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Cervejas ácidas e com frutas: maior evento brasileiro apresenta as tendências da bebida

Os destaques aparecem com força durante a realização do Festival Brasileiro da Cerveja, maior evento do setor da América Latina

por Luís Celso Jr., de Blumenau, especial para o Bom Gourmet Publicado em 10/03/2018 às 17h
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O Bom Gourmet esteve na 10.ª edição do Festival Brasileiro da Cerveja (FBC) no Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC). O evento, que encerra neste sábado, é o maior do gênero na América Latina e se consolida como a principal vitrine da cerveja brasileira. Cerca de 130 cervejarias nacionais levaram cerca de 800 cervejas para mostrar por lá.

Segundo a organização do evento, números parciais mostram que mais de 23 mil pessoas passaram pelo Festival até sexta-feira (9) e o consumo de cervejas e gastronomia teve aumento 19% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Festival Brasileiro da Cerveja 2018. Foto: Divulgação/Karine Kuromiya.

Confira alguns destaques e tendências mostradas lá:

O ano das cervejas ácidas

Mais do que falar de uma cerveja ou outra – até porque muitas são feitos só para o Festival e outros estão disponíveis apenas em chope nas regiões onde são produzidos – é muito interessante notar as tendências sobre a produção nacional de cervejas apontadas pelo evento.

As cervejas maturadas em madeira, destaque principal em anos anteriores, parecem ter perdido um pouco de espaço para as cervejas ácidas, que estiveram presentes com força e se consolidaram esse ano. Essa categoria varia bastante [veja matéria Sour Beers ganham adeptos no Brasil], podendo enquadrar estilos tradicionais, como Berliner Weisse ou Liepzig Gose, releituras modernas ou novas criações, como as Catharinas Sours, tendência que pode vir a ser o primeiro estilo brasileiro de cervejas. O importante é ter sabor ácido e ser refrescante!

Com muita fruta

Em paralelo aparecem as cervejas com frutas, que podem ser ácidas ou não. Ao que parece os cervejeiros investiram em pesquisar e usar uma grande diversidade de frutas, nacionais ou não, nas suas produções e de diversas formas. Teve mistura, como Pitaya com acerola, casca de abacaxi, butiá, uva goethe, maracujá, framboesa e tantas outras que fica até difícil contar. Criatividade e técnica fizeram as melhores.

Alternativas

Os estandes das microcervejarias mais famosas, como a curitibana Bodebrown e a gaúcha Tupiniquim, sempre estão entre os mais concorridos. Mas esse ano muitos outros aparecem com destaque e ótimas cervejas, mostando que há muito mais alternativas do que só as microcervejarias já consagradas. A gaúcha Suricato e a catarinense Sunset Brew foram algumas delas. Vale notar também que esse ano, em geral, o nível médio das produções de todo o evento esteve muito bom.

A participação das gigantes

Esse ano também teve uma participação forte das grandes cervejarias. A Ambev levou suas marcas, Colorado e Wäls; já Heineken Brasil esteve presente com Eisenbahn e Baden Baden, recém adquiridas na compra da Brasil Kirin. E até o Grupo Petrópolis levou sua Black Princess, com linha nova de cervejas. Todos de olho nesse mercado.

Cozalinda

Diego Simão Rzatki da Cozalinda. Foto: Divulgação/Karine Kuromiya.

Uma das cervejarias destaque nessa edição foi a pequena catarinense Cozalinda, da Grande Florianópolis. É uma cervejaria cigana, ou seja, não tem fábrica própria, mas tem um bar em Coqueiros, na Praia do Meio. Com produções avançadas, apostando em estilos ácidos, e com um trabalho com barris de madeira exemplar, ela conquistou os cervejeiros mais experientes e os fãs da bebida mais inveterados pela complexidade das suas Sours. A proposta, conta Diego Simão Rzatki, é fazer cervejas com o gostinho de Florianópolis e apesar de existirem a 5 anos só agora atingiram a sua metodologia própria de trabalho, que envolve também microorganismos locais isolados por eles mesmos na região da cidade e barris de madeiras nacionais. “Nossa proposta sempre foi buscar a identidade local”, diz. Essa pode ser uma ótima aposta para uma identidade brasileira na cerveja.

Paranaenses ganhadores

Duas cervejarias paranaenses ganharam no 6º Concurso Brasileiro da Cerveja, que distribui suas medalhas na terça-feira (7), um dia antes da abertura do evento. Mas curiosamente a Cervejaria Cathedral, primeiro lugar na categoria Melhor Cerveja do Ano, não teve estande no Festival.

Já a Bodebrown se consolida como destaque na premiação, estando presente no pódio em todos os 6 anos de realização do concurso – duas vezes em primeiro lugar, duas em segundo e duas em terceiro. “Pelo menos estou ali meio empatado. Não tô subindo mas também não estou descendo”, brinca Samuel Cavelcanti, sócio-proprietário da Bodebrown. “Esse resultado é o reconhecimento por nossa paixão por fazer boas cervejas e por muito estudo, pesquisa, perserverança em buscar a melhor tecnologia, os melhores esquipamentos para fazer boas cervejas”, diz.

Latas e mais latas

Em paralelo ao Festival, entre quarta e sexta, ocorreu também a 3ª edição da Feira Brasileira da Cerveja, voltada a negócios com fornecedores de insumos e equipamentos para o setor cervejeiro. Ela que registrou crescimento 60% em relação ao ano anterior, com mais de 80 expositores. Também trouxe pela primeira vez empresas internacionais por meio da parceria com a NürnbergMesse, uma das maiores organizadores de feiras do gênero do mundo.

festival cerveja - Creditos foto Karine Kuromiya2

Festival Brasileiro da Cerveja em Blumenau. Foto: Karine Kuromiya/Divulgação.

O universo das embalagens teve bastante destaque, principalmente de latas, uma tendência crescente em cervejas artesanais no Brasil, com muitos expositores focados nesse tipo de material, assessórios e serviços para isso.

Blumenau International Beer Festival

Uma das grandes novidades para 2018 por parte da organização do Festival é a criação do Blumenau International Beer Festival, que vai ser realizado entre 21 e 23 de junho também no Parque Vila Germânica. A ideia é realizar um evento com rótulos do mundo todo. A organização confirmou para a reportagem do Bom Gourmet que além de cervejarias de fora do país e de importadoras brasileiras poderão também participar cervejarias nacionais, sendo que os primeiros estandes já estão sendo fechados. Para participar as cervejarias interessadas devem entrar em contato com a Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec) ou a Fundação Promotora de Exposições de Blumenau (Proeb), responsáveis pelo FBC e também pelo novo evento.

*** Lembrando que a 11º edição do Festival Brasileiro da Cerveja já tem data confirmada. Será realizado entre 8 e 11 de março de 2019.

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