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Venda proibida

Ministério da Agricultura suspende 33 marcas de azeite de oliva; confira lista

Fiscalização encontrou 59 lotes de azeites de oliva irregulares produzidos entre 2017 e 2018 com a adição de óleos de soja e outros de origem desconhecida

por Gazeta do Povo Publicado em 02/10/2019 às 19h
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Trinta e três marcas de azeite de oliva tiveram a venda de 59 lotes suspensa pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) por terem sido adulterados com óleo de soja de origem desconhecida. A determinação divulgada nesta quarta (2) aponta que os produtos foram produzidos entre os anos de 2017 e 2018 e ainda podem estar sendo comercializados, uma vez que o prazo de validade de alguns deles vai até 2021. Confira a lista com todos os lotes suspensos pelo Mapa.

Azeite de oliva. Foto: Visualhunt/Reprodução

Azeite de oliva. Foto: Visualhunt/Reprodução

Marcas notificadas:

Aldeia da Serra
Barcelona
Casa Medeiros
Casalberto
Conde de Torres
Dom Gamiero
Donana
Flor de Espanha
Galo de Barcelos
Imperador
La Valenciana
Lisboa
Malaguenza
Olivaz
Oliveiras do Conde
Olivenza
One
Paschoeto
Porto Real
Porto Valencia
Pramesa
Quinta da Boa Vista
Rioliva
San Domingos
Serra das Oliveiras
Serra de Montejunto
Temperatta
Torezani
Tradição
Tradição Brasileira
Três Pastores
Vale do Madero
Vale Fértil

Fiscalização

Segundo o Ministério da Agricultura, as fiscalizações que detectaram as 33 marcas irregulares são resultantes da Operação Isis, iniciada em 2016, e muitas delas já retiraram os produtos do mercado. No entanto, o resultado só foi divulgado agora por causa do “processo lento que envolve exames laboratoriais, notificação dos fraudadores, perícias, períodos para apresentação de defesa e julgamentos desses recursos em duas instâncias administrativas”, afirma o órgão em nota.

Com isso, já são 39 marcas com lotes suspensos apenas neste ano. No começo de julho, seis marcas tiveram as vendas proibidas e os produtos recolhidos, como a Oliveiras do Conde, Quinta Lusitana, Quinta D’Oro, Évora, Costanera e Olivais do Porto.

Aparelho do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para análise preliminar. Foto: Mapa/Divulgação

Aparelho do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para análise preliminar. Equipamento será usado a partir de 2020. Foto: Mapa/Divulgação

Ainda de acordo com o Mapa, a tendência é de que essas fraudes diminuam com o tempo por conta da responsabilização de quem vende os azeites de oliva adulterados. Na última ação realizada, em abril do ano passado, 46 marcas foram suspensas. O órgão esclarece que os supermercados que adquirirem e ofertarem os produtos são penalizados, e que por isso muitos dos lotes irregulares já podem ter sido destruídos.

A expectativa é de que a fiscalização fique mais ágil a partir de 2020, quando o órgão deve começar a utilizar aparelhos portáteis para análises preliminares. A recomendação do Ministério é de que as pessoas desconfiem de azeites com preço muito abaixo das outras marcas.

É possível, ainda, consultar a lista de azeites de oliva testados e aprovados pela Associação Proteste, que comparou 69 marcas disponíveis no mercado.

Outro lado

A Aldeia da Serra afirmou que o problema foi apenas no Paraná e que o produto não está mais no site de vendas pois foi retirado de circulação há três anos; antes disso, a empresa pagou a multa referente à situação.

A responsável pelas marcas Barcelona, Tradição e Tradição Brasileira informou, através de uma nota à reportagem, que sempre atendeu a todos os requisitos exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para poder classificar o azeite como extra-virgem, como “comprovam os laudos emitidos através de análises realizadas no único laboratório credenciado e reconhecido pelo MAPA”, e que todos os lotes notificados pela fiscalização já foram retirados do mercado.

A marca Donana informou que a fiscalização do Ministério da Agricultura ocorreu entre 2017 e 2018 e que foi identificado que o produto não se tratava de azeite “extra virgem”. A empresa afirma que o erro foi causado pela importadora. A marca informou que retirou os produtos com problema do mercado e encerrou os negócios com a importadora.

A fabricante do azeite Imperador afirmou que as fraudes foram feitas por uma outra empresa, que era parceira. Após a fiscalização, a parceria foi encerrada. Segundo a fabricante apenas um lote do produto apresentou problemas.

A Vale Fértil informou que não tem nenhum azeite de oliva suspenso de comercialização e que nunca teve problemas referentes à qualidade. A empresa afirmou que em 2017 teve dois lotes de produtos desclassificados por estarem fora dos padrões para azeite de oliva tipo único. Na ocasião, segundo a empresa, os lotes foram recolhidos. A Vale Fértil afirmou ainda que entrará com uma medida judicial exigindo retratação do Ministério da Agricultura.

A equipe de reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com as marcas Três Pastores, Torezani, Vale do Madeiro, Casalberto, Conde de Torres, Dom Gamiero, Flor de Espanha, Galo de Barcelos, La Valenciana, Olivaz e One e aguarda retorno.

Já as marcas Casa Medeiros, Lisboa, Malaguenza, Oliveiras do Conde e Olivenza foram contatadas por telefone e email, mas não houve resposta. Os sites das fabricantes também estão fora do ar. As demais não foram localizadas.

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