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Futebol é verdadeiro oásis de igualdade e diversidade racial

Albari Rosa/Gazeta do Povo
Albari Rosa/Gazeta do Povo

“Todo brasileiro é mestiço. Se não no sangue, nas ideias.” A observação é do escritor Silvio Romero, e foi feita há mais de um século.

Em tempos de exacerbadas discussões eleitorais, líderes políticos presos e, sobretudo, pela gravíssima crise político-econômica que se abate sobre o país, passando por discriminações raciais, sociais e de gênero, o futebol surge como verdadeiro oásis de igualdade.

A diversidade racial encanta o futebol desde os seus primórdios.

Claro que houve uma etapa inicial, durante a qual só jogadores da raça branca praticavam o rude esporte bretão nos campos e nas praias do Rio de Janeiro.

Mas logo o Vasco da Gama colocou as coisas nos seus devidos lugares, escalou os primeiros negros para jogar e a bola começou a rolar para todos.

Mas, lembrando o polêmico Silvio Romero, de fato, o material de que se alimenta a vida espiritual de todos os brasileiros provém de fontes étnicas muito diversas e muito misturadas.

Tradições culturais europeias se cruzam com raízes africanas e matrizes indígenas, antes de receberem influências asiáticas, especialmente através da imigração japonesa.

A riqueza e a universalidade de uma cultura nacional dependem de muitos fatores. E se sujeita, decisivamente, de sua capacidade de saber assimilar a diversidade das experiências humanas que lhe chegam, através dos mais distintos caminhos.

Na nossa História, contudo, essa incorporação da diversidade ficou muito prejudicada. A política cultural imposta pelos “de cima” acarretou uma verdadeira devastação nas expressões culturais dos “de baixo”.

O colonizador massacrou o colonizado. E esse fenômeno verificou-se na invasão dos conquistadores europeus nos três continentes americanos.

As razões dos brancos foram levadas aos índios e aos negros menos através da persuasão do que por meio da força e das armas de fogo.

A extraordinária riqueza das culturas indígenas, que vinham se sedimentando e amadurecendo ao longo de muitos séculos, foi dizimada.

A eles foi imposta uma nova cultura, uma nova religião, um novo idioma e todas as experiências humanas acumuladas foram desprezadas pelos novos donos da terra.

Na política cultural adotada em relação aos escravos trazidos da África, a repressão não foi menos violenta.

Os negros só conseguiram sobreviver pagando um preço elevadíssimo em sofrimento e resistências multiformes.

A intolerância etnocêntrica dos brancos, detentores do poder e da riqueza, mutilou e empurrou os dominados para uma dolorosa realidade de vida.

Com o passar do tempo e, sobretudo, através das transformações produzidas pela chamada Revolução Industrial, na metade do século 19, as coisas foram mudando a favor dos menos assistidos.

Com a chegada das máquinas e a valorização da mão-de-obra no trabalho, os governantes foram forçados a libertar os escravos e a respeitar um pouco mais os indígenas.

Eles, por sua vez, desassistidos em todos os aspectos, conseguiram sobreviver pela bravura e a fé.

Aos poucos foram encontrando novos e árduos caminhos, com talento improvisador e criatividade.

O esporte acabou se transformando, em última análise, em terreno fértil para os descendentes negros.

O futebol, em particular, abriu as portas para seguidas gerações de jogadores, craques e ídolos imortais.

O futebol brasileiro tornou-se um celeiro natural de jovens habilidosos, competitivos e altamente profissionais até os dias de hoje. A maioria conseguiu realizar a sua independência financeira e ajudou a estabelecer uma nova categoria na hierarquia das profissões bem sucedidas e mais rentáveis.

Brancos, negros e mestiços juntos, em condições de igualdade, transformaram o futebol brasileiro em potencia mundial.

Ajudaram, na estruturação dessa empreitada, as condições físicas dos atletas e o talento improvisador. Elas foram complementadas pelas qualidades de racionalização, disciplina intelectual, rigor, disciplina e capacidade organizativa.

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