Restaurantes

Lazer em Curitiba

Boa comida e diversão atraem turistas e curitibanos para a região do MON

Região da Marechal Hermes, no Centro Cívico, vira novo ponto de encontro com concentração de bares e restaurantes

por Camila Machado, especial para a Gazeta do Povo Publicado em 26/01/2018 às 15h
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O curitibano José de Araújo Netto, 34 anos, já tem experiência no ramo gastronômico, mas foi numa viagem a Amsterdã, na Holanda, que teve a ideia de inaugurar em Curitiba um bar aberto, com poucas mesas e acesso à calçada. Morador do Centro Cívico, não teve trabalho para descobrir o ponto mais atrativo da vizinhança: a esquina da Marechal Hermes com a Manoel Eufrásio dá de cara para o olho do Museu Oscar Niemeyer (MON).

Foto: Marco Charneski/Tribuna

Foto: Marco Charneski/Tribuna.

Inaugurado há quatro meses, o Porks, gastrobar especializado em chope e pratos a base de carne de porco, tem mesas de latão e blues na janela. “Na Europa, visitei diversos espaços culturais e fiquei encantado com o óbvio: a estrutura imensa para atender os turistas ao redor desses pontos. O MON é o cartão postal de Curitiba e até então o entorno era pouco explorado, principalmente na área gastronômica. Então, investi”, conta Netto.

O bar é temperado de comida mineira e chope artesanal. A primeira unidade surgiu em Belo Horizonte, na Savassi, espécie de Batel da capital mineira. “Em Curitiba queremos repetir a estratégia. Valorizar a comida gostosa, mas simples. As pessoas podem comer na rua – são poucas mesas no ambiente – ou também aproveitar o aconchego da nossa estrutura, afinal, não dá para contar com o clima curitibano”, brinca o empresário.

  • Foto: Marco Charneski/Tribuna
  • Foto: Marco Charneski/Tribuna
  • Foto: Marco Charneski/Tribuna
  • Foto: Marco Charneski/Tribuna
  • Foto: Marco Charneski/Tribuna

E tem dado resultado, ele garante. O Porks recebe turistas, mas também os curitibanos que frequentam o Parcão (espaço de lazer atrás do MON), funcionários das repartições públicas da região e clientes dos escritórios do Centro Cívico.

“Vim para para aproveitar o dia com entrada gratuita no Museu. Como vi a movimentação no bar, resolvi dar uma esticada para tomar um chope e comer alguma coisa”, contou a bancária Michele Mantesso, de 33 anos.

Já os amigos Augusto Vidrkorn e Roberto Torres, de 23 anos, costumam aproveitar o local para happy hour. “Viemos algumas vezes. O preço é justo”, disse Vidrkorn. “Moramos perto e a vista não tem preço”, completou Torres.

Para os estudantes Ramiro Lucas, 31, e Alessa Correia, 26, a descoberta foi uma grata surpresa. “Percebemos uma modernização na região. Vimos a avaliação do restaurante no Facebook e adoramos”, contou Correia.

Sunset Café

O empresário Tomaz Moscal, 27 anos, proprietário do Sunset Café, espaço que reúne creperia, sorveteria, bar e casa de sanduíches especiais, também tem história no Centro Cívico. O complexo gastronômico nasceu há dois anos no antigo estacionamento da família, herdado por Moscal. O público só cresceu desde então e o empresário já começou a expandir o negócio. “Há uma mudança de comportamento dos consumidores em Curitiba, uma tendência de buscar espaços ao ar livre. E queremos reforçar esse conceito. Por isso, além dos restaurantes, vamos construir um deck com vista para o museu, ao ar livre, perfeito para assistir o pôr do sol”, afirma.

A reforma no Sunset Café termina em fevereiro. Aos finais de semana, chegam a circular pelo espaço mais de 400 pessoas. “São famílias inteiras que vêm para almoçar. Também há o pessoal que traz os cachorros do Parcão. Somos pet friendly. E também a galera que aparece só pelo chope”, diz Moscal.

Tradicional antenado

A Rua Marechal Hermes também é lar do Basset Bar. No alto de seus 24 anos, o boteco tradicional da região também está de olho nas mudanças do bairro e do comportamento dos clientes. “A região está crescendo, com mais opções, mais bares. Mas trabalhamos como parceiros, não concorrentes”, diz João Luíz Lavalle Raposo, 20 anos, um dos proprietários do Basset.

