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Efeito Borboleta

A complexidade do conhecimento adquirido pela raça humana ao longo de toda a civilização, a profundidade que atingimos em algumas áreas do saber, a interligação entre fenômenos físicos e químicos, para não falar da evolução de nossas noções sobre antropologia e psicologia, o avanço tecnológico, com certeza necessitariam um sistema educacional muito mais eficiente que aquele que possuímos hoje no Brasil.

Transmitir esta soma de saberes numa escola ainda dividida em “disciplinas”, como se cada uma fosse isolada da outra, crendo possível aprender história sem o mínimo conhecimento de onde aconteceu – geografia – porque aconteceu – sociologia – o que havia de condicionantes para o fato – economia e política -, para ficar num pequeno exemplo, mostra o quanto nosso paradigma reducionista é extremamente limitado, não permitindo a real compreensão dos fatos.

Matemática é “vilã” para a maior parte dos estudantes e, se perguntados para que estudá-la, a resposta quase padrão será: para obter sucesso no ENEM, ou no Vestibular, ou em algum concurso público. Isso é parte da verdade, realmente o conhecimento e o manejo de certas regras da disciplina podem fazer a diferença em certames, mas a triste constatação é que esta proficiência geralmente decorre de conceitos decorados e práticas “treinadas”, sem muita noção de onde vêm e para que servem na realidade.

No entanto, esta não é uma questão simples, dado que grande parte dos docentes foi educada neste sistema isolacionista, tornando-se conhecedor de um determinado segmento de um certo assunto, mas tendo dificuldades em abordar de forma mais geral tópicos da própria matéria que leciona.

A compreensão global dos fatos abre novos horizontes, nos torna mais aptos à apreensão, e principalmente à escolha de um melhor cenário para a vida pessoal e também comunitária. O futuro de cada um e, em consequência de toda a comunidade, pode ser escolhido por aqueles capazes de desenvolver o que é chamado de atitude prospectiva, isto é, que procura olhar um pouco mais longe, com preocupação com a comunidade e a sustentabilidade, destacando tendências de médio prazo, isolando fatores determinantes para isso.

O gênero humano sempre se demonstrou capaz de promover alterações em sua realidade, e embora tenha arriscado muito por saber que tudo pode mudar, que as coisas não são estáticas, e o horizonte mais longínquo pode não ser assustador.

A metodologia clássica de estudos científicos considera os chamados “sistemas abertos”, a realidade, dinâmica, complexa, adaptativa e algo imprevisível; porém, para facilitar e simplificar a análise tende a transformá-los em “sistemas fechados”, em que as regras e princípios estabelecidos são mais facilmente aplicáveis. É o que ocorre com os modelos matemáticos ou estatísticos, mesmo os mais sofisticados, que são no limite, lineares, baseados em um número finito de variáveis e tratando todas as demais como estáticas. O “mundo real” não é exatamente como modelado, ainda que modelos bem feitos o reproduzam com razoável e prática fidedignidade.

No início dos anos 1960 foi codificada uma forma de ver o Universo de maneira mais dinâmica, não-linear, e que por contemplar eventos imprevisíveis e suas consequências igualmente imprevisíveis – num sistema aberto e caótico – recebeu o nome de Teoria do Caos. Foi originada pelo meteorologista americano Edward Lorenz que observou a correlação entre fenômenos simples e resultados complexos. Trabalhando com um programa computacional que simulava o movimento de massas de ar, Lorenz modificou a precisão dos cálculos, reduzindo o número de casas decimais dos números dos dados de entrada; contrariamente ao esperado, os resultados foram muito distintos dos iniciais, mostrando um padrão de massas de ar diferente do inicialmente calculado. Daí criou-se a teoria conhecida popularmente como “efeito borboleta”, segundo a qual um evento simples, como o bater de asas de uma borboleta no Nepal, poderia desencadear uma série de consequências, como um furacão no Caribe.

Estes modelos teóricos, mais próximos da realidade, nos alertam para cautela em nossos atos: preservar o mundo para as próximas gerações implica nas atitudes que tomamos hoje, tanto do ponto de vista pessoal quanto organizacional.

Sustentabilidade é sistema aberto, precisamos cuidar que nossa borboleta provoque bons eventos futuros.

*Artigo escrito por Wanda Camargo, representante do UniBrasil no Núcleo de Instituições Educacionais do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial da FIEP. O Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial.

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