que, lógico, a censura seja na boca dos outros.

O que se percebe facilmente ainda é que há muita gente que prefere terceirizar o próprio posicionamento. Se determinada pessoa escolheu, só pode ser o melhor. E pensar sozinho dá muito trabalho, até porque, quem sou eu para avaliar qualquer coisa?

No caso do Furacão, para usar um termo da moda, trata-se do efeito de “normalização” de uma ideia, ou fato, que ronda o clube há anos: Mario Celso Petraglia é o proprietário do Rubro-Negro e, se o cartola decidiu, está decidido. Sem contestações.

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Foi desse jeito o processo para as mudanças que viraram de ponta cabeça a história de uma agremiação na trilha para o centenário. Via planilhas do Google, pouco mais de 1.388 sócios opinaram sobre possíveis alterações. Bastou. Consulta popular? Melhor não, né.

E sem saber sequer que o clube é de sua torcida, fica evidente também que boa parte dos atleticanos desconhece o mínimo da história do Furacão. Se foi construída a Arena da Baixada, e se está em pé uma estádio de Copa, um grupo pequeno de reclamões teve participação decisiva.

Com o então Atlético fadado a um exílio secular no Pinheirão, alguns torcedores insatisfeitos com o público minguante, com o suporte dos Fanáticos, passaram a acossar o presidente José Carlos Farinhaki. Todo jogo, o mesmo grito: “Baixada! Baixada! Baixada!”.

Foi o início de uma campanha, com adesivos, camisas etc, que devolveu o Atlético para o denominado Caldeirão do Diabo, a partir de 1994. De lá, o Furacão nunca mais saiu, provou-se o erro que foi abandonar o Água Verde e o acerto de ter tomado o caminho de volta.

Insatisfação que é motor de diversas torcidas. Na Argentina, os adeptos do San Lorenzo jamais se conformaram com a saída de Boedo e juram que logo voltam para o antigo lar. Na Colômbia, o América de Cali já repensa a mudança no escudo, que alijou o diabo, tamanha a rejeição da torcida.

São dezenas de exemplos. E não se trata de tentar prevalecer uma posição especial na força, no grito. É legítimo, no caso do Athletico, que torcedores apoiem as mudanças patrocinadas pelo clube. Da mesma forma, é preciso garantir o direito daqueles que não gostaram. O choro é livre.

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