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Em novo endereço

Centenária Mercearia Viana, em Curitiba, produz mais de 5 mil pães por dia

Padaria vende mais de 90 tipos de pães todos os dias – desde às 6h15 da manhã a fila já se forma na porta do estabelecimento. Depois de 111 anos saiu da Cruz Machado

por Marina Fabri, especial para a Gazeta do Povo Publicado em 12/03/2017 às 18h
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Filas frequentes são uma tradição da Viana. Foto: André Rodrigues.

Filas frequentes são uma tradição da Viana. Foto: André Rodrigues.

Onde há uma padaria, há vida — como bem diz o jornalista José Carlos Fernandes, colunista da Gazeta do Povo. E se tem uma padaria que tem muita vida em Curitiba é a veterana Mercearia Viana, com 111 anos de existência completados em 2017. Desde sua fundação, em 1906, quando ainda se chamava Leitaria Viana, a casa mudou de endereço quatro vezes, mas sempre nos arredores da Praça Tiradentes – a quarta mudança, inclusive, foi há pouco. Em meados de fevereiro, saíram pela primeira vez da Cruz Machado, mas estão ali pertinho, na Cândido Lopes.

Se tem uma coisa que nunca muda, porém, é o tamanho da fila que começa a se formar em frente ao estabelecimento já de madrugada – antes das 6h15, quando a Mercearia abre, já tem gente esperando para comprar a broa úmida, broa de milho, ciabatas, broa medicinal, pão caseirão, pão francês ou qualquer um dos outros mais de 90 tipos de pães vendidos por lá. E o movimento segue constante durante todo o dia – quem garante é Thaylline Veronese, filha de Gilmar e Adiair Veronese e segunda geração da família que gerencia o lugar desde 1950. “Vazia, vazia, nunca vi, não”, diverte-se ela.

História

Ela abriu as portas na Tiradentes mesmo, esquina com Cruz Machado (onde hoje funciona uma Farmácia Popular, e onde também já funcionou a loja da antiga Prosdócimo), depois mudou-se para o número 41 da Cruz Machado. Em 1950, quando o estabelecimento foi comprado por Ari Jachalski, avô materno de Thaylline, ele já se chamava Mercearia Viana e não mais Leitaria – e assim ficou. Em 1986, com o falecimento de Ari, Gilmar e Adiair passaram a comandar o lugar. Só em 2002 foram sair do número 41 e foram para o outro lado da rua, no número 12.  E agora, por conta do espaço, estão no novo endereço.

Thaylline e Rudinei com o pão caseirão. Foto: Divulgação.

Thaylline (com o pão caseirão) e Rudinei – ambos são sócios na fábrica da Viana. Foto: André Rodrigues.

“Estávamos há anos em busca de um lugar maior, mas não queríamos sair dessa região – em primeiro lugar pela tradição mesmo, e em segundo, por conta da nossa fábrica, que fica na Saldanha Marinho”, explica Thaylline. Assim que a oportunidade apareceu, pularam para a Cândido Lopes, mas mantiveram as famosas vitrines de pão que chamam atenção de quem passa por ali – talvez um dos segredos do sucesso.

Pães

São mais de 90 tipos de pães e todos são feitos diariamente em quantidades variadas – os tipo italiano, com casca mais dura, são feitos em número menor e, se acabarem, só no dia seguinte. Outros, como pão francês, broa úmida e caseirão, as estrelas da Viana, são repostos durante o dia todo. A cada meia hora, um carrinho elétrico sai da fábrica própria deles levando estoque renovado do francês (por dia, são cinco mil), enquanto os pães maiores são repostos entre oito e dez vezes ao dia. A maioria deles custa entre R$ 2 e R$ 6.

Pães mais populares são repostos durante o dia. Foto: Divulgação.

Pães mais populares são repostos durante o dia. Foto: André Rodrigues.

O mais vendido é o caseirão, único pão da Viana de fermentação natural, feito com fermento de batatinha – o nome é por conta do tamanho mesmo, 1,2 kg. E a história dele é curiosa: há uns 32 anos, Alceni da Silva saiu de Laranjeiras do Sul, no oeste do Paraná, para trabalhar como padeiro na Viana, onde está até hoje. Alceni é afilhado de Isa Veronese, que é mãe de Gilmar e avó de Thaylline. Na mala, trouxe uma receita da madrinha: a do caseirão. Dele, são vendidos mais ou menos 1,5 mil por dia – cada um custa R$ 6.

Família

Desde 2003 a Viana tem sua fábrica própria, e desde 2009 ela é comandada por Thaylline – ela e o marido, Rudinei Tiago de Oliveira (que ela conheceu, inclusive, na própria Mercearia, quando ainda eram adolescentes) são sócios da empresa, enquanto o pai, Gilmar, e a mãe, Adiair Veronese, já aposentada, são sócios da panificadora. “Mas no fundo, todo mundo trabalha em ambas”, explica Thaylline.

Os números da fábrica são quase tão impressionantes quanto a eterna fila da Viana: por semana, são usadas entre 3 e 4 toneladas de farinha. Toda a parte de panificação é feita lá – os únicos produtos que não são fabricamos por eles são os que ficam na parte de mercearia mesmo (laticínios e produtos industrializados). Para fora, a fábrica fornece a broa úmida (a mesma vendida por eles) para o Bar do Alemão – é o pão com o qual é servida a famosa carne de onça.

Serviço

Mercearia Viana, Rua Candido Lopes, 38, Centro – (41) 3222-8992 ou (41) 3223-6198. Abre de segunda a sexta-feira das 6h15 às 19h45 e sábados das 6h15 às 15h.

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