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Falta de segurança mata bares na Sanfra, mas há quem resista

Samba, Pastel e Birita e Negrita Bar fecham as portas no domingo (20) com festa na rua

por Flávia Schiochet Publicado em 11/05/2018 às 18h
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Aos poucos, a diversidade gastronômica que nos últimos anos havia se instalado na Rua São Francisco, no centro de Curitiba, vai minguando. A conhecida falta de segurança da região levou, nessa semana, dois estabelecimentos a anunciar o encerramento das atividades.

O Samba, Pastel e Birita informou em sua página do Facebook no dia 3 de maio o fechamento da casa. Uma semana depois, o Negrita Bar fez anúncio semelhante. A nota foi publicada na tarde desta sexta (11) informando que a casa funcionará até o domingo (20), quando a pastelaria e o bar latino farão uma festa de encerramento em frente aos seus estabelecimentos, na Rua São Francisco.

Negrita anunciou na tarde do dia 11 de maio que encerra as atividades na Rua São Francisco. Casa segue funcionando junto ao Botanique. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

O Samba Pastel e Birita funcionou por um ano no endereço, enquanto o Negrita completaria quatro anos em agosto. Ambos tinham seus balcões próximos à calçada, onde a maior parte da clientela ficava. O movimento de “ocupar a rua” surgiu com a construção da Praça de Bolso do Ciclista por voluntários na esquina das ruas São Francisco com a Presidente Faria durante o ano de 2014.

Aos poucos a rua começou a ser frequentada por mais gente à noite que durante o horário de almoço. Restaurantes tradicionais como o São Francisco, Nonna Giovanna e Mikado passaram a dividir espaço com bares. O Jokers não era mais a única “casa noturna”. Com o movimento à noite, notou-se o desenvolvimento da dinâmica similar à da Rua Trajano Reis, no bairro São Francisco: ponto de venda e consumo de drogas, vandalismo e “conflito de classes”, segundo nota do Negrita.

A partir da abertura dos bares próximos à Praça de Bolso do Ciclista, a Rua São Francisco passou a ser frequentada mais à noite que de dia. Foto: Daniel Castellano/Arquivo Gazeta do Povo

A partir da abertura dos bares próximos à Praça de Bolso do Ciclista, a Rua São Francisco passou a ser frequentada mais à noite que de dia. Foto: Daniel Castellano/Arquivo Gazeta do Povo

“Estávamos em um espaço que não era nosso e houve um retorno, uma repulsa. O ideal era uma convivência amigável, cada um com seu público, mas isso não existiu. Houve muito embate e dificuldade. O público consumidor acabou se afastando, não queria conviver com alguns grupos sociais”, explicou Patrícia Bandeira, proprietária do Negrita Bar. O bar latino opera normalmente até o dia 20 de maio. O cardápio do Negrita continua sendo servido no Botanique.

Os conflitos são efeitos colaterais do compartilhamento do espaço público e não são novidade na rua. No final de 2016, um dos sócios do recém-aberto Capivara Vegetarian foi ameaçado de morte por traficantes e seu estabelecimento foi depredado. O acontecimento afetou o movimento da rua nas semanas subsequentes, que diminuiu consideravelmente.

“Curitiba não tem uma bagagem de usar o espaço público de forma democrática. Revéillon e carnaval na rua acabam em conflito. Isso se reflete no movimento dos bares porque eles proporcionam a divisão do espaço público”, analisa Rafael Fusco, sócio proprietário do Pizza, que abriu em 2015 uma unidade na Rua São Francisco.

A pizzaria que vende pizza em pedaços é um dos estabelecimentos gastronômicos que ainda resistem na região. A loja fica no trecho de cima da Rua São Francisco, que cruza a Rua Barão do Serro Azul, que nunca sofreu os mesmos problemas que a quadra de baixo. No lugar funciona também o Bar do Fogo, que no ano passado reabriu após passar por uma reforma, e a hamburgueria Chico Burguers.

Em suas notas de esclarecimento, tanto o Samba Pastel e Birita quanto o Negrita Bar apontaram a insegurança da rua como um motivo para tomar a decisão. “Ainda falta muita política pública para resolver os problemas de segurança da nossa região”, escreveram os empresários Gil Preto e Luis Giusti, do Samba, Pastel e Birita. O Negrita, por sua vez, elencou “falta de apoio do poder público, a alta criminalidade, questões financeiras”.

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