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A origem da nossa ceia de Natal

O Brasil é um caldeirão de raças, culturas, religiões e etnias. E talvez nada reflita tão bem essa diversa e inusitada mistura do que a ceia de Natal. Na mesma mesa estão elementos originários da cultura dos índios, dos negros, dos europeus, dos cristãos e até de povos pagãos, tudo em perfeita harmonia

por GPBC Publicado em 18/12/2018 às 16h
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A ceia de Natal brasileira está diretamente ligada à nossa formação. Por meio da colonização, a cultura portuguesa foi o ponto de partida. Mas houve influências africanas, indígenas, árabes, de outras diversas etnias que vieram para cá e até de tempos anteriores a tudo isso.

Mais importante do que a simbologia histórica, entretanto, é o significado de amor que a ocasião inspira individualmente em cada um de nós. A chef Kika Marder, do Sel et Sucre, diz que o significado emocional da ceia é o que tem mais valor para ela. “Pessoas que nem sempre vão pra cozinha e que nesta data fazem questão de preparar algo com carinho para a família, dão uma demonstração clara e direta de amor”, diz Kika. “E é essa simbologia da ceia o que mais conta”. Ela cita como exemplo a rabanada, preparada por sua mãe todos os anos para o Natal da sua família. “Sou eu quem faz toda a nossa ceia, exceto a rabanada, que é sempre ela quem faz”, diz. “E é a melhor rabanada do mundo, lembra a nossa infância”.

Simbologia
O professor do curso superior de Tecnologia em Gastronomia da PUCPR, Alexandre Roberto Dhein explica que a celebração natalina pode ser vista numa perspectiva cristã, com profundas raízes no catolicismo romano, e também numa perspectiva do paganismo. Isso porque uma versão básica do banquete natalino era preparada por povos pagãos em comemoração ao solstício de inverno, antes mesmo do império Romano. A celebração natalina, que era festejada no dia 6 de janeiro, foi antecipada para o dia 25 de dezembro, coincidindo com o calendário pagão no qual o sol era o Deus adorado. “Na fusão destas datas de celebração, evidenciamos na ceia natalina pratos que trazem à memória a história da herança cultural na qual estamos inseridos, quer seja ela de origem cristã ou pagã”, diz o professor.

Vinho – a bebida oficial
Em meio a tantos elementos presentes na ceia, Dhein destaca o vinho, considerado a bebida oficial das celebrações cristãs. “O vinho é uma bebida mundial e associado a celebrações e festividades, de simples comemorações a suntuosos banquetes. O brinde com taças de vinho remete ao desejo de união e paz entre as pessoas”, diz.

Nos dias atuais, não há como pensar numa ceia de Natal sem a presença dos vinhos. Na hora de harmonizá-los com os alimentos símbolos desta época, o enófilo e gerente de desenvolvimento de vinhos da importadora Porto a Porto, Flávio Bin, explica que o mais importante é levar em consideração o protagonista do prato que é, geralmente, a proteína. Mas também deve-se pensar na força dos sabores e temperos das guarnições. “Por exemplo, em um prato muito gorduroso, o chef geralmente utiliza algum elemento ácido para trazer o equilíbrio; não é apenas o vinho que deve harmonizar, mas o conjunto”, informa. Bin alerta que, como geralmente está calor nas festas de fim de ano, devemos evitar vinhos muito potentes, com teor alcoólico elevado. “O ideal é dar preferência aos vinhos frescos e com boa acidez, como espumantes, brancos e rosés, além de tintos leves e jovens”, diz.

Veja os alimentos que são símbolos do Natal e sua simbologia segundo o professor de gastronomia Alexandre Roberto Dhein:

