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Colapso do Esporte Interativo joga clubes na mão da Globo no Brasileirão

Colapso do Esporte Interativo joga clubes na mão da Globo no Brasileirão
Colapso do Esporte Interativo joga clubes na mão da Globo no Brasileirão

O fim do Esporte Interativo provocou uma rearrumação no cenário dos direitos de transmissão de futebol no Brasil. O EI surgiu como um possível rival da Globo na disputa pelas transmissões esportivas. E, em pouquíssimo tempo, já viu sua cotação despencar.

Assim, a Globo volta a dar as cartas. Como sempre foi, praticamente. A emissora foi a primeira a adquirir direitos de transmissão do campeonato nacional, da Copa União de 1987, via Clube dos 13, por US$ 3 milhões. E, desde então, o EI apareceu como primeiro concorrente de peso.

Rivalidade que, rapidamente, virou fumaça. O Esporte Interativo seguirá com parte de sua programação reproduzida pelos canais TNT e Space na TV fechada. Entretanto, o futuro das operações da marca é absolutamente incerto.

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Basta considerar que os sete clubes da elite nacional que assinaram com o EI estudam processar o agora extinto canal. Já havia uma insegurança na relação entre as partes, motivada por causa de benefícios cedidos ao Palmeiras. Incerteza que, agora, virou temor.

Falta de confiança quanto aos negócios que acabou revelada até pelo presidente da Turner Internacional, dona do EI: “Nós não sabíamos o que estávamos comprando”, comentou Gerard Viller, ao colunista Flávio Ricco, do UOL, sobre a aquisição do Esporte Interativo.

Aparentemente, a Turner só foi ver depois da compra o tamanho da “fatura” do EI. Apenas em direitos de transmissão para TV fechada do Brasileirão, o canal gastou mais de R$ 600 milhões com Atlético-PR, Santos, Internacional, Paraná, Bahia e Ceará, além do Palmeiras (só os sete da elite).

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Situação complexa que já se descortinava recentemente, por causa da fusão, em território brasileiro, de duas gigantes americanas de telecomunicações: a Time Warner, dona da Turner (que, por sua vez, possuía o EI), e a AT&T, proprietária da SKY.

A legislação brasileira (Lei 12.485/2011) não permite que uma operadora (no caso, a SKY) controle o conteúdo que exibe (também na questão, o Esporte Interativo). Assim sendo, o EI se tornou um entrave para a aprovação da fusão.

Evidentemente, também pesaram questões financeiras para o debacle do EI. Especialmente, a crise que fez os direitos de transmissão esportivos terem baixa receptividade pelo mercado publicitário e, ainda, o alto custo de operação no canal.

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Crônica de um fracasso que, entretanto, não foi em vão. Coincidiu ao surgimento do Esporte Interativo, e a forte investida financeira do canal em direitos de transmissão, uma reformulação por parte da Globo na distribuição das cotas de TV aos clubes.

Marcada historicamente pelo desequilíbrio, com determinados clubes recebendo até cinco vezes mais do que seus concorrentes, a diferença foi amenizada para os contratos de TV aberta a partir da temporada 2019. Foi adotado o modelo da Premier League, a primeira divisão inglesa.

Do total de dinheiro aplicado pela empresa para veicular as partidas dos clubes que contratou, 40% será dividido igualitariamente entre os clubes participantes da elite. 30% será repassado segundo o posicionamento na disputa anterior. Por fim, 30% de acordo com o número de transmissões.

E a promessa é de que o balanço se torne cada vez mais equilibrado. Há, também, o surgimento de novos ativos, como as vendas dos direitos de transmissão para internet (com a concorrência das gigantes do setor, como Google e Facebook), para aplicativos de celular, além de novos acertos para pay-per-view.

O mercado de direitos de transmissão, considerando o apelo das modalidades, e o surgimento de novas tecnologias, vive em transformação. Qualquer previsão é arriscada. Mas, está claro, com os últimos dias, que enquanto o Esporte Interativo sai de cena, a Globo recupera o papel de protagonista absoluta.

Resta aguardar como se darão as novas composições daqui para frente. Os clubes que optaram pelo Esporte Interativo aguardam para resolver o futuro dos contratos assinados de 2019-2024, também assinados nos moldes da liga da Inglaterra. E, então, as negociações podem ser reabertas.

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