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Tradição

Aprenda a preparar o chimarrão perfeito

Conheça segredos e curiosidades que podem interferir no resultado final do mate na cuia

  • PorAnderson Hartmann*, de Porto Alegre, especial para a Gazeta do Povo
  • 20/05/2019 06:00
Foto: André Rodrigues / Arquivo Gazeta do Povo.
Foto: André Rodrigues / Arquivo Gazeta do Povo.| Foto: ANDRE RODRIGUES

Cevar, fechar, fazer, enfrenar. O ato de preparar o chimarrão pode ser assim chamado. O mate (do quéchua mati) significa cuia (recipiente para a infusão da água junto da erva-mate) e pode ser tomado de três maneiras em relação à companhia: solito (sozinho), de parceria (em dupla) ou em roda (em grupo).

A bebida símbolo da hospitalidade tornou-se um dos principais ícones da cultura gaúcha, Rio Grande do Sul afora. Na região Sul o chimarrão é tradicionalmente servido com água quente e possui diversos significados, dependendo da maneira como é oferecido. Mate amargo, mate doce, mate com mel, com sal, com canela…cada um possui um recado subliminar.

Cuia tradicional de porongo e a bomba são os principais avios do mate. Foto Divulgação
Cuia tradicional de porongo e a bomba são os principais avios do mate. Foto Divulgação

>>>Chimarrão: origem e mistérios da bebida símbolo dos gaúchos

Para o preparo do chimarrão, precisamos basicamente dos seguintes apetrechos (ou avios – o conjunto de objetos necessários): cuia e bomba. É claro que outros itens como a chaleira ou a garrafa térmica também poderão incorporar os avios. Além disso, precisamos ainda de uma boa erva-mate e de água morna e quente. Depois é só seguir o passo a passo:

1. Coloque o equivalente de 2/3 de erva-mate na cuia;

2. Acomode a erva sobre um lado da cuia, tape a boca do porongo, incline-o e faça com que a erva encoste sobre um dos lados do recipiente;

3. Coloque água morna ou fria, nunca fervendo, porque queima a erva reduzindo suas propriedades e dando um gosto mais amargo à bebida;

4. Deixe a cuia recostada por instantes até inchar a erva;

5.Tape o bocal da bomba com o dedo polegar, introduza-a bem no fundo da cuia, sobre um costado da erva;

6. Sirva o chimarrão com a água quente, sendo que a mesma nunca deve ser fervida, pois se torna pesada, pela perda de oxigênio, transmitindo um sabor diferente à bebida. O ideal é deixar a chaleira apenas “chiar”.

Algumas curiosidades

  • O sentido da volta na roda de mate (aquela junto de amigos e/ou familiares) deverá ser sempre à direita de quem oferece o mesmo;
  • Ao encher o chimarrão, quem serve o mesmo pega a cuia com a mão esquerda e o recipiente com a água quente com a direita;
  • Oferece-se sempre o chimarrão com a cuia na mão direita;
  • Quando a cuia é alcançada com a mão esquerda, o cevador diz “desculpa a mão” e o mateador responde “é a mão do coração”;
  • Não se deve mexer na bomba do chimarrão;
  • Deve-se sempre tomar toda água servida, até o chimarrão “roncar”;
  • A boa etiqueta recomenda que nunca se coma algo ao mesmo tempo em que se toma o chimarrão, pois pode deixar resíduos dos alimentos na bomba.
  • Com todas essas dicas, agora é só preparar a bebida símbolo da hospitalidade como manda a tradição e apreciá-la junto de amigos e amores.

*Anderson Hartmann é jornalista e tem o título de Guri Destaque Cultural do Rio Grande do Sul – uma das maiores distinções do Movimento Tradicionalista Gaúcho. 

LEIA MAIS:

>>>Da erva-mate ao pequi: aprenda receitas com 15 ingredientes regionais do Brasil

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