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Tradição

É tempo de vindima! Veja como é a colheita das uvas e como participar

Vinícolas paranaenses abrem as portas para comemorar a colheita e o início da próxima produção de vinhos

por Guilherme Grandi Publicado em 07/02/2019 às 16h
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O vinhedo verdinho e carregado de uvas já anuncia: chegou a época das vindimas. É a hora em que as uvas viníferas estão no ponto para serem colhidas — e como isso só ocorre uma vez ao ano, cada safra é comemorada como se fosse um aniversário. Para os vinhedos mais novos é uma celebração ainda maior, já que são necessários pelo menos três anos até que os parreirais comecem a dar os primeiros frutos.

Na Vinícola Araucária os participantes são convidados a pisar nas uvas como antigamente. Foto: Marcel Favery/Divulgação

A tradição europeia de comemorar a colheita atravessou o oceano e chegou com os imigrantes, que celebram tal qual suas origens italianas e francesas. Até mesmo a ‘pisa’, que é como as uvas eram prensadas antigamente, é resgatada na celebração. Claro que este método não é mais usado, mas Francelize Chiarotti, gerente da Vinícola Araucária, em São José dos Pinhais, região de Curitiba, é uma forma de mostrar como o vinho era produzido antes do advento da tecnologia.

“Algumas pessoas acham muito curioso ter que pisar nas uvas para extrair o suco que vai dar origem ao vinho. Quando elas chegam e veem o tanque cheio de frutos, ficam um pouco receosas. Mas depois elas vão lá e acham divertido ‘sujar’ os pés nos frutos”, brinca. Por uma questão de higiene, o suco extraído dessa ‘pisa’ não é usado na produção de vinhos (serve apenas como uma atividade lúdica).

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Foto: Daniele Sanson/Divulgação

Heloísa Merolli, proprietária da Vinícola Legado, em Campo Largo (PR), conta que é a partir da vindima que se consegue definir a qualidade da próxima produção de vinhos. A colheita, tida como um momento de coroação do vinhedo, depende de uma série de fatores climáticos e de trabalho no campo.

“Trabalhamos no vinhedo de agosto a fevereiro, fazendo uma série de atividades diárias de manejo e de cuidados dependendo do produto que queremos”, explica a empresária. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as uvas destinadas à elaboração de vinhos devem ser colhidas seguindo critérios como o ponto de maturação, o teor de açúcar e a acidez do fruto.

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Cada colheita, um vinho

Embora as vinícolas realizem uma grande celebração para marcar a vindima, a data é apenas simbólica. A colheita ocorre durante quase todo o verão de acordo com análises feitas nas uvas, em que os enólogos verificam a maturação do fruto, os níveis de açúcares e ácidos do sumo e até mesmo as condições do solo e do clima.

Justina Fardo, proprietária da Vinícola Família Fardo (em Quatro Barras), explica que a safra deste ano está um pouco adiantada, já que os frutos maturaram antes da hora. Para ela, a colheita já está até passando da hora, mas nada que prejudique o sabor da uva.

“Está bem no ponto de colheita, o calor intenso acelerou a maturação e já deixou a uva para o consumo. Tem que vir logo”, conta. Na vinícola dela não há uma festa específica de vindima, mas as portas estão abertas diariamente para as pessoas colherem uvas.

A maturação ideal ocorre quando os frutos ganham maleabilidade e maciez, e mudam de cor de acordo com a variedade. As uvas brancas passam do verde para um tom levemente amarelado, e as tintas passam para um roxo brilhante, quase azul. É neste ponto que os níveis de açúcares e de frutose aumentam e a tornam pronta para a colheita.

“O plantio das uvas ocorre no início da primavera, em meados de setembro, e só vai frutificar e chegar no ponto ideal entre meados de janeiro e março. É só a partir disso que começa a produção do vinho”, explica Francelize Chiarotti.

Há ainda as colheitas especiais de vinhos mais raros e caros, normalmente fora do período de vindima. Os rótulos fortificados, por exemplo, são produzidos com as uvas extra maduras ou começando a se desidratar na videira. Depois, os frutos são levados para o processamento, fermentação e maturação. Os brancos são os primeiros a saírem, em torno de 7 a 8 meses após a colheita. Os tintos passam por um envelhecimento que pode durar em torno de dois anos ou mais, e os espumantes mais tempo ainda, de acordo com o método de produção.

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Rota

Vinícolas do Paraná preparam programação especial para comemorar a vindima. Veja quais são elas:

Vinícola Legado

A vinícola tem 4,8 hectares de vinhedos. Foto: Daniele Sanson/Divulgação

O quinto ano de festa da colheita terá um passeio acompanhado por técnicos e especialistas da vinícola. Os participantes receberão um kit com os apetrechos necessários para a atividade, um brinde na chegada ao vinhedo e um piquenique com queijos, frios, saladas e pães.

Dias 9 e 10 de fevereiro, às 10h e às 15h30. Os ingressos custam R$ 105 por pessoa (menores de 12 anos pagam R$ 45) e podem ser reservados pelo (41) 99199-9744. A Vinícola Legado fica na Rodovia Engenheiro Raul Azevedo de Macedo, 5.800, em Campo Largo, Paraná.

Vinícola Araucária

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Foto: Divulgação

Os participantes são recebidos com um brinde do espumante da vinícola, uma explicação sobre a vindima e a entrega do kit para a colheita da uva. Depois é realizado um passeio pela área de produção dos vinhos e encerra com um almoço no restaurante da vinícola.

Dias 23 e 24 de fevereiro, com cinco horários a partir das 9h30. Os ingressos custam R$ 270 por pessoa (menores de 12 anos pagam R$ 135) e podem ser reservados pelo telefone (41) 99640-0606. A Vinícola Araucária fica na Rua Aparecida Góes de Paula, 1.300, em São José dos Pinhais, região de Curitiba.

Vinícola Franco Italiano

A vinícola não tem vinhedos em Curitiba, mas nem por isso deixará de lado a Vindima. Ao longo de fevereiro, o local terá eventos como palestras e degustações sobre o mundo dos vinhos. No sábado (9), serão realizados cursos rápidos e uma degustação vertical de diferentes safras do rótulo Censurato Cabernet Sauvignon, dos anos de 2008, 2011 e 2015.

Já no dia 16, os enólogos da vinícola ministrarão uma aula de harmonização de vinhos e alimentos. Por fim, no dia 23, o curso terá a degustação de três rótulos tintos na adega subterrânea acompanhado de um almoço no restaurante.

As aulas são gratuitas e o almoço custa R$ 73 por pessoa. Informações no (41) 3621-1211.

Vinícola Família Fardo

Não festa especial, mas a vinícola abre as portas diariamente para quem quiser colher uvas para degustação. O passeio custa R$ 30 por pessoa, sem limite de frutos colhidos. Das 10h às 16h na BR-116, KM 69, número 550, em Quatro Barras, no Paraná. Informações pelo (41) 3672-1693.

 

 

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