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Avaliações do TripAdvisor vão contar na pontuação de novo guia francês de restaurantes

O ranking é considerado uma resposta à lista britânica dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo. O guia será lançado no dia 17 de dezembro

por Priscila Bueno, especial para a Gazeta do Povo Publicado em 11/12/2015 às 12h
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O croissant é um dos ícones da gastronomia francesa. Foto: Alexandre Mazzo / Gazeta do Povo.

O croissant é um dos ícones da gastronomia francesa. Foto: Alexandre Mazzo / Gazeta do Povo.

A culinária francesa é tida como a “mãe” da gastronomia. Para se ter ideia, foi o francês George August Escoffier que categorizou ingredientes e técnicas francesas que se tornaram parâmetros para a cozinha mundial. A França também criou o venerado Guia Michelin, pelo qual chefs de todo mundo lutam para estar entre os presentes. A gastronomia francesa, inclusive, é tombada como patrimônio mundial intangível pela Unesco.

Porém, na última edição da lista 50 Melhores Restaurantes do Mundo da revista inglesa Restaurant, divulgada em junho, apenas cinco restaurantes franceses estavam elencados. Essa pouca expressão motivou o Mille Tables d´Exception, que está sendo considerada a resposta francesa à lista 50Best. Ela foi proposta pelo Conselho de Promoção Turística e aprovada pelo chefe da diplomacia francesa Laurent Fabius. Quem está à frente da ideia é o embaixador Philippe Faure, presidente do órgão de promoção turística Atout France.

A nova lista, que tem sido chamada de “The List”, será lançada no dia 17 de dezembro na sede do Ministério de Relações Exteriores da França, em Paris. Ela tem um método diferente de classificação, que leva em consideração a pontuação dada a restaurantes em cerca de 200 guias, como Michelin, Zagat, etc.; sites com participação do público como TripAdvisor, além de comentários na imprensa. Um conselho com 3 mil chefs internacionais ponderou as avaliações.

O francês Emannuel Bassoleil, chef executivo do Hotel Unique e Restaurante Skye, em São Paulo, diz que o método parece justo. “Tem gente que pode falar bem de um restaurante porque seu amigo falou bem ou um chef pode falar bem de outro restaurante porque é de seu amigo”, diz. “Independente de concordar ou não, acho que é bom para a gastronomia”. No entanto, ele lembra que os franceses sempre buscam as estrelas do Michelin (veja o filme que estreou sobre o tema). “Aí chega um guia inglês, em que a culinária nem tem tanta tradição, e passa a ser o mais comentado. Não estou dizendo que é o melhor, mas o mais comentado”.

Tendenciosa?
O Mille Tables d´Exception será divulgado somente no dia 17, porém, alguns dados já foram divulgados. São estabelecimentos de 40 países, sendo que o Japão, França e Estados Unidos são os mais bem representados. Dos mil selecionados, mais de 120 são japoneses, 117 são franceses e 115 são norte-americanos. China, Espanha, Alemanha e Itália têm pouco mais de 50 cada um. Entre os 100 melhores, há mais de 25 casas francesas.

Caso alguém queira acusar a publicação de defender o “gastronacionalismo”, Philippe Faure, presidente do órgão de promoção turística Atout France e porta-voz da iniciativa, se defende e diz que entre mil, apenas 117 são franceses, o que não chega a ser tendencioso.

Bassoleil lembra que esse número, no entanto, é bem maior do que a do 50Best. Ele comenta que a gastronomia francesa é a “mãe” de todas as outras. “Temos grandes chefs na França ou que trabalharam lá ou que falam francês. A França vai demorar para ser derrubada”, diz o chef.

Sobre o recebimento de críticas, o chef francês radicado no Brasil há 29 anos, diz que quando a crítica negativa parte de quem não entende de gastronomia, “fica chateado”. Porém, quando é feita por alguém que tem conhecimento, ele a leva a sério “e ponto final”. “Mas, vai depender do momento que você está em sua vida. Os mais jovens vão buscar isso (a indicação de um guia). Claro que ser citado é bom para o estabelecimento. Mas, eu não trabalho para estar num guia. Eu trabalho para estar feliz”, diz ele lembrando que o restaurante Skye atende cerca de 20 mil pessoas por mês.

Essa não é a primeira vez que a lista da revista Restaurant recebe uma retaliação. Em junho de 2015, alguns chefs organizaram a Occupy 50 Best, movimento de contestação ao concurso.

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