O coração de Mick Jagger e o futuro dos Rolling Stones

Foto: Divulgação/Rolling Stones
Foto: Divulgação/Rolling Stones

 Cirurgia cardíaca do astro adia turnê  “No Filter” dos Rolling Stones pelos Estados Unidos e Canadá

Mick Jagger em 1965, quando os Rolling Stones ganhava o mundo. Foto: Divulgação/Mick Jagger

“Não importa como eu tente

Eu apenas não consigo fazê-la chorar

Mas ela nunca vai quebrar, nunca quebrará

Esse coração de pedra

Oh, não, não, não, esse coração de pedra”.

A canção ‘Heart of Stone’ (Coração de Pedra) foi um dos sucessos do álbum The Rolling Stones, Now, de 1965, quando a banda liderada por Mick Jagger despontava para o mundo. O mesmo disco trouxe outra faixa de sucesso, ´Pain in My Heart´, com versos como

“Dor no meu coração

Ela está me matando, baby

Essa dor no meu coração

Oh, oh, oh, oh

Dor no meu coração

Esta dor no meu coração”.

Durante mais de cinco décadas desde a formação dos Rolling Stones, Mick Jagger parecia ter um coração infalível. Símbolo de contracultura, rebeldia e juventude, o vocalista chegou à velhice como um garoto, em grande forma, com apresentações frenéticas. No palco, o que sempre se viu foi um astro eletrizante.

Próximo a completar 76 anos – ele faz aniversário em 26 de junho –, Mick Jagger era esperado com ansiedade por fãs dos Estados Unidos e Canadá, na turnê “No Filter” programa pelos Rolling Stones. Mas o coração de aço do astro falhou. Por meio das redes sociais, a banda anunciou o adiamento da turnê ‘No Filter’. Foi um baque para seguidores no mundo inteiro.

“Sinto muito a todos os nossos fãs na América e Canadá. Eu realmente odeio deixar vocês assim. Estou devastado por ter que adiar a turnê mas vou estar trabalhando muito duro para voltar ao palco assim que puder. Mais uma vez, enormes desculpas a todos”, escreveu Jagger no dia 30 de março em sua página no Facebook, mensagem essa replicada no mesmo dia no Twitter.

Nos dias seguintes à publicação muito se falou e houve até quem questionasse a possibilidade do fim dos Rolling Stones como a banda é formada hoje. A espera foi longa. Mas no último dia 5 o ritmo rock’n’roll voltou a pulsar. “Obrigado a todos pelas mensagens de apoio, estou me sentindo muito melhor agora e me recuperando”, publicou o astro nas redes sociais ao agradecer o pessoal do hospital onde fez a cirurgia.

Mick Jagger passou por uma cirurgia de reparo de válvula cardíaca em Nova York. Em entrevista ao ‘The Sun’ o irmão do vocalista, Chris, disse que a necessidade de cirurgia foi apontada em um simples exame de rotina. O mesmo problema cardíaco matou Joe Strummer, vocalista do The Clash, em 2002.

“Aconteceu com o Joe. Ele voltou de uma caminhada com os cães e sua esposa o encontrou desmaiado no sofá. Ele tinha esse problema na válvula. Quando você chega aos 70, tem que ter cuidado”, declarou Chris ao dizer a partir de agora seria melhor que Mick Jagger diminuísse o ritmo.

A turnê ‘No Filter’ começou na Europa em setembro de 2017 e encerrou a fase europeia em dezembro do ano passado. Os 17 concertos nos EUA e Canadá seriam realizados entre os meses de abril e junho. O primeiro show seria no estádio Hard Rock de Miami, na Flórida, em 20 de abril.

Com oito filhos, cinco netos e uma bisneta, Mick Jagger resume uma história de superação para chegar à velhice com pose de menino. Afinal, os Rolling Stones foram por muito tempo estigmatizados pelos excessos. Na juventude, os guitarristas Ronnie Wood e Keith Richards chegaram a fazer uma maratona de bebidas e drogas que durou 48 horas. O episódio foi revelado em 1981 por Nick Cowan, empresário de Wood por 22 anos.

