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Um olhar sobre o surdo: clínico ou social?

simulação em Libras (Língua brasileira de sinais).
FOTO: Jonathan Campos/Gazeta do Povo
simulação em Libras (Língua brasileira de sinais). FOTO: Jonathan Campos/Gazeta do Povo
simulação em Libras (Língua brasileira de sinais). FOTO: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Simulação em Libras (Língua Brasileira de Sinais).
FOTO: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Surdo? Deficiente auditivo? Surdo-mudo? Portador de deficiência auditiva? Qual termo devo usar? Para quem não conhece, o uso da palavra surdo parece ser o mais preconceituoso, enquanto que o termo deficiente auditivo o mais politicamente correto.

A grande maioria acredita que o surdo não fala porque não ouve, porém isto é crença. Sempre pensamos na fala com o sentido de produção do som. Os surdos podem, se assim quiserem, produzir fala inteligível, basta estarem com seu aparato vocal intacto e passar por treinamento com profissionais fonoaudiólogos. Portanto, ser surdo não significa também ser mudo.

Como eu vejo uma pessoa com deficiência? Qual é meu conceito sobre ela? Dependendo do meu olhar, vou tratá-la como um doente ou como um ser social. A surdez pode ser vista como deficiência – o que gera um olhar “clínico-terapêutico”; ou como uma diferença – representada pelo modelo “sócioantropológico”. E essas diferentes visões e formas de representar a surdez deixaram – e ainda deixam – marcas na educação e na vida dos surdos.

 

20140220 - Patrícia Schelp

 

 

 

 

 

 

 

Segundo o Decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005, em seu artigo 2º:

 Considera-se pessoa surda àquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras.

Atente-se para o seguinte: o surdo possui perda auditiva, mas somente isso não o define enquanto sujeito. O mais importante a ser considerado é que a pessoa surda é “aquela que compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais”. Isto significa dizer que sua relação com o mundo se dá de forma visual e sinalizada.

Quando a surdez é vista como uma diferença, na qual os sujeitos surdos fazem parte de uma comunidade linguística e culturalmente diferente, entendemos a surdez por uma visão “sócioantropológica”, ou seja, que possui identidade, um ser social.

Qual o olhar que tenho sobre a pessoa com deficiência? Vejo-a como um doente que precisa de cura ou como alguém social, que possui sua identidade e direitos assim como eu?

>> Patrícia Paula Schelp é intérprete de Libras, mestre em Educação. Atualmente, é professora de Libras na Universidade Tuiuti do Paraná

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