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Profissão cozinheiro

Chefs estrelado viraliza ao desabafar contra clientes que fingem alergias

Nick Bril, do restaurante The Jane, duas estrelas Michelin, na Bélgica, diz que a profissão se tornou mais difícil por causa dos pedidos de mudanças de cardápio

por Bom Gourmet Publicado em 24/07/2018 às 15h
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Um dos chefs mais premiados da Europa viralizou nesta semana ao desabafar contra os clientes, cada vez mais frequentes, que pedem mudanças no menu, apesar de não terem nenhuma alergia ou intolerância alimentar.

chef nick bril belgica

Foto: Divulgação.

Nick Bril, do restaurante The Jane, duas estrelas Michelin, em Antuérpia, na Bélgica, diz que a tendência é tão forte que está causando grande estresse para ele e para a equipe. O desabafo foi publicado pelo chef em seu perfil no Instagram.

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Em um post no Insta Stories, o premiado cozinheiro conta que em seu primeiro serviço após as férias, cerca da metade de seus clientes pediu alterações aos pratos. “Primeira semana após maravilhosas folgas. E foi uma porcaria. Tantos pedidos de ajustes a dietas, restrições, alergias… se tornou impossível”, escreveu.

Today I hit the newspapers, with my insta stories about a trend which has been growing for a few years now. A lot of support from people who know how difficult it is , but also a lot of bad reactions from people who started hating me, even wishing me or a beloved one , an intolerance or allergy. ( really?) People who have an issue, will respectfully tell us in advance, and we are able to adjust this. Yes we can host gluten and lactose allergies. Yes we can take peanuts out of the menu. Yes we can adjust the issues. And we will! But in this matter there is a very fine line between those who suffer, and those who use these issues, because the don’t like to eat certain flavors or think they will not enjoy it, prepared by chefs who want to take amazing and expensive produce to a next level. Or they just want to look nice in their beach clothes during summer. We had all miss- uses of these requests. The extra labor cost, the extra stress in terms of routing, workflow and failures made by our team that creates extra stress with employees.The costs of loss of these products, animals and things that have died , for us to enjoy, just because people want to go to a fine dining restaurant, but just don’t want to dine with finesse. That’s a big difference. Fine dining is ment for people who love gastronomy, who love to explore new flavors, who love to enjoy the richness that our industry offers. But piling up a collection of things that you preferably don’t like to eat, but still want to have a 15 coarse exiting menu, that 15 times needs to be entertaining, flavorful, packed with texture, and sexy and exiting , coarse after coarse is the same like walking on water? Dear followers, fans or people who think i am an asshole speaking openly about this. I hope with this post that the people with issues, understand that me and all my colleagues with respect your demands. And the people who use these intolerance and allergies just to stay in their comfortzone, maybe open up for chefs who invest their lives to prepare en present food in a unique way. With their hearts and soul. Me and my fellow cheffriends are thankfull for making us enjoy our passion again 🙏🏻

Uma publicação compartilhada por Nick Bril (@nickbril) em

O desabafo, claro, dividiu opiniões. Em outro post, Bril teve que precisar seu posicionamento. “As pessoas que têm um problema poderiam nos informar antes para podermos fazer as adaptações. Sim, podemos atender alérgicos a glúten e lactose. Sim podemos tirar os amendoins do menu. Sim podemos fazer alterações. E as faremos!”, escreveu o chef.

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“Mas nessa questão tem uma linha muito sutil entre os que sofrem e os que usam esse problema porque não gostam de alguns sabores ou acham que não vão gostar, que são preparados por chefs que querem elevar produtos fantásticos e caros a outro nível”, continuou.

E finalizou: “Alta cozinha é feita para pessoas que amam a gastronomia, que amam explorar novos sabores, que amam aproveitar a riqueza que a nossa profissão oferece. Mas acumular coisas que você não quer comer e mesmo assim querer um menu com 15 pratos que por 15 vezes exige entretenimento, sabor, textura, prato após prato, é como caminhar sobre as águas”.

De acordo com o site Fine Dining Lovers, no ano passado, outro chef, o australiano Patrick Friesen, do restaurante Queen Chow, em Sydney, fez um post parecido para mostrar a enorme quantidade de pedidos recebidos diariamente em que são solicitados ajustes e alterações como pratos sem glúten, sem lactose, vegetarianos.

“Alérgicos a mariscos que amam molho de ostra. Glúten free que amam glúten ao não ser em um pedaço de pão. Vegetarianos que amam asinhas de frango. Pessoas que dizem comer só peixe mas amam frango. Vocês estão tornando muito difícil para as pessoas que de verdade têm alergias e restrições saírem para comer”, escreveu em seu perfil no Instagram.

Gostando ou não, o crescimento do segmento obrigou os restaurantes a se adaptarem aos novos tempos. O premiado Azurmendi (3 estrelas Michelin), em Bilbao, na Espanha, oferece 18 menus que cobrem todas as alergias e restrições alimentares: glúten free, sem lactose, sem álcool, vegetariano, vegano etc.

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