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Entrevista com Dani Noce, ícone da confeitaria fofa

Referência na internet, ela virou celebridade por apresentar desde receitas elaboradas até preparos que deram errado

por Priscila Bueno, especial para a Gazeta do Povo Publicado em 20/08/2015 às 22h
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Se você ama sobremesas, já topou com ela em um blog, site, vídeo no Youtube ou até mesmo na seção de Gastronomia das livrarias. Se você já pensou em matar por uma sobremesa – usando o trocadilho do seu primeiro site I Could Kill for Dessert – certamente a conhece. Danielle Noce pode ser considerada o atual ícone da confeitaria. Com modos delicados – às vezes até meio atrapalhadinha e um tanto divertida –, ela conquistou desde quem quer aprender a fazer doces até quem já tem conhecimento e quer aprender mais dicas.

Foto: divulgação

Dani Noce estará em Curitiba no sábado, 22, em dois eventos. Foto: Divulgação

Ela se autointitula estilista por formação, youtuber por profissão e confeiteira por amor. Dani estudou no Centro Europeu e em Lenôtre, na França, uma das escolas mais conceituadas da área. Não fica envergonhada em dizer que já errou algumas receitas (aliás, o caso do bolo de churros foi hilário e o de chocolate não ficou atrás), e defende a métrica correta, imprescindível na confeitaria.

A moça esteve em Curitiba no dia 22 de agosto para uma sessão de fotos e autógrafo do seu livro “Por uma vida mais doce” na confeitaria Caramelodrama e também para participar da 5.ª edição do Curitiba Social Media, um dos principais encontros de especialistas e amantes das mídias sociais. Ela representa bem esse momento na internet. Tem mais de 277 mil seguidores no Instagram, mais de 17 mil no Twitter e mais de 565 mil inscritos no seu canal no Youtube. Seu painel no evento começa às 19 horas. Confira a entrevista que ela concedeu por telefone exclusivamente ao Bom Gourmet:

Você acredita que a internet – e todas as suas ferramentas, como as redes sociais e canais de vídeo – acabou ajudando a popularizar a culinária de modo geral?
Eu acho que acaba ajudando a compartilhar o conhecimento. No Brasil tem essa coisa de não dividir a receita. A receita não é um patrimônio seu, é do povo. Esses tempos atrás fiz uma receita de Cartola (doce nordestino) e foi muito louco porque algumas pessoas disseram que o faziam de uma forma diferente. O Brasil é muito grande e tem preparos diferentes. Eu gosto de gerar essa discussão.

Você é uma pessoa multitarefa. O livro “Por uma vida mais doce” (Editora Melhoramentos, 2014) acabou sendo algo natural?
Eu tive que parar por três meses e me concentrar totalmente nele. Foi bem pesado. Já estamos pensando em um segundo livro. O tema ainda é segredo, mas terá menos receitas. No primeiro foram 170 e nesse vamos trabalhar com 100. Serão receitas fáceis para o dia-a-dia e também mais elaboradas. Queremos atingir os dois públicos.

Você acreditava que o livro faria tanto sucesso (ela já ultrapassou a terceira edição)?
Ele surpreendeu bastante, mesmo porque é caro para um livro de gastronomia (está na faixa de R$ 100). Mas continuamos vendendo. Em dezembro chega uma nova leva.

Você trabalhou de perto com a confeitaria francesa. O que a francesa poderia acrescentar à brasileira?
As medidas na confeitaria francesa são muito certas. No Brasil é mais complicado porque você pega uma receita de mãe e tem lá copos, pratos. Isso não existe. Um copo pode ter 200 ou 300 ml. Eu gosto de trazer essa métrica. Teve um bolo de cenoura que a gente “metrizou” e tem gente que agradece até hoje.

Para ser um bom confeiteiro você acredita na dupla precisão e criatividade?
A métrica é importante, mas você deve arriscar. Se arriscar e errar não tem problema. Mesmo quando dá errado, nós colocamos o vídeo. A maioria das receitas a gente testa antes de ir ao ar, mas às vezes vamos na certeza de que vamos acertar. A receita que mais me deixou chateada foi a do bolo churros. Mas, o bolo estava quente e o doce de leite era mais mole do que pensamos (ri).

Como é sua relação com os fãs?
É engraçado porque eles são calmos, são mais tímidos. Não tem essa coisa de chegar chorando, tremendo. Tive poucos casos em que as pessoas chegaram chorando. Mas, aí como eu sou manteiga derretida, acabo chorando junto.

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