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Educação para a cidadania: quando inserir na formação de crianças e jovens contextos sociopolíticos e econômicos

O atual contexto brasileiro e global, com fortes tensões de natureza econômica, social, política, étnica e cultural, nos leva a refletir sobre a formação de jovens e crianças para a cidadania. Qual o momento mais adequado para inserir temas sociopolíticos e econômicos no cotidiano de nossos alunos? De que forma conversar com eles e explicar o que está acontecendo na sociedade, assim como os impactos desses eventos no seu dia a dia e de sua família? E, ainda: por que e quando é importante que os pais permitam e estimulem que os filhos compreendam, em convergência com seu momento e faixa etária, o seu entorno?

Essas são questões relevantes que vêm à tona quando refletimos sobre a educação para a cidadania, um compromisso que deve ser tanto das escolas quanto da família, em casa. Em relação ao momento ideal para inserção destas questões no cotidiano, o ideal é que todas as etapas da educação sejam contextualizadas, muito embora a faixa etária exija sempre a adequação de linguagens e objetivos. Uma maior consciência do momento sociopolítico e econômico no qual o aluno se encontra vem inclusive de sua casa, do ambiente familiar em que ele vive, considerando as experiências individuais dos jovens.

A forma e o grau de abordagem mudam de acordo com a faixa etária e de aprendizado. Crianças menores precisam do concreto, do observável. Adolescentes, por sua vez, lidam melhor com abstrações conceituais e, assim, conseguem estabelecer relação entre diferentes situações.

Na Educação Infantil, por exemplo, é possível sensibilizar a criança às diferenças que ela identifica à sua volta. Assim as crianças poderão perceber desde cedo que a sociedade é composta por muitas experiências distintas.

Já no Ensino Médio, o aluno consegue desenvolver melhor o pensamento crítico a respeito de tais diferenças. Ele já demonstra nessa fase capacidade para propor alternativas e soluções a certos problemas sociais. Com este processo, com o tempo, este jovem vai perceber que pode efetivamente modificar e melhorar a realidade em que está inserido. A observação do entorno é sempre muito rica e, com o passar do tempo, esta observação se transforma em reflexão e, quem sabe, em intervenção.

Uma forma eficaz de conversar com os alunos e explicar a eles o que está acontecendo na sociedade é usar exemplos do cotidiano. Esta tende a ser uma abordagem interessante.

Imagens, vídeos, reportagens e até mesmo depoimentos dos colegas ajudam a trazer para perto situações que parecem estar sempre restritas aos outros.

O envolvimento e a participação da família na formação da criança e do jovem para a cidadania e as questões da sociedade também são aspectos muito importantes. Assim como é interessante fazer os alunos pesquisarem e relatarem seus achados, é muito importante orientá-los a interpelar seus pais e outros adultos com os quais convivem.

Dessa maneira, levando para casa o que aprendem na escola e trazendo à escola a realidade de casa, podemos fazer um trabalho de ensino-aprendizagem mais articulado.

É importante assim que os pais e familiares permitam e estimulem que os filhos compreendam, em convergência com seu momento e faixa etária, o seu entorno. De fato, crianças são mais atentas ao que ocorre à sua volta do que se costuma pensar. É natural que pais queiram proteger e preservar seus filhos de uma realidade dura, porém, vale valorizar a capacidade da criança em compreender seu entorno e agir com e sobre ele.

Sendo este um ano de eleições das mais decisivas, na história do país, para os rumos que serão tomados no futuro, este se apresenta como um momento oportuno para que crianças e jovens percebam o quanto é importante ter informações e agir de forma consciente. Apesar de descrença atual nos sujeitos que ocupam posições de governo, é fundamental que não se perca o sentido de cidadania atrelado ao exercício do voto.

Por mais que a divulgação de casos de corrupção entre autoridades provoque pessimismo na sociedade como um todo, a estrutura democrática que pauta o regime eleitoral é uma conquista a ser celebrada e posta em prática. Cabe à juventude atuar não só para manter a herança democrática como também para articular as mudanças necessárias que acompanham os novos contextos.

*Artigo escrito por Martha Helena Loeblein Becker Morales, professora e pesquisadora de História do Sion Curitiba. O Colégio Sion colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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