Jagger diz que há mais de 20 anos deixou para trás o álcool, as drogas e as farras. A reviravolta pode servir de alento para aqueles que levaram uma vida desregrada, com poucos cuidados, e que na curva da idade pensa em se recuperar dos tempos de loucura.

Embora Mick admita que “não está ficando fácil à medida que envelhece”, ele faz exercícios cinco ou seis vezes por semana para manter a forma. Ioga, pilates, balé, natação, kickboxing e corridas de até 12 quilômetros por dia fazem parte do seu roteiro. Todo esse esforço é acompanhado pelo treinador norueguês Torje Eike, com quem trabalha há mais de 20 anos.

Não é para menos. Em um único show, calcula-se que o elétrico Mick Jagger circula pelo palco o equivalente a correr 10 quilômetros. Antes dos shows tem o hábito comer um pouco de massas, proteínas (peixe e frango) e beber smoothies. Tudo para manter sua famosa cintura e seus ‘quadris de cobra’.

A maratona não é para fracos do coração. Mick passa regularmente por exames médicos, o que permitiu a identificação antecipada do problema no coração. Em entrevista à ‘Q Magazine’, Jagger comentou sua rotina para conseguir resistência e disposição.

“Eu treino cinco ou seis dias por semana, mas não enlouqueço. Eu alterno entre o trabalho no ginásio e a dança, depois faço corrida, ciclismo, coisas assim. Estou treinando para a resistência.”

As mudanças no estilo de vida do astro têm se acentuado conforme a idade avança. Quando nasceu seu filho Devenaux, há menos de dois anos, o jornal ‘The Sun’ publicou que ele tinha até mesmo intensificado seu modo de cuidar da sua saúde com o objetivo de ver seu recém-nascido crescer. “Ele está totalmente comprometido em criar o filho”, publicou o tabloide britânico.

A virada de Jagger influencia no comportamento da banda como um todo. No ano passado, quando o grupo estava se preparando para o giro europeu de ‘No Filter’, o gerente de produção da turnê, Dale Skjerseth disse que “não haveria álcool, nem antes nem durante nem sequer depois do show, para nenhum dos integrantes do grupo. Nem uma gota. Skjerseth trabalhou com bandas como Guns n ‘Roses e AC/DC.

Lucas Jagger, filho de Mick Jagger com a brasileira Luciana Gimenez, esteve no Lollapalooza no domingo (7), em São Paulo, e falou sobre a saúde do pai. Lucas contou que esteve com o cantor após a realização da cirurgia no coração e que seu pai “está bem”.

Aquele grupo que nos anos de 1960 enlouquecia os mais velhos e foram rotulados de garotos maus, hoje não são mais garotos. Também deixaram de ser maus e passaram a dar exemplos. Se tudo correr como previsto, em breve Mick Jagger estará elétrico novamente pelos palcos mundo afora.

Paul McCartney durante show no Estádio Couro Pereira, em Curitiba. Foto: Jonathan Campos/Arquivo Gazeta do Povo

Outros astros setentões resistem

Muitos nomes da geração de grandes astros pops internacionais continuam nos palcos. Paul McCartney, que está com 76 anos – praticamente a mesma idade de Mick Jagger –, acabou de passar pelo Brasil, arrastando multidões em seus shows. Em Curitiba foram quase três horas diante de uma plateia alucinada.

A lista inclui Iggy Pop, hoje com 71 anos, Ozzy Osbourne (70) e Alice Cooper (71), entre outros. Em fevereiro deste ano, Osbourne teve de ser internado, após um disgnóstico de bronquite. Assim como ocorreu com Mick Jagger, o ‘príncipe das trevas’ foi obrigado a adiar sua turnê ‘No More Tours 2’, que iria passar pela Europa e contava com a participação da banda Judas Priest.

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