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Só 11 food trucks podem servir comida

Segundo a Prefeitura, outros 12 estão em fase de regularização, mas truckeiros reclamam da burocracia para conseguir a documentação

por Bruna Covacci e Andrea Torrente Publicado em 17/06/2016 às 21h
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food truck curitiba big bear burger

Big Bear Burger é um dos food trucks que conseguiu se regularizar na Prefeitura. Foto: Antônio More/Gazeta do Povo.

ATUALIZADO NO DIA 5 DE JULHO*

Dos cerca de 160 food trucks que circulam por Curitiba, apenas onze estão licenciados pela Prefeitura, ou seja têm permissão para servir comida em eventos particulares e, futuramente, em locais públicos. De acordo com a Secretaria de Urbanismo, outros 12 já solicitaram a liberação e os pedidos estão em fase de análise. Segundo a Associação Paranaense de Food Trucks (APFT), que conta com 50 associados, há cerca de 160 caminhões na capital paranaense.

De acordo com informações do secretário de Urbanismo ao Bom Gourmet, os food trucks já licenciados são: Big Bear Burger, Jacks Burger, Mulher Massa, Sugar to Go, Totopos, King Fries, King Açaí, Witt Burger, Mississipi on Fire, Pantucci. * No dia 16 de junho, depois do fechamento da reportagem, mais um food truck conseguiu a licença sanitária para servir comida, o Jhow Burger.

Os 12 que estão em fase de regularização são: My Way, Bravus Burger, Altman Gastronomia, Partiu Temaki, Yakifast, Savana Truck, Sudnai Food Truck, Shivas Burger, Kombera, Espetit Sabores de Rua, Bom Strudel, Hawara Kebabe.

O baixo número de veículos regularizados se explica, segundo os empresários, pela burocracia e pela demora do poder público em analisar os pedidos. Em novembro de 2015, a Prefeitura abriu o cadastro para permitir o agendamento da inspeção dos veículos e das cozinhas fixas que funcionam como base para estocar e manipular os alimentos. A concessão de alvará envolve as secretarias municipais do Urbanismo, Abastecimentos, Turismo, Finanças, Meio Ambiente, Trânsito e Saúde (Vigilância Sanitária). “É uma burocracia muito grande, demorei quatro meses, entre a papelada da Prefeitura e da Vigilância Sanitária, para conseguir me licenciar”, afirma Felipe Augusto Tezelli, proprietário do Big Bear Burger, um dos food trucks que já têm alvará.

No entanto, apesar da situação indefinida para a maioria dos trucks, eventos particulares de food trucks, pelos quais também é preciso o alvará, são realizados regularmente em Curitiba. Em fevereiro, Antônio Tanaka, vice presidente da APFT, havia alertado sobre a situação dos caminhões que, “trabalham na ilegalidade, com riscos para o consumidor”. A Secretaria de Urbanismo informou à reportagem que entre abril de 2015 e maio deste ano, foram efetuadas 54 notificações relativas a food trucks sem licença, sendo cinco durante eventos. No mesmo período, foram também efetuados 12 autos de  infração no valor de R$ 759,28.

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Licitação

A Prefeitura lançou, no início de junho, o edital de licitação que define pontos públicos e horários em que os food trucks poderão estacionar, mas para isso devem primeiro estar licenciados. Ao todo são 71 vagas lançadas pelo Urbanismo em 20 locais, entre parques, praças e ruas da cidadania. Em tese, os primeiros caminhões estarão nas ruas em agosto. Porém, mesmo regularizado, Tezelli diz que não participará da licitação: “Vou continuar trabalhando em eventos particulares. Os locais públicos escolhidos pela Prefeitura são ruins, não passa gente, e as taxas cobradas são caras”. A própria APFT disse que há o risco de nenhum truckeiro participar da licitação, se o edital não sofrer alterações.

O texto que define locais públicos e horários gerou fortes críticas por parte dos empresários que, nesta semana, fizeram uma carreata e um buzinaço em frente à Prefeitura. Por um lado, o número de vagas estabelecidas pelo poder público é menos da metade dos trucks em circulação. Por outro, até esta sexta-feira (17), o número de caminhões licenciados não é suficiente para preencher todas as vagas da licitação. Segundo o secretaria, podem participar da licitação também os truckeiros ainda não licenciados. A Prefeitura vai avaliar a documentação só num segundo momento e até lá o empresário terá o tempo para conseguir a o alvará.

A elaboração do edital foi feita com a participação de associações e sindicatos, numa ampla discussão sobre pontos que poderiam gerar conflito. O decreto também não foi feito apenas pelo poder público. Foi trabalhado junto com as entidades de comércio estabelecido e food trucks”, afirmou o secretário de Urbanismo, Reginaldo Cordeiro, nesta semana ao Bom Gourmet. Para tentar superar o impasse, uma nova reunião entre a Prefeitura e os empresários deve ser realizada na semana que vem.

 

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