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Já chega de VAR no Brasil. É hora de interromper e reformular a arbitragem

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A final da Copa do Brasil, vencida pelo Cruzeiro diante do Corinthians, por 2 a 1, deveria representar o encerramento do VAR no Brasil. No jogo mais importante do futebol brasileiro na temporada 2019, o árbitro de vídeo foi um desastre absoluto.

Antes de tratar dos dois erros, crassos, vale reforçar o contexto. Nenhum outro jogo em território nacional tem tanto peso quanto o segundo duelo do mata-mata. São 90 minutos que valem uma taça e a premiação de mais de R$ 50 milhões. O Brasileirão não tem isso.

Diante de tal magnitude, é de se imaginar que a Comissão de Arbitragem da CBF tenha destacado seus melhores quadros para dirigir o confronto. E o carioca Wagner do Nascimento Magalhães, em tese dos mais preparados, acabou sorteado pela entidade.

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Nada disso, entretanto, foi capaz de evitar uma catástrofe. Em dois lances capitais, Nascimento conseguiu errar. Mas peraí, não foi aquele equívoco raiz, aquele vacilo pé descalço, matreiro, aquele defeito árbitro todo de preto e com bigode.

Foi uma cagada, desculpe o termo, atual, moderna, de alta tecnologia. Em ritmo de Big Brother, sob o signo de George Orwell e o olhar implacável de 16 câmeras ao redor do campo do Mineirão, o árbitro conseguiu errar redondamente. Mesmo assistindo ao lance no monitor! Constrangedor.

É, sem dúvida alguma, daqueles momentos definitivos. Um marco que, evidentemente, deveria servir de aprendizado. E que, claro, mais obviamente ainda, de nada adiantará. Basta dizer que Manoel Serapião, idealizador do VAR no Brasil, afirmou que o árbitro não errou em entrevista à Folha.

É até compreensível a passada de pano. Primeiro, porque se trata do idealizador da traquitana no país. E, depois, porque o problema é gravíssimo, quase incontornável. O fato é que o nível da arbitragem no Brasil é horroroso. Logo, não há recurso tecnológico que dê jeito.

Ontem mesmo os lances não requeriam qualquer intervenção do árbitro de vídeo. Claramente não foi pênalti em Ralf, claramente não foi falta em Dedé. Mesmo assim, Nascimento conseguiu se enrolar com o auxílio da câmera lenta e de um árbitro na cabine, Wilton Pereira Sampaio.

No pênalti, Ralf surpreende Thiago Neves pelas costas e já se projeta antes do toque, de leve, do cruzeirense. Uma simulação patética. Depois, Jadson apenas encosta em Dedé, após o zagueiro cortar a bola que foi parar na rede no tirambaço de Pedrinho. Outro teatro canhestro.

Mas aí, além da ruindade, entra em cena outra lei ancestral da arbitragem: a compensação. Após estragar a final com a anotação do pênalti, certamente alguém soprou no ouvido que o lance fora bem duvidoso. E aí, para “equilibrar” as coisas, veio a anulação do gol mosqueteiro.

De certo que a utilização do VAR não está funcionando no Brasil. E, aparentemente, não vai funcionar. Requer muito mais recursos, fundamentalmente humanos, além dos tecnológicos, do que o país é capaz de oferecer a curto prazo.

Nada mais natural. Como se sabe, o árbitro de vídeo foi estudado e testado por mais de ano em algumas ligas europeias. Já a Conmebol e a CBF acreditaram que duas semanas seriam suficientes para implementar a novidade que funcionou, com ressalvas, na Copa do Mundo de Rússia.

E o que era para expirar com as polêmicas, só aumentou a controvérsia. Desnudou ainda mais a incompetência geral e está atrapalhando os jogos. É hora de interromper, reavaliar e, se for o caso, daqui a alguns anos voltar a pensar no VAR. Enquanto isso, chega.

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