A enóloga portuguesa Filipa Pato produz vinhos biodinâmicos na região da Bairrada. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo
A enóloga portuguesa Filipa Pato produz vinhos biodinâmicos na região da Bairrada. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo| Foto: LETICIA AKEMI
A enóloga portuguesa Filipa Pato produz vinhos biodinâmicos na região da Bairrada. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo
A enóloga portuguesa Filipa Pato produz vinhos biodinâmicos na região da Bairrada. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo| LETICIA AKEMI

Filha do embaixador da uva Baga, Luís Pato, a portuguesa Filipa Pato decidiu que aos 20 e poucos anos queria seguir a profissão do pai. Recebeu um sonoro ‘agora não’ e a missão de trilhar o próprio caminho se quisesse se tornar uma especialista no mundo do vinho. Formada em química, buscou nos quatro cantos do mundo maneiras de vinificação que poderiam se encaixar no seu estilo de produzir vinho.

Aos poucos, conseguiu se tornar uma das referências quando se olha para o futuro da viticultura portuguesa. Os rótulos que levam seu nome são premiados e têm notas que passam dos 90 pontos nos principais rankings pelo mundo. No universo de vinhos portugueses onde o uso de mais de um tipo de uva é comum, sua família sempre apostou na Baga. Ela herdou do pai inclusive a paixão pela uva. Brinca que quando criança o pai lhe deva o vinho na mamadeira.

Para ela, a Baga é a varietal que consegue expressar melhor a região da Bairrada, onde trabalha. “São vinhos sem maquiagem e equilibrados. Dependendo muito do vinhedo podem ter vinhas que dão mais notas de fruta vermelha, outras puxam mais para o musgo, na trufa, na folha de tabaco”, explica.

Em 2010 lançou, ao lado do marido, o projeto chamado Vinhos Loucos, em que pode experimentar a vinificação ao extremo, com oxidação de seis anos, por exemplo. O primeiro rótulo chama Bossa (esgotado), em uma homenagem ao Brasil, um dos principais mercados dos vinhos Filipa Pato, com uma venda de aproximadamente 18 mil litros por ano, 15% da produção.

Filipa, sempre sorridente e carismática, esteve em Curitiba em fevereiro para uma degustação de rótulos que ela trouxe para o Brasil. Dentre eles está o Nossa Calcário tinto (R$ 168,12), o branco (R$ 131), além dos célebres espumantes Filipa Pato Brut Rosè 3B (R$ 59,67) e 3B Brut Nature (R$ 76,67). Um pouco antes de apresentar os vinhos, conversou com o Bom Gourmet.

Como continuar o legado do seu pai de embaixador da Baga?
A Baga é uma uva que conquista e é difícil sair dela. Você fica viciado. As vezes digo que meu pai colocou Baga na mamadeira (risos). É a uva mais emblemática da região. Ela consegue transmitir todo o terroir da Bairrada e também se molda à mão humana. Você pode fazer de um só vinhedo duas formas de vinificar e ter dois rótulos completamente diferentes. É uma uva de fato ótima para fazer exprimir o autor e o local.

Os vinhos portugueses geralmente são com mais de uma casta de uva. Mas os seus não. Isso te ajuda ou te prejudica?
Enquanto no Douro tem muitas variedades de uvas, e no Dão também, na Bairrada sempre houve uma tradição de usar 90% Baga. Claro que nas vinhas velhas tem outras castas, como a Periquita e um pouco de Bastardo. Mas a quantidade não passa de 1%. Partimos dessa tradição e a região é única por isso. A Baga também está no Douro, para dar acidez ao vinho do Porto, está no Dão, mas na Bairrada é onde assume um papel protagonista porque ela se dá super bem à região calcária e com o sol, clima que não existe em outras regiões de Portugal. Ela consegue exprimir todas as suas vertentes na região.

E o projeto Vinhos Doidos, como está?
Não parou, ele está em uma fase de hibernação. Os Vinhos Doidos agora realmente vão ser doidos (risos). Nós estamos fazendo vinificações pequenas mas completamente loucas. Deixamos o vinho em ânfora, colocamos outro em pipa para oxidar desde 2010 até 2016 é quando vamos engarrafar. Quero deixar um vinho maturar durante o tempo em que o projeto surgiu. São coisas loucas, mas pequenas edições, tipo 300, 400 garrafas. Coisas completamente loucas. Daqui dois anos vão sair coisas mais loucas.

Como você vê o consumidor brasileiro?
Notamos que há um consumo maior dos vinhos de topo de gama e um crescimento dos vinhos brancos. Sempre fizemos um esforço grande dos vinhos brancos e acho que o brasileiro está encarando um acima de R$ 100. Estão quebrando alguns conceitos antigos formados por má qualidade. O consumidor não é estúpido. Nunca acreditei que ele fosse. Quando começa a experimentar vinhos melhores, compra mais e é assim que funciona.

Qual a importância dos rankings de vinho para você?
Eles são importantes para consolidar a marca. Tivemos boas notas no Parker, na Decanter tivemos 95 com o nosso branco. Tudo isso ajuda, mas não só o Parker. Tem que ser ele, o Decanter, e outros.

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