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Com investimento de R$ 5 milhões, Curitiba terá primeiro shopping gastronômico

O empresário da construção civil Diogo Bernert, que conta com mais dois sócios investidores para o empreendimento, no local onde o Gastronomiq está sendo construído. Foto. Leticia Akemi/Gazeta do Povo)
O empresário da construção civil Diogo Bernert, que conta com mais dois sócios investidores para o empreendimento, no local onde o Gastronomiq está sendo construído. Foto. Leticia Akemi/Gazeta do Povo)

Carol Nery, especial para a Gazeta do Povo

Curitiba terá seu primeiro shopping gastronômico a partir do segundo semestre de 2019. O Gastronomiq será na região do Ecoville, no terreno onde funciona hoje uma clínica de cirurgia plástica, na Rua Oscar Borges de Macedo Ribas, esquina com a Rua Viriato Parigot de Souza, no bairro Campo Comprido. Com investimento de R$ 5 milhões, o empreendimento terá até 50 lojas e quiosques de alimentação, com destaque para operações inéditas, e deverá gerar 180 empregos diretos e 500 indiretos.

Com um conceito que difere das vilas gastronômicas, tendência que explodiu na capital paranaense no último ano, o Gastronomiq tem alvará de funcionamento de shopping. O empresário da construção civil Diogo Bernert, que conta com mais dois sócios investidores, explica que a única diferença para um centro de compras é que o empreendimento terá operações exclusivamente de gastronomia.

Ele destaca, dentro do modelo de administração, o investimento em um departamento de marketing, que será responsável por todo o trabalho de divulgação, para atrair o público para o espaço. “Os lojistas receberão sempre em janeiro a agenda anual com toda a programação das datas comemorativas, com decoração de natal, entretenimento para as crianças, campanhas de dia dos pais, mães e namorados, como é usual em um calendário de shopping.”

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Em fase de obras, o Gastronomiq terá uma estrutura de 2,5 mil metros quadrados, que está sendo construída sobre um terreno de mais de 12 mil metros quadrados. O projeto compreende um ambiente fechado e climatizado, com capacidade para 550 pessoas sentadas e 600 vagas de estacionamento. O Gastronomiq terá ainda uma área de circulação exclusiva para funcionários, sem acesso do público, e cada loja terá um depósito privativo para estoque, localizado no piso superior da loja.

projeção da fachada do Gastronomiq

Projeção de como ficará a fachada do Gastronomiq.

Dentro das exigências, contará com área de carga e descarga para manobra de caminhões, além de medidores individuais de água, luz e gás e ainda contará com um cálculo de cobrança de condomínio com base na fórmula CRD (Coeficiente de Rateio de Despesas), conforme metragem, localização e uma série de variáveis de cada loja, que evita custos fora do previsto em contrato, explica Bernert. “No caso das vilas gastronômicas, por exemplo, o sistema é de locação de espaço compartilhado [caso tenha lojas vazias, os vizinhos têm de arcar com as despesas] e aí é comum surpresas em relação ao que foi assinado em contrato”, diz.

Aos inquilinos será entregue toda a instalação de exaustão, com máquinas de lavagem de fumaça central, ficando a cargo do lojista apenas equipar com coifa. “É uma preocupação com o consumidor final, que estará dentro de um local fechado. O sistema impede a volta da fumaça para dentro da loja. Além disso, temos muitos prédios residenciais no entorno e isso impede que solte a fumaça com gordura para cima.”

Gastronomiq aposta em operações “inéditas e exclusivas”

O Gastronomiq terá até 50 operações, sendo de 70% a 80% lojas, com áreas entre 11 e 17 metros quadrados (sem considerar o depósito), construídas em estrutura metálica modular, que permite uma variação do tamanho para mais ou para menos, garantindo a adaptação do projeto de cada estabelecimento. Os quiosques, de 10 a 15 unidades, terão áreas que variam de 7 a 15 metros quadrados.

A ideia é ter um restaurante de cada estilo, como hamburgueria, pizzaria, italiano, português, asiático, espanhol, entre outros. “Para que seja um local democrático e todo mundo possa fazer uma refeição bacana, sair satisfeito e voltar muitas vezes”, diz Bernert. De olho no gosto do curitibano por novidades, o empresário busca por operações inéditas, como as confirmadas Evi (franco-peruana), Drink Me (drinks e destilados) e Mundo Sur (vinhos). Outro contrato fechado é do Beer Stop (chopes e cervejas artesanais e importadas), que também está em duas vilas gastronômicas da capital.

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Bernert está em negociação com tendências de outras cidades. “Quero trazer operações que ainda não estão em Curitiba. Um mix bem formado e exclusivo, para atrair o público e ser um local de destino.” Para otimizar o atendimento, o Gastronomiq aposta em tecnologias semelhantes ao que está sendo adotado pelo complexo Vila Urbana, mais uma vila gastronômica que será inaugurada no Centro da capital.

Além da opção tradicional de compra diretamente no balcão, os consumidores terão totens espalhados pelo espaço – são previstos cinco –, para autoatendimento, e ainda poderão fazer a compra pelo smartphone por meio de um aplicativo exclusivo do Gastronomiq, com pagamento integrado via cartão de crédito. Finalizada a compra, o cliente poderá escolher a forma de retirada, que poderá ser no balcão, com aviso por sms; por delivery interno, ou seja, um atendente vai até a mesa onde o cliente está, em qualquer lugar dentro do Gastronomiq; ou delivery externo. “O objetivo é evitar filas e oferecer o conforto de não precisar ter de se deslocar para buscar a comida.”

Projeto do shopping nasceu após pesquisa indicar carência na região

A ideia do shopping Gastronomiq nasceu após uma pesquisa de mercado realizada pela BRAIN – Bureau de Inteligência Corporativa, em agosto de 2016, encomendada por Bernert. O pai e a tia do empresário, herdeiros do terreno com Valor Geral de Vendas (VGV) avaliado em pelo menos R$ 500 milhões, demonstraram interesse em comercialização da área, que pertence à família desde a década de 1960.

O empresário não concordou. “Queria empreender no local, não sabia o que, sabia apenas que queria investir no terreno sem vender. A pesquisa de mercado para o endereço do imóvel, que compreendia um raio até a BR-277 [cerca de 2 quilômetros], mostrou grande carência na área gastronômica”, revela.

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O estudo apontou que a maior renda de Curitiba está centralizada na região, sinalizando um público-alvo A e B+ e um tíquete médio em alimentação no valor de R$ 65. As ruas que cortam diretamente o empreendimento recebem um fluxo diário de cerca de 18 mil veículos e há uma população de 77 mil habitantes, mas Bernert ainda não sabe estimar o quanto o volume deve impactar no fluxo para o Gastronomiq.

“Nosso marketing tem o objetivo de trabalhar para sermos um local de destino de público de outros bairros também. Queremos ser referência na cidade, como um polo gastronômico. Para o futuro, estudamos um plano de negócio que agregue serviços, mantendo o foco gastronômico, como um mercado de orgânicos, de hortifrúti e loja de utensílios de cozinha.”

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