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Experiência

Surpresa! Brasileira encontra caldo de cana em feirinha de rua na China

A brasileira Valéria Vicenti, ex-proprietária de restaurante japonês, conta a sua experiência gastronômica asiática

por Valéria Vicenti, de Chengdu, na China, especial para Bom Gourmet Publicado em 15/12/2018 às 07h
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Domingo que é domingo é dia de feira, para nós, seja em qual país estivermos, com direito a caldo de cana e pastel, se assim a gastronomia do país nos permitir … E o mais legal, que feira que é feira em qualquer lugar do mundo, porque desde a da “dona xepa” à feira lá da rua de casa no Brasil. Gritaria, muvuca, carrinho passando no pé, e todo mundo desejando comprar aquilo que você quer, uma bagunça divertidíssima, uma vizinha “fofocando” um pouquinho com a outra, e uma outra reencontrando uma outra, um evento social, com certeza!

E por que você acha que na China seria diferente? Impossível!

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  • Foto: Valéria Vicenti
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Passear pelas feiras livres de Chengu é traduzir em ingredientes a gastronomia local. A pimenta é uma das grandes estrelas do cardápio, assim, nas feiras você encontra uma variedade imensa delas, em diferentes cores, nomes, in natura ou em pó, em cestos lindos que juntos parecem arte, um espetáculo à parte que remete naturalmente ao selo de Chengdu.

Tem para todos os paladares, das nossas conhecidas no Brasil, àquelas inimagináveis,  que pela intensidade do perfume sentido na barraca passam queimando tudo, do corpo à alma. Nós ainda somos conservadores, pegamos um pouquinho de cada, e vamos utilizando aos pouquinhos na nossa culinária, ainda em adaptação, mas para eles, é um gênero de primeira necessidade pela quantidade e variedade que levam em suas sacolas, bonito de ver, curioso de sentir.

Por aqui tudo é extremamente fresquinho, parece ser possível até sentirmos o orvalho que ainda pousa nas verduras e legumes, as barracas são arco-íris de cores vibrantes, tudo parece ter sido colhido naquele instante, prontinho para ser levado da terra para a panela.

E neste momento você deve estar se perguntando: mas, e o preço? Nada acima dos preços praticados no Brasil, com uma vantagem, para as frutas consideradas mais exóticas no Brasil, o preço é muito menor, vide a pitaia, que se comparado, não custo a/3 do preço encontrado nos maiores centros consumidores.

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Agora falando em fresquinho, é pitoresco encontrar os diversos e mais variados tipos de peixes, pulando dos baldes. Os bois, os patos, os franguinhos e porquinhos ficam juntinhos, todos pendurados, com seus cortes específicos, prontos para serem embrulhados e levados para darem um toque especial no cardápio de domingo.

Esse tipo de comércio, para nós brasileiros, assusta um pouquinho, já pensamos na vigilância sanitária, nas regras, procedimentos. Mas aqui, uma certeza de comida boa e saudável exala no ar. É estranho, por um lado nos parece vulnerável, por outro, nos dá vontade de comprar, como eles, como nativos saudáveis que são e provar tudo que se tem direito.

E voltando às maravilhas mais globalizadas: laranja, mexerica, maçã, mamão, abacaxi, banana, pimentões coloridos, cebola roxa, verdes, batatas, pimentas, feijão, sementes e chás, cogumelos, beterraba, milho verde, tomate… Por aqui não dá para passar fome não, tem para todos os sabores, gostos, e preço. Tem até roupa, bolsa e sapato, roupa de cama, o que você imaginar a preço inimaginável, baratinho.

Os feirantes, comerciantes natos que fazem você sem nem mesmo falar uma palavrinha em chinês, sair carregando o mundo com suas promoções relâmpagos e suas degustações, os frequentadores, um “point”, transformam aquele momento por vezes em encontro semanal de amigos, uma delícia de se ver. Você nota o clima já pelo caminho, pra falar a verdade, a primeira visita à feira aconteceu devido a quantidade de pessoas com carrinhos que encontrávamos pelo caminho. Sacolas, famílias, crianças, carrinhos, aquele percurso nos deu a certeza que chegaríamos a um lugar especial. A Feira.

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E no meio dessa multidão, advinha: CANA, sim, claro … o perfeito, CALDO DE CANA, produzido igualzinho na casa dos meus avós no interior de SP. Canas enfileiradas se amontoam ao lado do motor, que com a sua escolha, seguem a serem moídas. Que sabor! Remeteu imediatamente a minha infância, que loucura essa tal de “memória afetiva”. Mas cadê o pastel??? Nadinha de pastel. Então bóra procurar algo parecido com ele. Continuar explorando os sentidos, e trocando o conhecido por algo totalmente impossível de explicar.

*** Valéria Vicenti já foi proprietária de restaurante Curitiba e atualmente mora em Chengdu (sudoeste da China). É embaixadora Rede Mulheres Empreendedoras (RME) na China. Engenheira, mais de 20 anos de experiência executiva em gestão de pessoas e processo. Entusiasta por empreendedorismo e pela disseminação do conhecimento, feliz por estar tendo a grande oportunidade de aprender com a beleza e história da arte e cultura de um país que não dorme, não para, que encanta, que cresce e inova a todo o instante.

 

 

 

 

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