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Concurso elege os melhores queijos artesanais do Paraná

Competição vai premiar os cinco melhores queijos artesanais do Paraná produzidos por produtores rurais; dentre os critérios para se inscrever está a produção própria do leite

por Talita Boros Voitch Publicado em 18/09/2017 às 12h
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Identificar a produção de queijos artesanais do Paraná, promovendo assim a cultura alimentar rural do estado. Este é objetivo do concurso que está sendo promovido pelo Instituto Emater e vai premiar os cinco melhores queijos paranaenses. A ideia é mostrar a qualidade da produção de queijos do estado e, futuramente, ajudar na obtenção de selos de identidade geográfica, como acontece em Minas Gerais.

Canastras fabricados em três fazendas diferentes: o Canastra do Cláudio é da Fazenda São Bento e o Capim Canastra é feito na Estância Capim Canastra, ambos em São Roque de Minas (MG) e queijo da Aprocame, da cidade de Medeiros (MG). (Foto: Alexandre Mazzo/Gazeta do Povo) Queijos artesanais do Paraná

Queijos mineiros da Canastra fabricados em três fazendas diferentes: o Canastra do Cláudio, da Fazenda São Bento, e o Capim Canastra, da Estância Capim Canastra, ambos de São Roque de Minas; e o queijo da Aprocame, de Medeiros (MG). Foto: Alexandre Mazzo/Gazeta do Povo

Embora seja uma tradição, a produção de queijos artesanais curados no Paraná não é mapeada. Não há informações sobre o número de agricultores que produzem queijo ou a qualidade de cada produto. Muitas vezes toda a produção é consumida entre a própria família e amigos próximos dos produtores. Alguns são comercializados entre a vizinhança, de forma não oficial.

O queijo mineiro artesanal é registrado como patrimônio imaterial brasileiro. Sua produção segue algumas normas e leis estaduais para obter essa classificação. O queijo produzido em Minas Gerais precisa ser feito a partir de mão de obra familiar, em baixa escala e com utilização de leite cru, por exemplo. Dependendo da região, o produto precisa ser maturado entre 14 e 22 dias.

No Paraná isso não acontece. “Muitos desses queijos não têm registro ou inspeção sanitária. Queremos mesmo identificar e evidenciar a presença desse tipo de queijo tradicional no estado e mostrar que é um produto de qualidade e com valor cultural”, afirma Reni Denardi, técnico do setor de Negócios e Mercados da Emater, responsável pelo concurso.

A Lei 7889 prevê que alimentos com circulação nacional precisam de registro no ministério da Agricultura para obterem o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF). A legislação é rigorosa e questionada por produtores e chefs de cozinha que a consideram “engessada”.

Um exemplo dos entraves burocráticos da legislação sanitária ocorreu neste fim de semana, quando a chef Roberta Sudbrack teve 160 kg de queijo e linguiça apreendidos por fiscais da vigilância sanitária do estado, durante o Rock in Rio. A justificativa foi que os produtos da chef possuíam apenas o certificado Serviço de Inspeção Estadual, só poderiam ser comercializados no estado onde foram produzidos, e não o selo de inspeção nacional.

 

Critérios do concurso

O concurso terá sete etapas regionais, que começam em outubro para os produtores da região de Pinhão, no Centro-sul do estado, e de Francisco Beltrão, no Sudoeste. Em cada etapa serão selecionados três produtores, que irão competir na final em julho de 2018. Os cinco melhores queijos do estado serão premiados.

As inscrições para as duas primeiras etapas já estão abertas e podem ser feitas até o dia 5 de outubro nas unidades municipais da Emater ou pelo e-mail concursoqueijo@emater.pr.gov.br. Não há cobrança de taxas. Na data do concurso, o produtor deve entregar uma peça para avaliação e degustação da comissão julgadora, que avaliará sabor, aroma, consistência, textura, cor e apresentação.

Para participar da competição é preciso atender a alguns critérios. O primeiro deles é produzir o queijo com leite do próprio estabelecimento rural em que vive. Também é exigida a aplicação de boas práticas no processamento do queijo. O participante deve possuir rebanho devidamente vacinado e livre de enfermidades, com atestado sanitário. O queijo não pode apresentar aditivos artificiais como conservantes e corantes e ter pelo menos 20 dias de maturação.

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