Foto: Camila Machado

Foto: Camila Machado

Segundo Raposo, o público se tornou mais exigente e a transformação é nítida. “Antes os clientes vinham com toda a família ou lotavam uma mesa cheia de amigos e ficavam até as 6h. Hoje em dia nosso horário de pico é o pós-expediente, entre 19h e 20h, e nos finais de semana, por causa do movimento do MON”, conta.

Com os vizinhos, o Basset também ganhou novos clientes, mas não perdeu os antigos. É o caso do luthier Marcello Rizzi, de 31 anos, frequentador do local há meia década. “Consegui perceber o aumento da oferta de serviços na região, mas sou fiel ao Basset. Gosto das porções, do clima, da vista. Posso até dar uma espiada nas novidades, mas acabo sempre voltando”, afirmou.

O Basset começou a acompanhar a tendência de modernização nos últimos meses com a inclusão de chopes em seu cardápio. A casa oferece as opções Pilsen e IPA. “Mas o carro chefe ainda é a cerveja gelada de 600 ml”, garante Raposo. Os pratos mais pedidos da casa são o bife azedo, o pão com bolinho e o coração crocante.

Além do Basset Bar, Raposo toca com os pais, os empresários João Francisco de Sousa Raposo Júnior e Gisele Raposo, o Bar do Olho, ali ao lado, também em frente ao MON, que serve almoço.

Prêmios

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Tiras de mignon do Venda – Armazém e Boteco. Foto: Divulgação

A região do MON também abriga o premiado Venda – Armazém e Boteco. O bar completa 10 anos em 2018 e fica na Rua José Sabóia Cortez, 153, distante seis minutos a pé dos bares da Marechal Hermes. “Dia de sol em Curitiba com o MON cheio é sinônimo de casa lotada para gente”, conta Veridiana Bassete, proprietária do espaço.

O Venda recebeu três prêmios importantes em 2017, entre eles, o de Melhor Petisco da cidade do Prêmio Bom Gourmet, da Gazeta do Povo. “Temos um público cativo, e, apesar da crise financeira, sentimos um aumento no movimento. A região está sendo mais procurada”, avalia a empresária.

O casal de turistas de Florianópolis João Guilherme Bettoni e Ana Gabriela Markendof esteve no local pela primeira vez nessa semana e saíram satisfeitos. “Somos vegetarianos e fomos ao bar somente para uma cerveja e pela varanda. Mas o chefe Alex Manzoni nos surpreendeu. Preparou uma pizza vegana, na hora. Foram muito atenciosos”, disse João.

As especialidades da casa são as pizzas e as bruschettas, famosas como a panqueca de carne de panela e o sanduíche de mignon. Nos próximos dias, o artista curitibano Fernão Acciolly Filho vai completar a pintura da fachada do Venda. A ideia é reforçar a conexão cultural do bairro. A cada dois anos o bar abre espaço para um artista diferente. “Estamos no processo de troca nesse momento, nas próximas semanas o trabalho vai estar terminado”, finaliza a proprietária.

Parcão

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Parcão do MON. Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Além dos bares, o Centro Cívico também atrai pessoas por causa do tradicional Parcão (entre os fundos do MON e o Bosque do Papa). “O Parcão pertence ao Museu Oscar Niemeyer, mas tem vida própria, vive de movimentos espontâneos. O mesmo acontece com o vão do museu, que abriga piqueniques e rodas de amigos”, explica a coordenadora de eventos do MON, Catarina Belletti. Como a área é de livre acesso, não possui um calendário com programação fixa.

No entanto, o museu utiliza os espaços para alguns eventos específicos, como o Gastronomix, evento gastronômico ao ar livre, e o ID Fashion, com desfiles de marcas autorais e locais.O local conta também com um bistrô e cafeteria que em 2017 mudou de gestão: o premiado chef Flávio Frenkel, do Anis Gastronomia, assumiu a cozinha e reformulou o cardápio colocando produtos artesanais como pastrami e presuntos e pratos revisitados como a coxinha de frango caipira.

Em janeiro, no dia 27, acontece o Sunset Session 2018, promovido pela cervejaria Way Beer. Serão mais de 80 torneiras de chope com valores a partir de R$ 8.

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