Experiência

Uruguai

Como é o evento que tem open de vinho e assados do maior chef churrasqueiro do mundo

Participamos da Fiesta de la Vendimia da Bodega Garzón, eleita a melhor vinícola do mundo em 2018, e contamos tudo sobre a celebração

por Marina Mori* Publicado em 14/03/2019 às 17h
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De todas as etapas necessárias para que um vinho esteja perfeito ao chegar na sua taça, a colheita da uva é talvez a mais esperada pelos produtores. Em tempos de vindima, não faltam motivos para fazer festa e cada vinícola celebra a sua de uma forma. A Bodega Garzón, no Uruguai, reserva um dia repleto de experiências para seus visitantes.

Embora seja considerada nova no ramo (teve as primeiras parreiras plantadas em 2008 e foi apresentada ao público em 2016), já acumula no currículo dezenas de prêmios e honrarias – no ano passado, por exemplo, foi eleita a melhor vinícola do Mundo Novo pela Wine Enthusiast.

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Fachada da Bodega Garzón, no Uruguai. Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo

No início deste mês, o Bom Gourmet foi conferir como é participar da Fiesta de la Vendimia organizada pela Garzón. A primeira edição do evento foi realizada no ano passado, mas a vinícola pretende torná-lo tradicional no calendário de Pueblo Garzón, o pequeno povoado de 198 habitantes que recebe a festa.

Veja, abaixo, cinco motivos para participar da celebração uruguaia:

1. Colher uvas e aprender como o vinho é feito

O dia da festa começa com um passeio pelo parreiral da Bodega Garzón. Depois de se equiparem com chapéus panamá, luvas e tesouras, os visitantes ajudam a abastecer engradados plásticos com uvas de todos os tipos. A colaboração é simbólica: nesta época, são processados diariamente de 30 a 40 mil quilos de uvas. No ano, o volume chega aos 2 milhões de quilos.

Caminhando pelos corredores das videiras, o agrônomo Eduardo Félix e o enólogo Germán Bruzzone explicam como os frutos se transformam em vinho depois da colheita. Os dois são os principais responsáveis por cada um dos 19 vinhos produzidos a partir dos 220 hectares da vinícola.

“Esta ainda precisa ficar mais uns dias aqui”, diz Félix ao provar uma baga de merlot. “Você sente quando mastiga a semente”, explica ele, indicando o cacho para que o interlocutor faça o mesmo. A aula informal segue por mais um tempo até que seja hora de viver outra experiência.

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  • festa-vindima-colheita-uva-bodega-garzon-uruguai-2
  • festa-vindima-colheita-uva-bodega-garzon-uruguaiA época da colheita é esperada com muita expectativa na vinícola. Durante algumas semanas, milhares de quilos de uvas são colhidos para que, ao longo do ano, mais de dois milhões de litros de vinho sejam produzidos. Foto: Divulgação / Bodega Garzón
  • festa-vindima-colheita-uva-bodega-garzon-uruguai-1Todos os visitantes colhem uvas e aprendem sobre os caminhos necessários para o vinho ficar pronto. Foto: Divulgação / Bodega Garzón
  • vindima-colheita-uva-bodega-garzonLogo depois da colheita, as uvas começam a ser preparadas para a fermentação. Se estiverem muito quentes, ficam em uma câmara fria para resfriarem. Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo
  • vindima-colheita-uva-bodega-garzon-1Na esteira, passam por uma vistoria mecânica para evitar defeitos aparentes e, depois, as bagas são separadas dos caules. Em seguida, começa o processo de fermentação. Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo
  • festa-vindima-colheita-uva-bodega-garzon-uruguai-2Alvarinho, Pinot Noir Rosé, Tannat, Merlot: durante um dia inteiro, você pode escolher qual vinho vai beber. Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo

2. Experimentar o famoso churrasco de Siete Fuegos de Francis Mallmann, o mestre do churrasco

Apesar da nacionalidade argentina, o chef que ganhou fama mundial após estrelar em um episódio de Chef’s Table, a aclamada série da Netflix, tem sangue uruguaio materno correndo nas veias. Do carinho pelo país e pelos bons vinhos, nasceu a aliança com a Bodega Garzón: desde que a vinícola foi lançada ao público, em 2016, Francis Mallmann assumiu o posto de consultor gastronômico do espaço.  Nos dias de festa, comanda os “Siete Fuegos” como um show para centenas de pessoas.

Além dos carneiros e leitões assados lentamente nos domos de ferro dispostos no pátio do vilarejo de Garzón, preparos clássicos do chef ficam ao alcance de olhos e narizes curiosos. É impossível desviar a atenção quando a carne rosada e suculenta de seu salmón a la sal surge assim que a crosta de sal grosso é quebrada, ou quando o vapor intenso do curanto – embrulho de pano com vegetais assado embaixo da terra, na brasa – invade o ar ao ser desenterrado.

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Francis Mallmann, o chef argentino que ganhou o mundo com a técnica dos Siete Fuegos, finaliza um prato durante a festa da vindima. Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo

3. Beber excelentes vinhos à vontade

A Bodega Garzón cultiva 12 castas de uvas tintas e brancas em 220 hectares de terra na província de Maldonado. O lugar é praticamente um oásis para os produtores de vinho: fica a apenas 18 kms do Oceano Atlântico e a 160 metros do nível do mar, o que garante uma brisa benéfica e constante nas plantações. Além disso, o solo é rico em balastro, uma espécie de resíduos de rochas milenares que enriquecem a terra com nutrientes certos para compor vinhos excelentes.

Alvarinho, Pinot Noir Rosé, Tannat, Merlot, Marselan: durante um dia inteiro, você pode escolher qual variedade vai degustar. O que não vale é ficar com a taça vazia.

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Alvarinho, Pinot Noir Rosé, Tannat, Merlot: durante um dia inteiro, você pode escolher qual vinho vai beber. Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo

4. Passar o dia em um cenário de filme

Todos os elementos da festa fazem com que o ambiente se transforme em um retrato digno de cinema: clima agradável (nesta época do ano, os dias são de sol e, à noite, tendem a ficar mais frios), mesas ao ar livre com toalhas brancas e cadeiras de madeira, árvores por todos os lados. Canções suaves enchem o ambiente ora com bossa nova, ora com jazz lounge. É o cenário perfeito para quem quer mergulhar em uma experiência completa.

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Temperatura amena, música ao vivo e uma decoração digna de Pinterest formam o clima para uma festa sem pressa e com muito charme. Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo

5. Aproveitar uma apresentação típica do carnaval uruguaio

O tradicional grupo artístico La Clave encerra o evento com uma apresentação de murga uruguaia, um gênero de teatro musical típico da cultura. Vestidos com roupas muito coloridas e rostos pintados, os integrantes usam instrumentos de percussão para declamar canções enérgicas com muito humor e pitadas de crítica ao sistema político.

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Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo

 

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*A repórter viajou a convite da Bodega Garzón.

Serviço

Os convites custam em torno de US$ 200 por pessoa (cerca de R$ 770) — crianças pagam metade — e podem ser adquiridos com antecedência no site da vinícola: www.bodegagarzon.com

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