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Colaboração
Marcas humanizadas são tendência no setor gastronômico.| Foto: Mohamed Hassan/Pixabay

O atual momento vivido pelos restaurantes por causa da pandemia do coronavírus fez com que diversas marcas fossem forçadas a se distanciar de seus propósitos originais e clientes. Agora, com a retomada do movimento, muitos têm optado por resgatar a essência do negócio com ações mais alinhadas aos seus valores pelo conhecido processo de re-branding -- repensar toda a marca, produto e modelo de gestão.

É algo como promover um rejuvenescimento da marca de forma que ela se torne presente e atrativa a diferentes gerações. Segundo Vanessa Huguini, fundadora da consultoria de branding gastronômico Food-se, o reposicionamento do negócio precisa ser pensado com muito cuidado. Do contrário, ele pode ver os clientes simplesmente indo embora.

“As atualizações devem ser sentidas, mas não necessariamente vistas pelo cliente. Ele vai sim perceber a diferença, mas tem que sentir que a marca é a mesma; caso contrário, perde a conexão com ela”, afirma.

De acordo com a consultora, crises são muito oportunas para o reposicionamento de marcas, pois representam momentos nos quais todas as partes da cadeia estão preparadas para mudanças. Mesmo assim, a especialista ressalta que o rebranding não significa criar uma nova identidade, mas sim resgatar a essência perdida.

Gastronomia de propósito e segurança

A chegada da pandemia reforçou duas preocupações dos clientes com os seus restaurantes preferidos: a experiência e a segurança, que vão além do prato servido.

Os clientes, como explica a idealizadora do Food-se, estão com mais desejo de se relacionar com marcas humanizadas. Um caminho de prosperidade para os estabelecimentos é buscar a originalidade ao mesmo tempo que exercem relevância.

“Eu sempre incentivo meus clientes a se reconectarem com os consumidores através do propósito da marca. Eles devem se perguntar ‘quais são as minhas oportunidades em torno da comunidade?’ para que entendam o impacto que exercem na cadeia”, pondera.

A melhor forma de causar impacto positivo e engajar a comunidade é através de histórias. E aí surge a necessidade de abrir as portas da cozinha para que os clientes conheçam onde tudo acontece, trabalhando de forma transparente e alinhada.

Além de entregar mais experiência ao clientes, essa transparência evidencia as práticas de segurança alimentar do estabelecimento, outra exigência em destaque no momento.

“A entrada de qualquer menu completo hoje em dia é a segurança. Mesmo que isso já fosse uma preocupação dos restaurantes sérios antes da pandemia, agora eles precisam saber comunicar isso para os clientes e funcionários”, conta.

As redes sociais são as forma mais eficaz de fazer essa comunicação de maneira externa, como explica a especialista. Mas, dentro do estabelecimento, é essencial uma preocupação diária com os funcionários e uma educação frequente dos consumidores.

Revolução digital e logística

Se a necessidade de implantar o digital foi a saída no início da pandemia, o desafio agora é torná-lo eficiente em paralelo aos canais tradicionais. Estratégias de comunicação e entrega de serviço através da tecnologia devem estar presentes nas pautas de reposicionamento de marca, mas é essencial pensar uma logística de integração.

Para Vanessa Huguini, uma opção sustentável são os espaços gastronômicos colaborativos, como as dark kitchens ou co-kitchens, que eliminam gastos e democratizam o ambiente.

“Essa, com certeza, é uma marca bonita da pandemia: vimos as pessoas se unindo mais para salvar seus negócios e os dos outros. Eu nunca tinha visto o setor gastronômico organizado para isso”, completa.

Conteúdo editado por:Guilherme Grandi
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