Lutadora trans domina e vence duelo contra homem no Mr. Cage 34
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Blog Luta Livre
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Veja quem ganhou a polêmica luta de MMA entre mulher trans e homem

Anne quase finalizou com um triângulo no terceiro round. Foto: Winnetou Almeida
Anne quase finalizou com um triângulo no terceiro round. Foto: Winnetou Almeida

A amazonense Anne Veriato entrou para história do MMA na madrugada deste domingo (11).

Com uma vitória por decisão unânime sobre o conterrâneo Raílson Paixão, ela se tornou a primeira mulher trans a enfrentar — e vencer — um homem no esporte. A polêmica luta aconteceu no evento Mr. Cage 34, em uma casa de eventos de Manaus.

“Essa vitória é pra calar a boca de muitos preconceituosos”, comemorou a atleta de 21 anos, faixa-marrom de jiu-jítsu.

Anne Veriato Mr. Cage 34

Anne comemora estreia com vitória no MMA. Foto: Winnetou Almeida.

Mais experiente na luta agarrada, Anne aproveitou a vantagem e dominou o faixa-branca por três rounds, mesmo sem conseguir finalizar. Ao fim do duelo, porém, ela saiu do ringue com o rosto bastante machucado pelos golpes do rival.

O combate, que marcou a estreia de ambos os lutadores nas artes marciais mistas, gerou uma enorme repercussão para o evento. O anúncio da luta, no mês passado, chamou a atenção de toda a comunidade do MMA e virou notícia em diversos países.

Anne se recusa a enfrentar mulheres por se considerar mais forte. Ela compete no jiu-jítsu desde a adolescência, sempre com bons resultados diante de rivais masculinos. A brasileira vai na contramão da americana Fallon Foxprimeira lutadora transgênero a competir no MMA feminino.

O assunto virou polêmica no Brasil, principalmente por causa do caso da jogadora de vôlei transexual Tiffany, que atua contra mulheres na Superliga.

“Chocamos o mundo”, vibrou o promotor do Mr. Cage, Samir Nadaf, que transmitiu tudo ao vivo pelo Facebook.

Entenda

A feminilização de Anne Veriato começou aos 11 anos de idade. Aos 14, a amazonense iniciou um tratamento hormonal, sempre com o apoio da família.

Quatro anos depois, com a intensificação do tratamento, ela passou por uma transformação total e adotou uma nova identidade, mesmo sem ainda ter feito a cirurgia de redesignação sexual.

“Quando voltei à academia as pessoas não me reconheciam. Tive que falar que era tal pessoa”, recorda Anne, que não gosta de citar seu antigo nome.

“Essa parte da minha vida já morreu”, diz a atleta que sonha que fazer carreira na luta e competir no UFC.