A música curitibana que o Brasil conhece (ou desconhece).. rs

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BOZZO BARRETTI – Produtor, tecladista, compositor, arranjador, ex integrante do Capital Inicial e da Banda Sabor de Veneno de Arrigo Barnabé. É Bacharel em Composição Erudita pela USP. Elcio Barretti foi o coprodutor do primeiro álbum do Capital e em 1987 passou a integrar a banda do vocalista curitibano Dinho Ouro Preto, onde permaneceu até 1991. Entre suas composições mais famosas estão “O Passageiro”, “Kamikaze”, “Todas as noites”, “Independência” e “Fogo”. Esta última considerada por muitos fãs do Capital, como a melhor canção do grupo. Barretti também compôs canções para Zezé di Camargo e Luciano, Oswaldo Montenegro, Cidade Negra e muitos outros.

Conhece alguma banda ou artista curitibano?

Conheço CW7. Sinceramente, tenho ficado mais atento à cena paulistana e pouco conheço do que está fora deste contexto.

Quando você ouve falar sobre o rock curitibano o que te vem à mente?

Como conheço pouco fica difícil opinar. Recentemente, produzindo uma dupla sertaneja que eu conheci quando fui jurado num reality da Band, chamado Country Star, encontrei o Abujamra, que era ou é dos Mulheres Negras, não sei se podemos falar que ele é um artista curitibano ou mesmo do rock. Eu produzi esta dupla sertaneja que são dois caras incríveis, que se tornaram amigos particulares, praticamente da família. Não tenho nenhum preconceito musical e acho que eles são maravilhosos naquilo que fazem. O nome deles é Lucas e Renan. Eu, particularmente, já pensei em morar em Curitiba, porque é uma cidade que eu amo e na minha opinião, uma das melhores do mundo pra se morar. Esses dois caras me fazem ter um motivo pra iri aí e pra gostar mais de Curitiba, ainda, porque quando vou aí são extremamente hospitaleiros e me fazem conhecer muitas coisas de Curitiba e no entorno.
Agora que estamos conversando, vou buscar ouvir artistas curitibanos. Já vi alguns nomes no Google e vou correr atrás!

O Capital Inicial chegou a usar tecnologia 3d? O que achou?

Você vai me xingar, mas não vi!!!! Mas esse é o futuro. Você se sentir envolvido pelo show. Acredito que chegará o dia que você vestirá uma roupa e verá tudo em 3D e se sentirá como se estivesse de corpo presente no meio de uma galera, no público vendo o show. Pessoas te esbarrando, cheiros. 5D, como já existem algumas coisas na Disney, por ex. Penso nisto há mais de 15 anos…acho que esse dia chegará e mais breve do que a gente imagina. VC poderá assistir a um show q rolou há anos, como se eles estivesse sendo feito naquele instante.

Qual o futuro da indústria fonográfica?

Acho que a indústria fonográfica, do produto físico, vai deixar de existir. As gravadoras, provavelmente se transformarão em agentes de artistas, coisa que já está quase se tornando realidade no Brasil, mas a música não vai parar nunca. Não vivemos sem música. Apenas acho que, aqui no Brasil, se não houver um posicionamento mais rígido por parte dos governantes, o que acredito que nunca vai haver, a indústria fonográfica, como empresa que comercializa música, deixa de ter razão de existir, porque não se vende mais nada. Quase 100% deve ser pirataria. O disco físico, passou a ser uma coisa obsoleta e apenas um cartão de visitas sonoro. E o desrespeito à propriedade intelectual está chegando ao limite!!! O Brasil não é, nem nunca foi sério com respeito a direitos autorais. Eu, mesmo não sendo um compositor de inúmeros hits, mas tendo alguns de expressão nacional, se vivesse num país sério, não precisaria mais trabalhar, porque teria ganho o suficiente com minhas músicas, no entanto, trabalho até hoje pra cobrir os gastos do mês.

É mais fácil fazer sucesso hoje ou nos anos 80?

Difícil dar uma resposta simples. Com relação ao que se fazia de trabalho profissional nas gravadoras, era mais fácil nos anos 80, praqueles que conseguiam chegar até eles. Os que fossem “descobertos” tinham mais chance porque os executivos de gravadoras já tinham um perfil formado com respeito ao público alvo do artista que estavam lançando e usavam o dinheiro proveniente de isenções fiscais para promover os artistas nacionais. Com a queda destes incentivos ficou muito mais difícil e a pirataria acabou de selar as possibilidades deste modelo de trabalho. Hoje, as coisas são mais “democráticas”, porque você pode se lançar na internet sem que ninguem tenha que te “descobrir”. Hoje, gravar uma música é muito mais fácil e qualquer um pode fazer seu trabalho independente, sem apoio de rádio ou tv ou até mesmo midia impressa. Aí é contar com a sorte de ser visto por algumas pessoas nos milhões e milhões de videos que são postados e cair no agrado do público. Cada vêz mais a internet começa a se assemelhar ao trabalho de divulgação de décadas passadas. Pessoas que se dedicam à divulgação na internet fazem um trabalho parecido com o que as gravadoras faziam no passado a custos muito parecidos, também.

Quais sãos seus novos projetos musicais?

Tenho feito alguns projetos particulares. Alguma coisa ainda é segredo de estado e não pode ser revalada, rsss, mas vamos às outras.
Estou com uma banda chamada Brotheria, onde revejo alguns dos meus sucessos compostos em tempos de Capital Inicial, como, Fogo, Independência, Belos e Malditos, entre outras, com uma galera muito especial pra mim. Murilo Lima, que eu já havia produzido no Rúcula e foi o substituto do Dinho no Capital, é o cantor. Geraldo Vieira, meu parceiro em vários momentos da vida, como no Ausgang, banda que tive após minha saída do Capital e tocamos juntos nos Tubarões Voadores, de Arrigo Barnabé, que é de Londrina, é o baixista. Dino Verdade, ex- Alma Djem e idealizador do maior encontro de baterias da América Latina, com mais de 250 bateristas tocando simultaneamente é o baterista e Carlos Pera, que eu já havia gravado nos anos 90(num trabalho dele) é o guitarrista e também canta na Banda.
Outro trabalho a que me dedico é a Muziki, banda que minhas filhas tocam. Sou o produtor musical e muitas vezes componho com elas, assim como elas compõe comigo músicas inéditas que tocamos na Brotheria.
E o projeto mais maluco que estou fazendo atualmente é a B.R.O.(Beat, Rock, Orchestra), que tem uma formação inusitada. 4 bateristas, 4 cellistas e eu nos teclados. Tocamos músicas autorais e clássicos do Rock, que vão de Beatles a Foo Fighters, passando por Led Zepellin, Goo Goo Dolls, Queen, Kisss, White Stripes, red Hot Chilli Peppers e muitas outras coisas, porque tocamos muitos medleys onde unimos muitas músicas. É um projeto apaixonante e que deixa todo mundo maluco quando ouve. Estamos finalizando os ensaios pra levanter repertório e estreamos no Canal Net Cidade, com um programa dedicado inteiramente à B.R.O.

Como está hoje a sua relação com o Capital Inicial? Alguma possibilidade de voltar a trabalhar com eles?

Hoje sou apenas um admirador do sucesso deles que de vêz em quando os encontra em algum lugar ou em redes sociais. Da minha parte seria um imenso prazer fazer qualquer coisa com o Capital, mas isto não cabe a mim. Teria que existir um convite vindo deles.

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