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Aplicativo delivery próprio
Especialista explica ao Bom Gourmet Negócios como a implantação de um aplicativo próprio de delivery pode não ser a melhor solução para o restaurante.| Foto: Leticia Akemi/Gazeta do Povo/arquivo

Nos últimos tempos, muito se tem falado com veemência sobre as taxas dos maiores aplicativos de delivery do mercado e como isso pode ser nocivo para o negócio. Porém, mais do que isso, a solução apresentada, em muitos casos, é a criação de um app próprio.

Verdade seja dita, esse caminho não é nem de longe o mais fácil.

Criar um aplicativo próprio significa custear a operação do zero, incluindo a construção de base de usuários (parte mais cara do processo), a gestão e manutenção do aplicativo. Afinal, é previsível que ele apresente falhas que precisarão de correção e, consequentemente, a buscar alternativas logísticas para compor a cadeia e garantir a entrega no last mile (outra parte fundamental e cara do processo).

O contexto da decisão em criar um aplicativo próprio deve contemplar estas variáveis. Seguir sozinho significa arcar com custos altos, e a decisão deve ser muito bem ponderada.

Plataformas no mercado

A diversidade de caminhos nesse modelo são inúmeras, por exemplo, trabalhar com uma solução de mercado que te ofereça a possibilidade de criar um aplicativo próprio, como a Delivery Direto ou a Neemo. São caminhos válidos e boa parte das necessidades tecnológicas do processo estará sanada com essas alternativas.

Ter um aplicativo próprio faz o restaurante ganhar algumas jardas e sair na frente. Mas, ainda é de responsabilidade do estabelecimento a construção dessa base de usuários e a logística de entrega. Vale ressaltar que apenas uma parte do tripé estará resolvida.

Usuários

Em relação à construção de base de usuários, temos que olhar com o viés da audiência. A regra de ouro para ter sucesso é: você deve estar onde o seu público-alvo está!

O princípio vale para o empreendimento que se propõe ao investimento de ter um app próprio, seja ele inteiramente desenvolvido pelo restaurante ou utilizando uma solução de mercado. As duas formas levam a renunciar a uma boa parcela de audiência que hoje já está presente nos demais aplicativos de delivery.

Entre alguns nomes, enumero: iFood, a Rappi, Aiqfome e 99 Food, para citar apenas alguns, possuem sua audiência cativa de clientes que buscam por variedade. Eles estão nesses aplicativos com muito mais afinco, e, nesse contexto, trabalhar apenas com um app próprio pode significar redução de taxas – mas, acompanhada de uma significativa redução de vendas.

Diversificação

Por isso que na Let’s defendemos a adoção de diversas plataformas -- incluindo um aplicativo próprio -- para aproveitar o melhor de todos os mundos e ter base de insumos para negociar melhor as taxas de cada um deles.

Há uma regra a ser considerada: posicionar-se em múltiplas plataformas garante maior audiência e, consequentemente, mais vendas. É uma questão matemática.

Ao se ter mais plataformas que trabalham em sintonia, pode fazer as taxas médias caírem, além de proporcionar uma diluição de custos decorrente de taxas menores combinadas com vendas maiores.

Por isso, antes de transformar em vilão um aplicativo específico e acreditar que a solução virá de um aplicativo de delivery próprio, vale colocar na balança todos os aspectos, bons e ruins de cada um dos modelos. E, posso garantir, o melhor dos mundos estará no meio do caminho.

Ter um mix completo de alternativas é a solução mais eficiente -- garante uma taxa média menor e um volume de vendas maior.

*Sandra Mortari é CCO da Let’s Delivery, consultoria para a implantação de sistemas de entrega para restaurantes.

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