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Tradição

O que faz o Comida di Buteco ser um sucesso nacional há 20 anos

Como funciona o concurso que durante um mês movimenta seis milhões de pessoas em 600 botecos brasileiros

por Marina Mori Publicado em 15/04/2019 às 19h
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Uma receita de sucesso, a julgar pelos 20 anos do Comida di Buteco, começa mais ou menos assim: amigos reunidos na mesa de um bar, copos abastecidos com cerveja gelada e petiscos noite adentro. Depois, uma votação para eleger o melhor boteco da cidade e, então, do país. O concurso que começou há duas décadas em Belo Horizonte, Minas Gerais, hoje está presente em 21 cidades do Brasil e movimenta mais de seis milhões de pessoas a cada edição. O único objetivo da empreitada é  resgatar a culinária de raiz e transformar vidas através dela.

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Foto: Reprodução Instagram / Comida di Buteco

Neste ano, o concurso começou no dia 12 de abril e segue até 5 de maio. Durante três semanas, os brasileiros podem aproveitar o clima de festa em 600 botecos espalhados por todas as regiões do Brasil. Cada um dos estabelecimentos criou um petisco exclusivo, que estará concorrendo ao título de melhor da cidade (e talvez do país!). Em comemoração aos 20 anos do concurso, os pratos serão vendidos ao preço único de R$ 20.

Abril, o mês da cultura de boteco no Brasil

Embora não esteja no calendário oficial, o Comida di Buteco já é considerado tradição para muita gente. “Nosso objetivo é esse mesmo: tornar abril o mês da cultura botequeira no país. Assim como a festa junina, que nasceu do povo e aos poucos entrou no calendário como um festejo popular”, defende Filipe Pereira, um dos sócios e organizadores do concurso.

Ele explica que, muito mais do que estimular os brindes entre amigos, o concurso é voltado à valorização da comida de raiz e das famílias à frente dos bares. Este é, aliás, o primeiro critério de participação no Comida di Buteco – ter um negócio 100% familiar. “Depois, a gente avalia o cardápio, a localização e o atendimento do lugar”.

5 motivos pelo sucesso do Comida di Buteco

Pereira lista algumas das razões pelas quais o Comida di Buteco cresceu tanto ao longo das últimas duas décadas e se consolida, cada vez mais, no calendário dos festejos brasileiros.

1. Comida de raiz

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Petisco feito em homenagem à cidade onde nasceu o concurso, Minas Gerais, do boteco paulista Rancho Vô Joaquim. Foto: Reprodução Instagram / @golegula

Exaltar os sabores brasileiros sem frescura. Quem entende este ponto, entende a alma do Comida di Buteco. “Cada um deles mostra a tradição através da cozinha de raiz. Aqui não tem essa de chef, de gourmet”, brinca Pereira.

O vencedor da etapa nacional de 2018 reverenciou Minas Gerais com seu petisco. “Mineirice, Uai!”, do boteco Rancho Vô Joaquim (Campinas), foi feito com um clássico da comida mineira, a carne de lata. No prato, carne de porco cozida e conservada na gordura, pimenta cambuci recheada com massa de linguiça com provolone e torresmo. Tudo isso servido com cachaça mineira e geleia de pimenta. Quer mais cozinha raiz?

2. Ambiente familiar

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Rodrigo Grandal Domingues (esq.) e a esposa Ledi Godinho, do Dom Rodrigo, comemoram a vitória em 2016, em Curitiba. Foto: Andrea Torrente / Gazeta do Povo

Ser um bar autenticamente familiar – esta é a premissa do Comida di Buteco. E o melhor é que o concurso estimulas as famílias empreendedoras em vários aspectos. Segundo Pereira, o evento é um dos principais responsáveis pelo crescimento econômico dos bares que o integram. Não faltam exemplos de sucesso: donos de boteco que conseguiram comprar carro, casa própria e até bancar os estudos dos filhos no exterior. No caso do curitibano Rodrigo Grandal Domingues, de 55 anos, o êxito resultou em mais qualidade de vida.

Por mais de uma década, ele trabalhou sem descanso de domingo a domingo. Nos últimos quatro anos, mudou o esquema: fecha as portas do Dom Rodrigo, seu boteco em Santa Felicidade, e só abre de segunda a sexta-feira. “Assim dá pra gente aproveitar mais, conhecer outros lugares na cidade e ver no que pode inovar”, diz.

Em 2016, seu estabelecimento recebeu os títulos de melhor bar de Curitiba e terceiro melhor do Brasil. “Antes, era só um boteco de esquina e agora todo dia tem fila de espera. A gente apareceu no programa da Fátima [Bernardes], veio até gente de fora do país conhecer”, conta Domingues.

3. Estímulo à criatividade

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Petisco vencedor de Curitiba em 2018: Bom de Petiscar, do bar Schnaps. Foto: Marta Cavalcanti / Divulgação

A cada ano, os bares têm que criar um petisco único para o concurso. “Isso estimula muito a criatividade e faz com que eles tenham uma expectativa ainda maior a cada edição”, comenta Pereira. A apresentação, o sabor e o uso inédito de ingredientes são critérios que influenciam na decisão.

No “Bomdepetiscar”, do boteco Schnaps (vencedor de Curitiba em 2018), o petisco era formado por uma cesta comestível com costela de boi, enrolado de queijo com tomate e manjericão à milanesa e enrolado de goiabada e queijo. Muita criatividade!

4. Não cobrar dos botecos

A participação é gratuita. Desde que cumpra com os requisitos do concurso, qualquer boteco pode entrar para a competição. Este fator, segundo o organizador do evento, é importante para a democratização do Comida di Buteco.

 

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5. Concurso, não festival

“A partir do momento em que a gente propõe para a cidade que ela participe, gera uma relação mais afetiva. As pessoas têm vontade de votar, de escolher seu bar preferido”, diz Pereira. O Comida di Buteco é o único concurso que elege o vencedor pela votação presencial. Cada cliente que provar o petisco recebe uma cédula de votação no bar e tem que dar sua avaliação no local.

Ao longo dos 24 dias de concurso, todos os botecos são avaliados pelo público e por um júri mantido sob sigilo. O peso dos votos de cada um é de 50%. Além do tira-gosto, que representa 70% da nota, a qualidade do atendimento, a higiene do local e a temperatura da bebida também são avaliadas (têm o peso de 10% cada).

Clique aqui para conferir os participantes de Curitiba e aqui para acessar os concorrentes de outras cidades.

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