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Gim tônica em lata - foto divulgação.
Gim tônica em lata – foto divulgação.| Foto: VP PHOTOGRAFIA

A tendência dos vinhos e drinks enlatados, bastante muito comum em países da Europa e cidades dos Estados Unidos, começou a chegar com força ao Brasil. Até agora a maior parte das bebidas enlatadas encontradas nas prateleiras nacionais era de drinks feitos com vodca, como Smirnoff Ice e Skol Beats.

Na Europa, há versões prontas de mojito, piña colada e um preparo semelhante ao Aperol spritz. Já no mercado brasileiro recentemente foram lançadas uma gim tônica e duas linhas de vinhos  que prometem ganhar escala na próxima temporada de verão – até mesmo uma caipirinha enlatada promete aparecer no mercado no início do ano que vem.

A gim tônica enlatada Ginta terá mais dois sabores além do clássico de limão siciliano com tangerina e laranja. Foto: divulgação.
A gim tônica enlatada Ginta terá mais dois sabores além do clássico de limão siciliano com tangerina e laranja. Foto: divulgação.| VP PHOTOGRAFIA

Pelo menos é o que apostam os empresários Nicola Bara, da Ginta, Alex Homburger, da Vivant Wines, e da cooperativa gaúcha Nova Aliança. Todos acreditam que a prática de levar os coquetéis e os vinhos enlatados para qualquer lugar, sem precisar de bartender ou de saca-rolhas, deve cair no gosto de quem busca praticidade sem abrir mão da qualidade.

Gim tônica

Para Nicola, o fato de não precisar comprar a garrafa de gim e água tônica — sem ter o trabalho de cortar a fruta — é o principal chamariz da gim tônica enlatada. O italiano radicado no Brasil acredita que ter o coquetel pronto à mão é um caminho sem volta.

A ideia surgiu no final de 2017 no Rio de Janeiro, quando Nicola e mais três amigos pensaram na praticidade de levar o coquetel à praia sem precisar de um monte de garrafas. O projeto passou pouco mais de um ano sendo planejado até que começou a ser vendido há cerca de um mês na versão limão siciliano, tangerina e laranja.

“É uma questão de enxergamos o drink enlatado como algo prático de se beber em casa, com mais comodidade e conveniência. E ainda o fato de já chegar pronto como se tivesse feito na hora”, conta o empresário, que é mixologista.

A diferença entre o drink feito na hora e o enlatado, segundo Nicola, é a carbonatação – adição de gás carbônico para manter o frescor e a qualidade da bebida na lata. “O preparo leva, ainda, aromas naturais de limão siciliano, tangerina e laranja”, explica. A expectativa é lançar mais duas versões da Ginta nos sabores de mel com gengibre e de frutas vermelhas com açaí até 2020.

Vinho

Os vinhos em lata da Vivant são produzidos e envasados em Caxias do Sul (RS). Foto: divulgação.
Os vinhos em lata da Vivant são produzidos e envasados em Caxias do Sul (RS). Foto: divulgação.

Seguindo na esteira da vinícola australiana Baroke, que vende uma linha de vinhos enlatados no Brasil há pelo menos dois anos, o também carioca Alex Homburger criou a Vivant Wines, com versões três variedades da bebida em lata. A empresa, criada no início deste ano, surgiu a partir de uma necessidade própria dele e dos amigos.

“Um dos sócios, o Leonardo, tinha ido numa festa e comprado uma garrafa inteira de vinho. Só que ele ficou segurando ela e a taça a noite toda, e se sentiu muito incomodado com isso. Aí conversando comigo e outro amigo que já morou na França, surgiu a ideia de criar algo mais prático, um vinho enlatado. Foi quando começamos a desenvolver a Vivant Wines”, conta. Ele próprio já tinha verificado essa tendência em pesquisas internas de grandes indústrias por onde passou.

Disponível em três versões: branco (chardonnay) e tinto (cabernet com merlot) e rosé (syrah com pinot noir), os vinhos enlatados da Vivant têm um teor alcoólico levemente menor que as bebidas engarrafadas e são produzidos pela vinícola gaúcha Quinta Don Bonifácio, em Caxias do Sul (RS). No entanto, diferente dos coquetéis e das latinhas da Baroke, os vinhos da Vivant não são carbonatados.

As latinhas de 269ml são vendidas em lojas e empórios do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul e custam cerca de R$ 12.

O Del Sole é uma linha de filtrados elaborados com vinho e suco de uva. Foto: divulgação.
O Del Sole é uma linha de filtrados elaborados com vinho e suco de uva. Foto: divulgação.

Já a Cooperativa Nova Aliança, de Flores da Cunha (RS), entrou no mercado com um filtrado de vinho e suco de uva. O Del Sole começou a ser produzido há menos de um mês nas versões branco e rosé de uvas moscato e niágara branca e rosada, com 4,7% de teor alcoólico.

A escolha do filtrado se deu por uma questão de teste de aceitação, segundo o gerente comercial Fernando Matana. Neste caso o objetivo é explorar o nicho dos enlatados aos poucos, entrando com uma bebida mais leve do que com um vinho puro como a Vivant.

“Acreditamos que se criou uma relação mística do vinho com os jovens, uma coisa distante com muitas barreiras. E o filtrado ao invés do vinho pode ter uma aceitação mais fácil neste começo, mas planejamos envasar também frisantes e vinhos tranquilos depois que o produto se consolidar”, explica.

O Del Sole é vendido em latinhas de 269ml e custa em média a R$ 8, disponível em algumas lojas de Ribeirão Preto (SP), Londrina (PR), Recife, Goiânia e Brasília. A partir de setembro, o Del Sole  chega a Curitiba e ao litoral do Paraná.

Glamour da taça x tendência

Há ainda uma quarta bebida em gestação para o mercado nacional, a caipirinha enlatada Novo Fogo. A bebida produzida pela destilaria paranaense Porto Morretes é vendida apenas nos Estados Unidos, mas tem chance de chegar ao Brasil até o ano que vem. O fundador da marca, Fulgêncio Torres, afirma que a expansão só não foi colocada em prática por conta da alta carga tributária do país e das incertezas da economia. Veja aqui como é a caipirinha enlatada.

Apesar dos sinais de que as pessoas procuram por um consumo descomplicado de coquetéis e vinhos, o consultor de alimentos e bebidas Flávio Guersola afirma que ainda é cedo para avaliar se realmente os drinks e vinhos em lata devem ganhar força no mercado nacional.

“Os dois tipos de bebidas tem certo requinte para o consumidor. Para você ter ideia, na França se vende vinho dentro de embalagens longa-vida, mas é porque a cultura do vinho é muito forte. Já o brasileiro é muito mais acostumado com a cerveja. O drink é algo novo e não tem o mesmo glamour em uma lata”, afirma.

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