Bebidas

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Cada drinque tem sua hora

Os especialistas dão a dica: o ideal é separar os coquetéis por ocasião em que devem ser servidos. Para não errar, entenda quais ingredientes combinam entre si e use o copo certo para cada bebida

por Marina Fabri Publicado em 14/02/2013 às 00h
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Às cores e sabores, um brinde! Os coquetéis são o convite ideal para curtir as temperaturas quentes e podem ser servidos nas mais variadas situações. Do churrasco a um jantar mais formal, todos tem sua vez.

Enquanto os drinques que levam espumante e suco de frutas, suaves e coloridos, são perfeitos para dar boas vindas aos amigos e para consumir a qualquer hora. Os mais secos, como um Dry Martini ou Negroni são a opção ideal para servir antes das refeições. Os coquetéis mais doces, em especial se levarem creme de leite ou leite condensado, devem ficar para depois de comer.

“Mais do que separar os drinques ideais para cada estação do ano, devemos separá-los por ocasião em que devem ser servidos, para que a harmonia seja perfeita”, explica o bartender e professor da disciplina de coquetelaria no Centro Europeu Sérgio Bento.

Mesmo assim, alguns elementos têm tudo a ver com os dias de calor por serem extremamente refrescantes – são os que compõem os drinques que podem ser servidos ao longo do dia, independentemente das refeições (mas que podem acompanhá-las sem problemas). É o caso dos coquetéis com sucos de frutas, como o clássico Tequila Sunrise, o mojito e o exótico Japanese Slipper, além das bebidas com chás e espumantes.

Uma alternativa diferente que pode acompanhar as refeições é o Pisco Sour. “É um coquetel leve e uma boa alternativa se você procura um drinque que seja um pouco mais sofisticado do que uma caipirinha”, explica o bartender do Vox Bar, Igor Bispo. Mas como a caipirinha tem lugar especial no coração dos brasileiros, uma opção são as versões com frutas diferentes do tradicional limão.

O especialista em mixologia e instrutor do curso de coquetelaria do Senac-PR, Eduardo Scorsin indica combinações como carambola e caju, caju e acerola e caju e pitanga.

Se a ideia for servir um coquetel antes de um almoço ou jantar, os coquetéis ideais têm características um pouco diferentes. “Drinques com destilados como uísque, vodca, gim e conhaque misturados a vermutes e bitters são os que chamamos de aperitivos, ideais para antes das refeições porque são mais amargos e não alteram o apetite”, explica Julio Romario Pascoal, bartender e representante da Associação Brasileira de Bar­tenders (ABB/IBA) no Paraná.

Para após o almoço ou jantar, reserve os coquetéis à base de licores e cremes, como o Grasshopper – drinque que leva licor de café e de menta, além de creme de leite.

Outro detalhe a ser levado em conta ao servir coquetéis é o copo em que vai cada um deles. Há muitos copos e taças diferentes, mas os principais são o Collins ou long drink (copos altos, com capacidade de até 400 ml); o Old Fashioned (mais baixo, semelhante ao copo de uísque, em geral com a boca levemente mais aberta); a taça Martini (de formato clássico, enviesado), e a flute (fina e alta, para drinques com espumante).

“As taças Martini são para drinques servidos sem gelo e, devido à boca mais aberta, ajudam a melhorar a percepção dos aromas delicados. O Collins e o Old Fashioned são para bebidas servidas com gelo e, às vezes, com canudos – isso ajuda a perceber sutilezas como diferentes densidades do coquetel”, explica Igor Bispo. Apesar de práticos, os copos de plástico e acrílico podem afetar o sabor da bebida.

Para ter em casa

Quem quiser fazer coquetéis em casa pode adaptar os utensílios que já tem na cozinha para a tarefa – por exemplo, é possível usar um copo grande com tampa como coqueteleira. Mas, para quem gosta de preparar drinques e quer tornar o processo mais profissional, ter alguns acessórios básicos pode tornar o trabalho muito mais fácil.

O bartender e instrutor de formação profissional do Senac Carlos Roberto Malaquias, indica ter uma coqueteleira, um mixing glass ou copo de bar (um copo maior, usando para fazer as misturas antes de servi-las no copo pretendido), uma colher bailarina (que tem o cabo maior), um strainer ou passador (parecido com uma peneira, é um objeto usado para separar o líquido do gelo ao despejá-lo da coqueteleira no copo) e um dosador (um copinho, geralmente de 50 ml, com as indicações de medidas, o que torna mais fácil dosar as quantidades).

“Opte sempre por utensílios de inox, que duram mais e não soltam partículas, como os de alumínio, por exemplo”, explica Malaquias.

Uma boa faca para cortar frutas também ajuda. Os objetos podem ser

Mistura

As combinações perfeitas

Para que um coquetel dê certo, é necessário mais do que misturar bebidas sem critério – algumas delas não combinam. No caso das bebidas alcoólicas, por exemplo, é melhor não usar dois destilados no mesmo drinque. “Combi­nações como vodca e rum, gim e vodca, Steinhager e gim não funcionam – ambos são destilados e vão se anular, não vão adicionar sabores à bebida. Já uísque com vermute, por exemplo, pode funcionar”, explica o bartender Sérgio Bento.

Uma forma fácil de inventar um coquetel é misturar três tipos de sucos de frutas e uma bebida destilada, como sucos de abacaxi, caju, uva e gim. O especialista em mixologia, Eduardo Scorsin, sugere fazer coquetéis sempre com até cinco elementos, assim é possível sentir o gosto de todos. “Além disso, é importante balancear os sabores. Um coquetel nunca deve ser doce demais, sempre há uma pitada de amargor que pode ser adicionada com um toque de bitter”, explica ele.

Quando o assunto são coquetéis sem álcool, o raciocínio é basicamente o mesmo – a mistura de sucos de fruta (de preferência naturais, que são mais saborosos e podem até dispensar o uso de açúcar) é a melhor pedida. “Outras possibilidades são usar águas gaseificadas – com sabor ou não –, chás e água de coco nessas misturas. Outra ideia é fazer sua própria água saborizada adicionando frutas picadas em uma garrafa d’água, fica bonito e saboroso”, diz o bartender Roberto Malaquias.

Bata, mexa ou monte

• Batidos

Levam ingredientes de densidades diferentes que precisam ser bem misturados (em geral na coqueteleira), como Pisco Sour e drinques que levem leite condensado ou licores.

• Mexidos

Têm ingredientes de texturas parecidas, como é o caso do Dry Martini, Negroni, Black Russian, que dispensam a coqueteleira para se misturarem.

• Montados

São feitos para aparentar cores diferentes no mesmo copo, por exemplo, como o Grasshopper e o Amor Perfeito.

 

Confira as receitas destes preparos:

  • Rendimento:
Tempo total de preparo:
preparo / não especificado
Veja mais

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Serviço

Associação Brasileira de Bartenders (Paraná) – www.julioromario.com
Café do Paço. Paço da Liberdade, Praça Generoso Marques, 189, Centro, (41) 3234-4210. Centro Europeu – sede Gourmet, Al. Princesa Izabel, 1.300, Bigorrilho, (41) 3324-6669. Vox Bar. Rua Barão do Rio Branco, 418, Centro, (41) 3232-3207.

Lojas/peças das fotos

Roca Utilidades. Rua Visconde de Guarapuava, 1.840, Centro, (41) 3075-9950.

* As fotos da reportagem foram realizadas na sede Gourmet do Centro Europeu.

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