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Cientistas da Austrália descobrem grama com gosto de salgadinho

Gramíneas como arroz e trigo estão presentes no dia a dia, mas especialistas não recomendam provar qualquer folha

por Guilherme Grandi, especial para Gazeta do Povo Publicado em 05/01/2018 às 19h
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Cientistas da Universidade da Austrália Ocidental fizeram uma curiosa descoberta durante uma pesquisa de campo recente: uma espécie de grama que, além de cobrir os campos onde se desenvolve, também possui um característico sabor de salgadinho de sal com vinagre.

“Alguém lambeu a mão e sentiu o sabor de salgadinho de sal e vinagre”, explicou o pesquisador Matthew D. Barret, em entrevista a uma emissora local de televisão. A descoberta de Barret e Ben Anderson foi durante a classificação de 64 espécies de gramíneas que resultaram em oito novas variedades em locais que antes não haviam sido pesquisados. A planta com gosto de salgadinho é a Triodia scintillans e foi encontrada em uma localidade próxima à Perth, no sudoeste da Austrália, quando um dos cientistas manuseava a planta.

A gramínea australiana foi descoberta por acaso, quando um pesquisador manuseou a planta e lambeou a mão depois. Foto: Ben Anderson/arquivo pessoal.

A gramínea australiana foi descoberta por acaso, quando um pesquisador manuseou a planta e lambou a mão depois. Foto: Ben Anderson/Arquivo pessoal.

Não é algo incomum as gramíneas terem uma secreção ao longo do caule. “Essas gotículas ficam dentro de minúsculos pelos que, se a gente olhar bem de perto e com atenção, consegue ver”, explica a bióloga, mestre em botânica e doutora em Ecologia e Conservação, Juliana Wojciechowski.

No entanto, apesar do curioso gosto, o pesquisador Emer Longo, da empresa curitibana Esalgarden, diz que “ninguém deve sair por aí lambendo capim. Isso porque o estômago humano não é próprio para a ingestão destas plantas, diferente dos bovinos, que possuem um sistema digestivo preparado para isso”.

Juliana explica que os humanos consomem algumas espécies de gramíneas no seu dia a dia sem perceber: arroz, milho e centeio, por exemplo, “são grãos que a gente começou a plantar quando deixamos de ser nômades, são as gramíneas pra alimentação”.

A chamada Triodia scintillans foi encontrada em uma localidade que não hiavia sido pesquisada, no sudoeste do país. Foto: Ben Anderson/arquivo pessoal.

A chamada Triodia scintillans foi encontrada em uma localidade que não havia sido pesquisada ainda, no sudoeste do país. Foto: Ben Anderson/Arquivo pessoal.

Algumas ervas utilizadas para chás também são gramíneas. “A folha do capim-limão a gente faz chá, mas não come. Isso porque ela parece uma serrinha, e a gente corta para poder preparar”, explica a bióloga. A folha do capim-limão tem cristais que podem cortar a língua se alguém resolver lambê-la.

Outro uso que algumas pessoas têm dado às gramíneas é para a produção de sucos naturais. Emer Longo explica que “existem os sucos detox com germinados de trigo e também os brotos, mas não dá para sair por aí fazendo teste de folhinha em folhinha”.

Grama versus PANC

As PANC, plantas alimentícias não convencionais, estão sendo usadas por chefs para incrementar pratos. Na foto, uma porção de peixinho-da-horta empanado. Foto: Leticia Akemi/Gazeta do Povo

As PANC, plantas alimentícias não convencionais, estão sendo usadas por chefs para incrementar pratos. Na foto, uma porção de peixinho-da-horta empanado. Foto: Leticia Akemi/Gazeta do Povo

A nova espécie de grama ainda está sendo estudada, mas, no futuro, pode fazer parte do que é chamado de PANC, ou Plantas Alimentícias Não Convencionais. Ter uma espécie assim, descoberta na Austrália, não é algo fora do comum, uma vez que o país tem grande variedade de espécies de fauna e flora ainda desconhecidas, e um dos ecossistemas mais ricos do mundo.

Mas, ainda é preciso fazer muitas pesquisas sobre estas variedades. Entre as PANC que são parte de outra classificação sem ligação com as gramíneas, há variedades muito usadas no Brasil para a alimentação.

O chef Ivan Lopes, do restaurante Mukeka, por exemplo, frequentemente usa taioba e ora-pro-nóbis em pratos. “Estas variedades, que são bem brasileiras, são usadas em pequenas quantidades”, explica. “Já a grama, acho difícil”, completa.

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