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Degustação às cegas: brancos italianos

Crítico Guilherme Rodrigues provou 10 rótulos. Conheça os melhores

por Guilherme Rodrigues Publicado em 13/11/2014 às 01h
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Os vinhos brancos italianos fazem cada vez mais sucesso em todo mundo. Além da diversidade de castas e estilos regionais, são amigáveis, perfumados, frescos, joviais e atraentes. Ademais, não pesam muito ao bolso. O único lado menos atraente é que o êxito tenta muitos produtores a apostar na força do nome no rótulo, vendendo a região ou a casta, e não na qualidade do vinho. Casos em que abusam do rendimento dos vinhedos e estabilizações artificiais, resultando em brancos mais aguados e sem muito interesse. Contudo, quando o produtor é consciencioso, os vinhos brilham com as qualidades relata-das acima. São perfeitos no calor e para as festas e comemorações de fim de ano. Versáteis, vão muito bem em coquetéis e também à mesa.

Talvez o mais universal e numeroso seja o Pinot Grigio. A casta branca, com pele acinzentada (daí o nome), é mutação borgonhesa da tinta Pinot Noir. Irradiou-se para o mundo a partir do século 14. Sem excesso de rendimento e bem elaborada, dá um branco de boa cor, frutado, perfumado e de base rica, amigável, sem muita acidez. Em geral os melhores e mais famosos vêm do Alto Adige, Friuli e Veneza.

Outra casta famosa é a Tocai Friulana. Na verdade é a Sauvigonasse, branca da Gironde (Bordeaux), que apesar do nome não é parente da Sauvignon Blanc. Foi levada há séculos ao Friuli. Os produtores emprestaram o nome Tocai, dado sucesso dos brancos húngaros homônimo. Testes de DNA e princípios de regiões demarcadas, baniram a designação “Tocai”, passando a “Friulano”. Acredita-se que muitas das Sauvignon Blanc chilenas e argentinas sejam Sauvignonasse.

A Vernaccia di San Gimignano floresce nos arredores da cidade do mesmo nome, na Toscana, há muitos séculos. Dá vinhos perfumado, refrescantes e vivazes, com notas cítricas.

A Verdicchio Bianco é outra variedade difundida. Originária no Veneto, há séculos adaptou-se na região central italiana, do lado do Adriático. Ali tem o nome de Verdicchio dei Castelli di Jesi. Dá vinhos casuais, de boa acidez, cítricos e mais firmes. A casta denominada Peverella, muito estimada no Sul do Brasil, nada mais é do que a Verdicchio, trazida pelos imigrantes do Trento. Há uma infinidade de outras castas locais, além das universais Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Viognier e assim por diante.

Testamos 10 dos melhores brancos italianos existentes no mercado, a preço abaixo de R$ 150. Apresentamos os seis campeões aos leitores. Os vinhos devem ser refrescados a cerca de 6ºC/7ºC. A prova ocorreu às cegas, em copos numerados. Foi no inspirado Ristorante Salumeria, com o serviço perfeito do sommelier Rodrigo Gerber, seguido de inspirado jantar preparado pelo chef Marcus Biazzetto.

 

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Guilherme Rodrigues é advogado, enófilo, membro de importantes confrarias internacionais. Dedica-se ao estudo e à degustação de vinhos há 25 anos.

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