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Santa Felicidade

Corrida de garçons agita Manoel Ribas na segunda (14)

Mais de cem profissionais terão que correr 350 metros sem derrubar conteúdo da bandeja -- e com os braços para trás

por Flávia Schiochet Publicado em 13/08/2017 às 18h
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Os obstáculos diários da profissão de garçom são tempo e equilíbrio. Ambas serão levadas ao liminte na segunda (14), às 9h, quando acontece a Corrida de Garçons, em Santa Felicidade. As inscrições para participar estão encerradas, mas quem quiser acompanhar a prova pode assistir gratuitamente. Mais de cem profissionais se reúnem em frente ao restaurante Casa dos Arcos para o início da comemoração do dia do garçom, oficialmente em 11 de agosto. A segunda-feira é o dia escolhido para a festa pois é quando muitos restaurantes, bares e lanchonetes não funcionam e os garçons estão de folga.

Edição de 2009 da Corrida de Garçons era na Boca Maldita. Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Edição de 2009 da Corrida de Garçons era na Boca Maldita. Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

A confraternização dos “atletas da bandeja” é promovida por Edilton Stival, ex-garçom que começou a organizar a edição de Santa Felicidade há 15 anos. “Quando comecei, foram 90 pessoas. Neste ano tivemos 350 inscrições, mas não é todo mundo que participa da corrida. Mais da metade vão só para o almoço”, conta Stival. As categorias são divididas entre masculino até 35 anos, masculino entre 36 e 55 anos, masculino acima de 56 anos e feminino aberto. Os competidores são divididos em grupos de seis para as baterias de corrida para melhor serem avaliados.

São aproximadamente 350 metros em que o profissional tem de equilibrar a bandeja e manter o outro braço para trás, como manda a etiqueta. Nesta edição, eles precisam equilibrar um caneco de chope cheio, um copo de água e uma garrafa de água. Os três primeiros colocados em cada categoria recebem prêmios em dinheiro (R$ 400, R$ 300 e R$ 200, respectivamente), troféu e medalha e os primeiros lugares ganham um kit chope, com um barril de cinco litros.

Dicas do veterano

Com uma noite garantida de sono e experiência de sobra, Ulisses Prado está animado para a competição.“A cada dez metros da corrida tem um fiscal anotando se você colocou o braço para frente”, conta Prado. Campeão 22 vezes, desde a época em que a organização da corrida era na Boca Maldita e realizada por outros organizadores, Ulisses conta parte de sua estratégia: “Vou colocar o caneco de chope na frente, a garrafa de água bem centralizada na bandeja, como se estivesse na palma da mão, e o copo atrás. Mais que isso não vou contar”, diverte-se.

Ulisses Prado, campeão por mais de 20 vezes na Corrida de Garçons, contando as edições organizadas por Stival e outros. Foto: Tribuna PR/Arquivo

Ulisses Prado, campeão por mais de 20 vezes na Corrida de Garçons, contando as edições organizadas por Stival e outros. Foto: Tribuna PR/Arquivo

Desde 1976, Ulisses corre meia maratona e atualmente, com 60 anos de idade e 37 trabalhando no Tortuga Bar, ele faz uma hora e meia de musculação, além de ser professor de corrida. Treinou, inclusive, algumas colegas mulheres, que saíram vitoriosas da Corrida do Garçom. “Uma cozinheira que eu treinei venceu oito vezes. Há uns quatro anos, treinei uma garçonete novata que ficou em primeiro lugar”, conta. O segredo não é cruzar a linha de chegada — que fica na altura do restaurante Don Antônio — primeiro: é chegar com o conteúdo da bandeja intacto. “Teve uma vez que derrubei tudo logo na largada”, recorda Ulisses.

Dificuldades da profissão de garçom

Para o profissional, os paralelepípedos da Av. Manoel Ribas não são o maior desafio, e sim o movimento nos bares, que ele registra ter caído desde os anos 1990. “Para a gastronomia, menos clientes significa menos garçons”, lamenta. Stival, que foi garçon desde a adolescência, observa que o mercado está exigindo profissionais mais versáteis: “Tem que seguir a tecnologia e se aperfeiçoar. Hoje é possível fazer uma faculdade de gastronomia para entender mais, aprender novas línguas gratuitamente com auxílio do sindicato. O aumento do número de bares e lanchonetes também aumenta o mercado para garçons”, analisa Stival.

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