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Entenda de onde vem o abacaxi em gomos que chamou a atenção na internet

Conhecida como "IAC Gomo de Mel", a variedade de abacaxi existe no Brasil há quase 30 anos, mas está longe de chegar à feira

por Marina Mori Publicado em 11/03/2019 às 18h
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Não, você não esteve comendo abacaxi do jeito errado durante todo esse tempo, mas a história de que existe um tipo da fruta que pode ser consumido em gomos, sem precisar descascar, é verdade. A qualidade do abacaxi se chama “abacaxi IAC gomo de mel” e foi lançada no Brasil há quase 30 anos, porém dificilmente é encontrada por aqui.

A fruta ganhou destaque novamente depois que um vídeo publicado no dia 8 de março, no Twitter, provocou o espanto de milhares de internautas ao mostrar a “mágica” acontecendo: sem esforço algum, mãos destacam os gomos de abacaxi do caroço e revelam uma polpa suculenta e aparentemente doce.

Origem

O abacaxi em gomos surgiu de um cruzamento natural na China. Chegou ao Brasil em 1991 através de experimentos de pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e foi batizado como “IAC gomo de mel”. Também é conhecido como abacaxi-de-gomo ou “pingo de mel”.

Com consistência tenra, suculenta e baixa acidez, a fruta chega a ser quase duas vezes mais doce que o abacaxi pérola e o smooth cayenne, os dois tipos mais populares no Brasil e no mundo – daí a referência ao mel em seu nome.

Além disso, ele é o menor do que o abacaxi tradicional: tem 12,9 cm de comprimento e pesa de 800 gramas a um quilo, em média, enquanto o pérola, qualidade mais popular no Brasil, costuma ter 16,1 cm e 1,2 kg a 2 kg de peso.

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O abacaxi gomo de mel surgiu na China e foi introduzido no Brasil em 1991 pelo Instituto Agronômico de Campinas. Foto: Martinho Caires / Divulgação IAC

Onde encontrar o gomo de mel

Apesar de existir há quase três décadas no país, você talvez não tenha visto a fruta por aí por alguns motivos. “Ele praticamente saiu do mercado porque é altamente suscetível à fusariose, uma doença que afeta as plantas e os frutos, e também pela exigência do registro do jardim clonal pelo Ministério da Agricultura”, explica Mara Fernandes Moura, pesquisadora do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

A exigência do documento é posterior ao lançamento do gomo de mel (registrado em 2002 no Registro Nacional de Cultivares, o RNC). Por conta disso, o cultivo foi interrompido por um tempo e agora está sendo retomado.

Segundo Moura, os brasileiros poderão comer abacaxi em gomos apenas nos próximos três ou quatro anos. “A multiplicação é lenta: o abacaxi tem um ciclo de 20 meses e começou a ser replantado recentemente. Por isso vai demorar para chegar novamente ao consumidor”, diz a pesquisadora. Ela alerta, também, que o preço não será nada doce. Apesar de o valor não estar definido, é difícil que custe menos de R$ 16 a unidade.

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