  • Peru
  • T
  • Farofa
  • Risoto Fruto do Mar
  • Arroz à grega
  • Salpicão de frango
  • Frutas frescas
  • PeruPeru: uma das aves mais exaltadas pelo gastrônomo Jean Brillat-Savarin, influente membro nas cortes francesas, que defendia efusivamente esta ave provinda do Novo Mundo, das Américas. Sua presença na ceia também pode ter também influências em berço português, no Ribatejo, onde o tradicional peru recheado com saborosos acepipes está sempre presente.
  • TTender: proveniente da industrialização do pernil de porco defumado, um tipo de presunto, o tender chegou ao mercado no contexto das festas de final ano.
  • Chester: a ave chegou ao mercado brasileiro em 1983, como um produto desenvolvido por uma indústria de alimentos, para competir com o peru, já muito utilizado na ceia. É o resultado do cruzamento das melhores linhagens de frango existentes no mercado com o diferencial de proporcionar uma quantidade maior de peito.
  • Lombo de porco: um dos cortes nobres provenientes do suíno. Sua domesticação indica as grutas de Altamira, na Espanha, há cerca de 12 mil anos. Como está muito presente na culinária portuguesa, chinesa, alemã entre outras, pode ter tido a sua origem em nossas ceias natalinas por diversos desses caminhos.
  • Cordeiro: a expressão cordeiro refere-se ao animal macho e jovem, para diferenciá-lo do carneiro. Isso significa que a carne de um cordeiro será mais suculenta e de sabor mais delicado. Pesquisas informam que esses animais foram domesticados há 11 mil anos, na região onde hoje está o Iraque.
  • Bacalhau: apesar da origem e produção serem nas frias águas do Atlântico Norte (Noruega), chega às nossas mesas pelos portugueses, por ocasião das grandes navegações e colonizações. Provavelmente eles seriam os responsáveis pela tradição deste peixe nas ceias brasileiras.
  • Lentilha, cuscuz, empadão de legumes (no caso de ceia vegetariana): originário da região conhecida como MAGREB, formada pelos países do Norte da África banhados pelo Mar Mediterrâneo, tem seu consumo ligado aos povos berbere, nômades que vivem em regiões desérticas. Estes preparos na ceia apresentam profundas influências da culinária árabe e revelam maravilhosas receitas com leguminosas.
  • Biscoitos natalinos: a tradição alemã de biscoitos chega à nossa mesa por meio dos imigrantes germânicos que começaram a se estabelecer na região gaúcha do Vale dos Sinos e que trouxeram suas receitas festivas ligadas ao Natal. Antigamente, os biscoitos tinham também a função de ornamentar a árvore de Natal, antes de serem consumidos.
  • Frutas secas: têm forte ligação com o Solstício do Inverno, pois era uma forma de conservar e preservar por maior tempo os ingredientes. Em diferentes culturas, as frutas secas podem ser relacionadas com significados especiais criando ritos e crenças, como de prosperidade e abundância, entre outros.
  • Castanhas: considerando a ampla variedade de oleaginosas, são provenientes de variados lugares no mundo e têm relação com a região e clima, dando-lhes características próprias e variadas possibilidades de uso, conforme a espécie.
  • Panetone: um dos clássicos que remetem à nossa colonização italiana. Conta a lenda que um padeiro chamado Toni, na véspera do Natal, ao invés de colocar uvas passas na torta que preparava, colocou em uma massa de pão. Para aproveitar outros ingredientes, adicionou ovos, manteiga e frutas cristalizadas. O resultado foi o “pane di Toni”, que hoje conhecemos como panetone.
  • Rabanada: influência portuguesa com especiarias das Índias, como canela, um dos símbolos máximos da ceia natalina.
  • FarofaFarofa (típica do Brasil): iguaria que fala diretamente de nossas raízes indígenas, pois a farinha, seja de mandioca ou de milho, é um dos elementos primários na sua alimentação.
  • Risoto Fruto do MarPratos italianos - Risoto de Frutos do Mar. Muitas vezes presentes na ceia por herança da forte colonização italiana em alguns locais do Brasil.
  • Pratos italianos - Conchiglioni com Camarão. Muitas vezes presentes na ceia por herança da forte colonização italiana em alguns locais do Brasil.
  • Arroz à gregaArroz à grega: apesar do nome da receita sugerir uma origem grega, surgiu do aproveitamento de sobras de ingredientes, que se transformam num novo e apetitoso prato. Seu colorido é providencial nas mesas festivas.
  • Salpicão de frangoSalpicão de frango (típico do Brasil): no sul do Brasil é um prato tradicional de salada, conhecido pela mistura de legumes e carne de ave desfiada que apresenta variações da receita em torno dos ingredientes.
  • Frutas frescasFrutas frescas: são maravilhosas e versáteis nas ceias natalinas. Podem ser utilizadas ao natural, em pratos salgados, doces e bebidas. São ótimas alternativas para as sobremesas e, ainda, enfeitam e dão vida e cor a qualquer mesa.

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