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Foto: Rei Fight/Divulgação
Foto: Rei Fight/Divulgação| Foto:

Há dez anos, Denis Simões incorporou ao nome uma de suas profissões.

Formado em contabilidade, o paulista de 44 anos atualmente ganha a vida com a própria empresa de transporte. Nada disso, no entanto, lhe satisfaz tanto quanto remendar lutadores ensanguentados.

Primeiro cutman do Brasil (de acordo com as próprias contas), Denis ‘Cutman’ Simões é pioneiro como “homem do corte”. Desde 2008, ele trabalha em eventos de MMA espalhados pelo país com a missão de fazer bandagens, estancar sangramentos e diminuir hematomas.

Fã de lutas desde a infância, Denis era frequentador assíduo de eventos de luta em academias. Mas uma questão recorrente o incomodava.

“Me chamou a atenção que no Brasil não tinha aquela figura do cutman, como eu sempre via no UFC ou nas lutas de boxe. Aquele cara que ficava cuidando dos lutadores no intervalo, com cotonetes, gelo e bandagem”, lembra.

Simões, então, resolveu pesquisar sobre o assunto — e acabou se apaixonando pela técnica.

“Aprendi sozinho, pela internet. Depois pedi a chance para um amigo [no evento Max Fight] e fui tentar fazer o trabalho igual via no UFC”, emenda o cutman, que usava uma colher dobrada como sua principal ferramenta de trabalho.

A improvisação imitava o enswell, um utensílio de aço inoxidável mantido no gelo que é aplicado diretamente em áreas de inchaço.

Jacob “Stitch” Duran, principal cutman do UFC entre 2001 e 2016, foi a grande inspiração para Denis. Em 2011, quando o Ultimate desembarcou no Brasil, Simões conheceu o ídolo com a ajuda do árbitro Mario Yamasaki.

“Ele [Stitch] me deu muitas dicas, foi praticamente ele quem me ensinou”, conta.

60 segundos

O grosso do trabalho do cutman acontece no minuto de intervalo entre os rounds. É nesse período que ele precisa ajudar o lutador ferido, no caso, a ter condição de permanecer na luta.

Se há um sangramento muito grande e contínuo, por exemplo, o médico pode interromper o duelo.

“Eu fico contando na minha cabeça o tempo que tenho e vou cuidando dos cortes, coloco gaze embebida em adrenalina e faço pressão. Usamos o enswell bem gelado nos hematomas, em baixo dos olhos, faço uma pressãozinha para tentar espalhar e evitar fechar”, explica.

Simões, que é socorrista formado pela Cruz Vermelha, não se espanta mais com situações provavelmente assustadoras para o público geral. Ou seja, estômago forte é fundamental para quem pensa em se aventurar coma profissão.

“Lesão de luta é sempre igual, estou acostumado. É choque de canela, fratura na mão, e aí não tem o que fazer, corte na cabeça, no supercílio. Já estive em muitos eventos em que não tinha médico. Fui eu quem teve de parar a luta. Não vou expor ninguém a uma situação perigosa”, frisa.

Antes da luta, o trabalho do cutman também envolve preparar as bandagens das luvas e passar vaselina no rosto do atleta para que a luva deslize e diminua e incidência de cortes.

Viver como cutman, porém, não está nos planos de Denis. No Brasil, pelo menos. “Não é viável financeiramente. Faço por hobby, para ajudar”, conta o paulista que já rodou o país inteiro remendando lutadores.

“Acho que sou um cara querido, respeitado. Já cuidei de tanta gente… A grande maioria que lutou no cenário nacional já cuidei. Todos vem agradecer quando me encontram”.

Enswell é usado diretamente nas áreas inchadas.

 

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