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Conversa Temperada

Felipe Schaedler: a nova cozinha do Amazonas

A colunista Nádia Schiavinatto conversou com o catarinense que vive em Manaus e faz uma pratos com influências amazônica

por Nadia Schiavinatto Publicado em 09/10/2014 às 03h
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O pirarucu amazônico é  um dos destaques do restaurate Banzeiro. Foto: Divulgação

O pirarucu amazônico é um dos destaques do restaurate Banzeiro. Foto: Divulgação

Os sabores da culinária amazônica vêm ganhando cada vez mais destaque pelas mãos de um catarinense. No comando do restaurante Banzeiro, Felipe Schaedler foi eleito, pelo terceiro ano consecutivo, o chef do ano pelo guia “Comer & Beber Manaus” e hoje, com 28 anos, é considerado o embaixador da nova gastronomia do Amazonas.

Nascido em Maravilha (SC), mudou-se para o estado do Amazonas quando tinha 14 anos. Seus pais, que trabalhavam em uma empresa exportadora de soja, foram transferidos para uma cidade do interior e lá decidiram abrir uma pequena pizzaria. Foi assim que a família entrou, meio que por acaso, na área gastronômica. Dois anos depois, todos foram morar em Manaus, onde Felipe iria estudar. “Pensei em prestar vestibular para Direito. Meu sonho era ser delegado da Polícia Federal. Mas influenciado pelos negócios da família, decidi fazer o curso de Gastronomia e ali realmente me encontrei”, conta.

Na capital, seus pais montaram uma casa de pizza e massas, a Di Fiori, que continua até hoje sob o comando da família. Schaedler, no entanto, se rendeu à gastronomia local e decidiu apostar na culinária típica amazônica com uma proposta diferente. Em 2009, abriu o Banzeiro, que já levou cinco prêmios de melhor cozinha regional e ficou entre os dez restaurantes mais votados – o único fora do eixo Rio-São Paulo – pelo TripAdvisor, avaliado por turistas.

O pirarucu amazônico (filé de pirarucu grelhado coberto com banana-pacovã e queijo coalho, acompanhado de arroz com brócolis e batatas sauté); as costelas de tambaqui parrilla (costelinhas grelhadas na parrilla com flor-de-sal, acompanhada de baião-de-dois e farofa de ovos com farinha Uarini) e o lombo de tambaqui chardonnay (grelhado, ao molho de vinho branco e acompanhado de arroz branco e farofa de tucumã) são alguns dos pratos preferidos pelos turistas. “Gosto de colocar em minha culinária ingredientes novos e os regionais que estavam esquecidos, como o tubérculo ariá, a semente puxuri e farinhas de mandioca, e fazer uma releitura”.

Para valorizar ainda mais os produtos locais, o chef tem feito diversas viagens pela região em busca de novos ingredientes. Entre eles, alguns cogumelos que, segundo o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), são comestíveis. “Estamos com um projeto piloto para um desses cogumelos, que é o primeiro nativo do Brasil a ser cultivado. Apresentei vários ao chef Alex Atala e estamos tentando viabilizar a produção de cogumelos de maneira sustentável”, explica Schaedler, que se apaixonou pelo Amazonas e diz que de lá não sai mais.

Onde: Rua Libertador, 102, Nossa Senhora das Graças, Manaus (AM) – (92) 3234-1621.

Foto: Cacau Mangabeira / Divulgação

Foto: Cacau Mangabeira / Divulgação

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