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tradição culinária

Doces de Pelotas (RS) são declarados patrimônio imaterial brasileiro

Na lista entram marmelada, quindim, pessegada, camafeu e figo em calda

por Bom Gourmet, com agência Estadão Conteúdo e colaboração de Anderson Hartmann Publicado em 16/05/2018 às 14h
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As “Tradições Doceiras da Região de Pelotas e Antiga Pelotas“, no Rio Grande do Sul, foram declaradas nesta terça-feira (15) patrimônio imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Dentre os doces, divididos entre finos e coloniais, estão a marmelada, o quindim, a pessegada, o camafeu e o figo em calda. Além de Pelotas, eles são produzidos nos municípios gaúchos de Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu.

Conheça as tradições doceiras de Pelotas e arte de tecer gemas

doce de pelotas

Trouxinha Nozes um toque de doce de ovos.

Com a decisão, as “Tradições Doceiras” serão inscritas no Livro dos Saberes nacional. “Mais do que simples quitutes, eles representam um importante contexto histórico e cultural que elevam seu significado para além da função de alimento”, informou o Iphan.

De origem majoritariamente portuguesa, os doces também têm influência da imigração de africanos, alemães, franceses e espanhóis, dentre outros, no século 19. “Essas tradições, nascidas da combinação do sal com o açúcar, se articularam na formação da sociedade local e se integram em processos mais amplos, relativos à constituição da fronteira meridional brasileira e à construção simbólica da nacionalidade, processos nos quais se fazem presentes temas sensíveis como a escravidão, o acesso à terra, a imigração, dentre outros”, divulgou o Iphan.

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Entre 2006 e 2008, os doces da região foram inventariados pelo Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Atualmente eles passam por um processo de certificação de origem da Associação dos Produtores de Doces de Pelotas.

Os famosos quindins tecidos em gemas de ovos.

O pedido de registro foi feito pela Secretaria Municipal de Cultura de Pelotas e pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Pelotas (CDL). De acordo com nota divulgada pelo Iphan, o “registro das ‘Tradições Doceiras’ tem por finalidade reconhecer e valorizar bens de natureza imaterial em seu processo dinâmico de evolução, possibilitando uma apreensão do contexto pretérito e presente dessas manifestações em suas diferentes versões”.

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  • doces de pelotas
  • Doces de Pelotas. Foto: Yara Diniz/Divulgação.
  • doces de pelotas
  • Doces de Pelotas - Fotos Gustavo Mansur
  • doces de pelotasDoces de Pelotas. Foto: Yara Diniz/Divulgação.
  • Doces de Pelotas. Foto: Yara Diniz/Divulgação.Doces de Pelotas. Foto: Yara Diniz/Divulgação.
  • doces de pelotasDoces de Pelotas. Foto: Yara Diniz/Divulgação.
  • Doces de Pelotas - Fotos Gustavo MansurDoces de Pelotas. Foto: Gustavo Mansur/Divulgação.

Conjunto histórico de Pelotas

Além dos doces, também o “conjunto histórico”  do município de Pelotas (RS) foi reconhecidos como patrimônio nacional. A decisão foi tomada na 88ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, ligado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O Conjunto Histórico de Pelotas passa a ser considerado Patrimônio Cultural Brasileiro. Ele reúne a Chácara da Baronesa (atual sede do Museu da Baronesa), a Charqueada São João (de 1810, onde foi filmada parte da minissérie “A Casa das Sete Mulheres”, da TV Globo), o Parque Dom Antônio Zattera e as praças José Bonifácio, Coronel Pedro Osório, Piratinino de Almeida e Cipriano Barcelos.

Segundo o Iphan, o conjunto tem “significativo valor histórico, artístico e paisagístico“. Por isso, poderá ser inscrito em três livros de tombo: “Livro do Tombo Histórico”, “Livro do Tombo de Belas Artes” e “Livro do Tombo Arqueológico”, etnográfico e paisagístico.

“Juntos, apresentam valor histórico diretamente relacionado a, pelo menos, dois momentos de desenvolvimento econômico regional: o do charque (1800 a 1900) e o do início da industrialização (1900 a 1930)”, informou a instituição.

O conjunto reúne remanescente da arquitetura colonial luso-brasileira e, também, de arquitetura eclética. “A riqueza do charque permitiu o desenvolvimento de uma arquitetura eclética de alta qualidade, com manifestações significativas que chegaram às duas primeiras décadas do século XX. Em seu tempo, a qualidade urbana e arquitetônica de Pelotas foi complementada e potencializada com ações pioneiras de embelezamento, abastecimento e saneamento urbanos, o que pode ser constatado pelo desenho das praças públicas, pelo conjunto de caixa d’água e chafarizes do século XIX e pelo urbanismo sanitarista do início do século XX”, divulgou o Iphan.

 

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