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Coluna Notas Báquicas

Balanço: os seis grandes vinhos de 2013

Crítico Guilherme Rodrigues aponta quais foram os grandes rótulos que degustou no ano passado e fala sobre os desafios de 2014 no mercado de vinhos

por Guilherme Rodrigues Publicado em 09/01/2014 às 03h
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Chega o final do ano, damos uma balanço nos melhores vinhos  bebidos e pensamos nas tendências para 2014. O que será mais relevante? Confesso que provei alguns milhares de amostras, a grande maioria às cegas. Dentre todos, algumas centenas de grandes vinhos.

Na página ao lado, listei seis rótulos dos mais representativos que bebi, dentre os que estão no mercado, com preço acessível (ainda que em alguns casos, caro), mas sobretudo são excelentes custo-benefício na sua categoria. Com outro cuidado: seguir a variedade e ordem do serviço de uma grande refeição: Champagne, branco, tinto e Porto.

No estilo, os vinhos continuarão na saudável moda de fruta limpa, madura, fresca, intensa mas sem peso, menos carga de madeira e de extração, e maior aprimoramento enológico, mais redondos e mais sofisticados desde o nascimento.

No mundo real do vinho, ou seja, no exterior, os preços dos rótulos sonantes pararam de subir e até esboçaram queda. Isso ocorreu pela primeira vez desde que explodiram, partir do fim da década de 1980. O mercado estratosférico esfriou na China e em outros focos onde havia demanda efervescente. Nos demais vinhos, também as notícias foram boas, no mundo real. Mercado mais seletivo, preços estáveis e qualidade mais apurada. Dentre os vinhos novos, em 2014 teremos as safras 2012 e 2013. Ficam devendo para os míticos anos de 2009 e 2010, no geral – uma ou outra região comportou-se de forma assimétrica. Mas tem coisas excelentes. Como nunca, saber escolher será regra de ouro.

No Brasil, dá-se o contrário. Os preços subiram vertiginosamente ao consumidor final. Não só pela desvalorização do real, mas sobretudo pela substituição tributária, instituída pelo governo do Estado (e de outros estados), numa sanha arrecadatória de deixar rubro o famoso monarca tirano João sem Terra. Esse sistema gerou um efeito deletério sobre o mercado do vinho e da restauração, e já está começando a destruir a conquista de centenas e centenas, quiçá milhares de bons empregos que haviam sido criados no Paraná. A contabilidade no fim do ano poderá revelar baixas. Em troca do quê? Do fisco supostamente arrecadar mais alguns trocos para suas burras furadas. Talvez nem isso, pois o freio na atividade econômica pela sanha arrecadatória acaba diminuindo os negócios e arruinando a própria arrecadação. Seria excelente se o governador Beto Richa pudesse revogar em 2014 essa nefasta medida. Subiria no conceito da população, sem dúvida, e teríamos algo de muito bom a brindar no fim de 2014.

O debate em 2014 deve focar muita na questão preço. No exterior, por parte dos produtores: preocupados com a baixa. No Brasil, infelizmente, tudo ao contrário, por parte dos consumidores: preocupados com a alta, face a derramas fiscais, burocracia enlouquecedora, e câmbio.

Desejo aos leitores boas e relaxantes férias. Com vinhos casuais, amigáveis, refrescantes e estimulantes para começar no verão. E, ano a seguir, que 2014 traga os melhores vinhos de sempre !

 

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Seis rótulos irresistíveis:

 

 

 

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