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Educação 3.0 – A Escola do Futuro Chegou?

Maior evento de educação da América Latina debate a interface entre as redes sociais, escola e família

No final de maio, mais de 12 mil pessoas estiveram na 20ª edição da Educar/Educador, realizada em São Paulo. O evento, que reúne feira de produtos e serviços educacionais e congresso, é considerado o maior do segmento da América Latina.

A programação contou com 150 palestrantes do Brasil e do exterior, que apresentaram diversos pontos de vista dentro do tema norteador, “Educação 3.0 – A Escola do Futuro Chegou?”. Além disso, os participantes puderam conhecer as novidades e tendências apresentadas pelas mais de 200 empresas expositoras, nacionais e internacionais.

A super mesa de debates “Como é possível estabelecer uma interface criativa e construtiva entre a escola, família e as redes sociais?” foi uma das atividades que mais chamou a atenção na grade temática. Para debater o assunto, a mesa contou com a presença de Isadora Faber (autora da Fan page Diário de Classe, Marcos Meier, Thiago Chaer, João Carlos Pastore, Mel Faber, Isabel Parolin e Antônio Simão Neto (como mediador)

Andreia Naomi
A mesa contou com a presença de Isadora Faber (autora da Fan page Diário de Classe, Marcos Meier, Thiago Chaer, João Carlos Pastore, Mel Faber, Isabel Parolin e Antônio Simão Neto.

. A diretora da escola SESI em Nova Friburgo (RJ), Simone Mertz Ghizi, saiu entusiasmada. Ela escolheu assistir a essa mesa justamente pelo fato de sua instituição apostar na inclusão digital e utilizar, com foco pedagógico, as redes sociais. Mas ressaltou que a educação brasileira ainda precisa investir na conscientização quanto ao seu uso. “As redes sociais atuam como ferramenta não apenas de aprendizagem, mas de compartilhamento, de experiências, de conhecimento e de aproximação entre família e escola. Temos uma Fan page, onde os alunos compartilham e têm acesso a fotos, atividades escolares, vídeos e textos sobre assuntos como drogas, violência, bullying, etc”.

Veja o ponto de vista de alguns dos presentes na mesa sobre o uso das redes sociais no ambiente escolar:

Isadora Faber defendeu que a escola precisa estar envolvida com as tecnologias, pois as mídias digitais fazem parte da vida dos alunos. “Na minha escola 99% dos alunos estão conectados”. A estudante ainda diz que a escola está deixando de ser instigante aos alunos porque as aulas são muito normais, sempre iguais. “Acho que a aula fica mais interessante quando o professor propõe coisas diferentes, novos desafios”.

Para o paranaense Marcos Meier, mestre em Educação pela UFPR, muitas escolas estão com medo de usar as mídias sociais. “É preciso usar a tecnologia a favor da aprendizagem e para aprofundar o conhecimento. Sabemos que muitos problemas vão começar a aparecer, mas ainda não temos orientação, porque é tudo muito novo. Estamos em uma fase de transição, daquilo que tinha e que não serve mais, e o que vamos ter, que ainda não temos e nem sabemos como vai ser. Uma fase de transição gera insegurança, mas temos que seguir em frente”.

De acordo com Cristina Sleiman, advogada, pedagoga e mestre em Sistemas Eletrônicos pela Escola Politécnica da USP, o debate foi interdisciplinar e deixou evidente a necessidade da formação continuada dos professores para tratar o assunto, sobretudo com relação aos aspectos jurídicos. “Há pouca preocupação com os incidentes ocorridos nas redes sociais. Precisamos trabalhar também a ética e a cidadania digital, dentro e fora da escola. Abordar com os alunos, especialmente os adolescentes, o que pode ou não fazer nas redes sociais é fundamental. Mas tudo isso de forma prática e didática, com exemplos de casos reais, e não trazendo códigos e leis”. Ela ainda sugere que as escolas insiram um projeto de ética e cidadania digital.

Para Tiago Chaer, presidente e coordenador de inovação e pesquisa do Instituto Inovar para Educar, é necessário ter cuidado para não colocar a tecnologia à frente de tudo. “As redes sociais é um espaço público, que tem normas, regras e, por isso, é importante dar relevância, sim, à cidadania digital, para pensar nas pessoas e não apenas em ferramentas”. Para ele, as crianças, chamadas muitas vezes de nativos digitais, são, ainda, apenas nativos e não experientes digitais. Por isso, os educadores precisam orientar os alunos, levantando questões como: por que usar as redes sociais, como utilizá-las e despertar o senso crítico?

Já a psicopedagoga Isabel Parolin afirmou que vivemos em um mundo de complexidade, principalmente devido à tecnologia. “A forma de pensar, a lógica do raciocínio, é muito diferente entre os adultos (pais e professores) e as crianças ou adolescentes (filhos e alunos). Nós, adultos, ainda somos muito analógicos, enquanto os mais novos são digitais. No mundo analógico, precisamos de começo, meio e fim. Já no mundo digital, essas etapas se misturam. É preciso mergulhar nessa reflexão e entender a complexidade do mapa mental”. Para ela, se adaptar é preciso.

Mais informações sobre o evento, acesse www.futuroeventos.com.br/educar.

>> Patrícia Melo é jornalista desde 2001 e há oito anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação. Hoje, também é empreendedora, com a Presença – Comunicação Educacional, que tem como objetivo a produção de textos, entrevistas, reportagens e projetos comunicacionais direcionados especialmente ao universo educacional. Dessa forma, contribui para um diálogo mais consistente e criativo entre a Escola e a Família.

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